Países do BRICS fecham acordo para integrar bolsas de valores e uso de moedas locais


Imagem: n.i.

Bolsas de países emergentes formam aliança

Brasil Econômico – 13/10/11

A aliança formada na quarta-feira (12/10) terá três etapas até sua implantação final. Segundo Edemir Pinto, presidente da BM&F Bovespa, as empresas poderão negociar suas ações nos demais países.

Os mercados acionários dos países que compõem o grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) anunciaram ontem uma aliança que permitirá que as bolsas de valores desses países atuem de forma conjunta.

A iniciativa reúne a BM&FBovespa, MICEX russa, National Stock Exchange of India, da Índia (NSE), Hong Kong Exchange, como representante chinês, e Johannesburg Stock Exchange (JSE), da África do Sul. A NSE e a BSE Ltd. (ex-Bombay Stock Exchange) já assinaram carta de apoio e devem aderir à aliança depois de resolvidas algumas pendências.

A parceria contempla três etapas de implantação. No primeiro semestre de 2012, entrará em vigor a primeira fase do acordo, na qual as bolsas contarão com listagens cruzadas de derivativos de índices.

Juntas, as sete bolsas detêm capital de US$ 9,02 trilhões, um volume financeiro diário médio de US$ 422 bilhões e abarcam quase 9,5 mil companhias abertas.

Nesta primeira fase, o Ibovespa será negociado nas bolsas dos BRICS, assim como os índices de ações mais representativos dos países do grupo serão listados no Brasil.

Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa, explica que os contratos futuro e de opções serão comprados e vendidos sempre em moeda local. “Não há compromisso de começar a negociação dos produtos em todas as bolsas ao mesmo tempo. Até porque os acordos são feitos bilateralmente”, completa.

Segundo ele, as negociações com Hong Kong, África do Sul e Índia devem ser iniciadas antes da Rússia, que ainda está decidindo qual dos índices acionários (o cotado em dólar ou em rublo) deverá utilizar.

O presidente da BM&FBovespa prefere não revelar a fórmula que será utilizada no rateio da receita das negociações entre as bolsas. “Não é necessariamente 50% e 50%, depende do produto e das bolsas envolvidas. Mas prefiro não revelar, porque faz parte da estratégia comercial de cada país”, completa.

Assim como os outros produtos já oferecidos aos investidores na Bovespa, os índices dos BRICS terão de passar pelo aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central. “Estamos tranquilos. A dificuldade deve ser próxima a zero.”

Já a segunda fase é mais ousada. A ideia é criar um índice dos BRICS composto, de forma ponderada, pelos índices dos membros da aliança – que será listado nas bolsas participantes. Ainda está em estudo como será a participação de cada um dos países.

Outro passo que será dado no segundo momento é a possibilidade de as empresas terem dupla listagem. Ou seja, ter operações não só no Brasil, mas também em Hong Kong e Índia, por exemplo.

A terceira e última fase ocorrerá com a criação de produtos únicos, como fundos de índices (chamados de Exchanged-traded fund ou ETF) e índices mais específicos.

“Como somos grandes produtores e compradores de commodities, podemos ter um índice com as ações das companhias ligadas ao setor de cada país. A pista estará livre e haverá possibilidade de inovarmos. O céu é o limite”, acrescenta Edemir Pinto.

A aliança não atrapalha a parceria com a bolsa de Chicago que prevê que o Ibovespa seja negociado nos EUA e o S&P 500 aqui. “É mais um produto para investidores”, diz. Além desse, há o Brazil Easy Invest (BIM) que permitirá que a plataforma brasileira funcione nos quatro continentes, a partir do ano que vem. “Poderão negociar papel brasileiro na moeda deles.”

Fonte: http://www.brasileconomico.com.br/noticias/bolsas-de-paises-emergentes-formam-alianca_108010.html