EUA, Irã e Síria: possibilidades de reconfiguração geopolítica no Oriente Médio


Willian Moraes Roberto, pesquisador do NERINT e graduando em Relações Internacionais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Bruno Gomes Guimarães, pesquisador associado do ISAPE, mestrando em Relações Internacionais de programa conjunto da Freie Universität Berlin, Universität Potsdam e Humboldt-Universität zu Berlin. Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Historicamente, o Oriente Médio tem se mostrado uma importante região para o cenário geopolítico internacional, não só por sua localização-chave entre três continentes, mas também pela sua riqueza em recursos energéticos, o que trouxe um elevado nível de penetração de interesses externos à região. Atualmente, a importância do Oriente Médio segue em alta, sendo a relação dos EUA com a região uma das problemáticas mais importantes. Oficialmente, Washington tem prestado esforços para se desengajar das custosas guerras em que lá se envolveu, almejando focar suas capacidades agora para o Pacífico, segundo a ideia conhecida como “o pivô para a Ásia”. Entretanto, há obstáculos diversos a tal política. Destes problemas, destaca-se a posição contra-hegemônica centrada no Irã e nos seus aliados, como a Síria e o Hezbollah. Por isso, é necessário que se analisem os recentes acontecimentos envolvendo a Síria e o Irã na metade final de 2013, quais sejam, a crise das armas químicas sírias e o acordo nuclear iraniano junto do P5+1, visto que podem impactar não somente a região, mas também o próprio jogo geopolítico internacional.

Fonte: Penn Live.

Fonte: Penn Live.

Origem do “Eixo de Resistência”

A relação entre Síria e Irã é marcada, desde os anos 1980, por sua resistência frente às políticas Ocidentais, bem como às de Israel e às das petromonarquias árabes na região do Oriente Médio. As suas origens encontram-se em um momento de dificuldades por qual ambos os países passaram. Em 1980, após a Revolução Iraniana de 1979, o Iraque desencadeou uma guerra contra o Irã que durou até 1988.i Estando quase todos os Estados do Oriente Médio apoiando direta ou indiretamente o Iraque devido ao caráter revolucionário do regime iraniano, o Irã aprofundou sua rivalidade contra países como a Arábia Saudita e o Egito. Na ocasião, a Síria foi o único país árabe do Oriente Médio a prestar auxílio ao Irã, tendo enviado a este capacidades militares provenientes da URSS para o esforço de guerra. Damasco assumiu tal posição por também rivalizar com o Iraque e com o regime de Saddam Hussein, bem como por ter se sentido traída pelo Egito após este ter procurado fazer a paz com Israel individualmente em 1979 (GOODARZI, 2009).

Após esse apoio durante o período crucial da guerra entre 1980 e 1982, foi a vez de o Irã auxiliar a Síria em 1982 quando da invasão israelense ao Líbano, em meio a guerra civil que estava ocorrendo neste país. Tendo despachado Guardas Revolucionários para a região sul do Líbano, Teerã colaborou na criação do Hezbollah, grupo xiita armado que pregava seguir as orientações do Líder Supremo iraniano. Mesmo que em momentos iniciais o Hezbollah tenha entrado em choque com outras milícias ligadas à Síria no Líbano, o grupo xiita expandiu-se e tornou-se um ator proeminente na política do país. Por diversas vezes o grupo apoiou os interesses do Irã e da Síria, corroborando com a visão crítica às políticas de Israel, dos EUA e de seus aliados regionais. É, então, nessa primeira metade da década de 1980 que se encontra a gênese da relação Síria-Irã, bem como do que viria a ser conhecido como o “Eixo de Resistência” à hegemonia Ocidental no Oriente Médio (GOODARZI, 2009).

Os EUA entraram em choque com o Irã desde o começo da revolução de 1979, principalmente após a tomada da embaixada estadunidense em Teerã. As relações entre Washington e Damasco já eram tensas devido ao antagonismo da Síria com Israel. Chamado de “Grande Satã” por tais países rivais e apontado por eles como o responsável por diversas das mazelas da região, os EUA passaram a traçar estratégias para conter o Irã, como a Dupla Contenção lançada por Clinton e as sanções impostas nos anos 1990 (POLLACK, 2005). Entretanto, a maior ameaça ao Irã e à Síria veio durante o governo de George W. Bush (2001-2008), com o desencadeamento da Guerra ao Terror. Após a invasão do Afeganistão em 2001 como represália aos ataques de 11 de setembro, os EUA invadiram o Iraque em 2003 sem conseguir dispor de motivos concretos e legítimos, o que se configurou como uma guerra de escolha, e não de necessidade. Incluído no “Eixo do Mal” por Bush em 2002, o Irã agora se via cercado por tropas dos EUA no Afeganistão, no Iraque e pelas bases militares estadunidenses no Golfo Pérsico, temendo ser o próximo alvo (PECEQUILLO, 2013).

Independentemente de ter sido planejado ou não atacar o Irã após o Iraque, caso a campanha neste país tivesse ocorrido como planejado, a eleição presidencial iraniana de 2005 foi uma resposta ao que vinha ocorrendo na região. Mahmoud Ahmadinejad elegeu-se com uma agenda nacionalista, utilizando-se de uma forte retórica contra os EUA, Israel e o Ocidente em geral, visando a transformar o Irã em uma potência regional. Para tanto, Ahmadinejad reativou o programa nuclear do país, o qual fora iniciado com a ajuda dos EUA na época do Xá, i.e. antes da Revolução Iraniana de 1979, mas que havia sido colocado de lado por seu predecessor (QUAGLIA et al., 2012). Além disso, ele também reforçou os laços com seus aliados do “Eixo de Resistência”, incluindo grupos que representam seus interesses no Afeganistão e no Iraque, além do Hezbollah, do Hamas e da parceria com a Síria (CORDESMAN, 2013a).

Entretanto, a eleição de Obama para presidente dos EUA em 2008 alterou novamente a abordagem de Washington para o Oriente Médio. Visando a desvincular-se das custosas guerras na região e privilegiando uma abordagem coercitiva menos direta, trabalhou para adotar contra o Irã uma série de sanções, não somente unilaterais, mas também através do Conselho de Segurança da ONU. Gradualmente, a economia iraniana foi sendo estrangulada, sofrendo com um alto nível de inflação, desemprego e, principalmente, falta de recursos monetários devido à diminuição de suas exportações e ao congelamento de seus ativos (CORDESMAN, 2013b).

Outro fenômeno que impactou a região e as políticas dos países ali envolvidos foram as revoltas árabes iniciadas em 2011 na Tunísia e que rapidamente se espalharam para outros países. Protestos eclodiram na Síria no final do mesmo ano, os quais foram fortemente reprimidos pelo regime do presidente Bashar al-Assad. A tensão social elevou-se e a situação interna do país escalou para altos níveis de violência, delineando um caminho para uma possível guerra civil (GUIMARÃES; ROBERTO, 2012). Entretanto, o problema realmente se agravou a partir do momento em que outros países da região, como Arábia Saudita e Catar, perceberam que havia a chance de enfraquecer o regime sírio. Diversos jihadistas foram contratados para lutar no país, e as petromonarquias passaram a fornecer armas e dinheiro aos combatentes. Esses países viam a queda do regime sírio como a possibilidade de golpear e enfraquecer o “Eixo de Resistência”, já que tiraria do Irã e do Hezbollah um importante aliado. É por isso que estes passaram a apoiar materialmente o regime sírio, com o último tendo oficialmente assumido a luta na Síria. Assim, cristalizou-se uma guerra proxy regional envolvendo de um lado o eixo Irã-Síria-Hezbollah e de outro as petromonarquias com o apoio velado de Israel e dos países Ocidentais (CHUBIN, 2012; SHIMP, 2013).

Fonte: Stratfor.

Fonte: Stratfor.

Estados Unidos na Primavera Árabe

Esse mesmo contexto da Primavera Árabe impactou o papel desempenhado pelos Estados Unidos na região. Inicialmente, o país não apresentou uma política clara para os levantes, que ocorreram tanto em países alinhados quanto adversários. Por causa disso, os EUA encontravam-se muito mais reativos, aguardando os próximos acontecimentos e seu desenrolar, isto é, não havia uma estratégia delimitada.ii Na Síria, os EUA deixaram que o governo de Assad e seus aliados arcassem com o ônus de se travar uma guerra contra forças apoiadas pelos sauditas e pelos turcos, esperando que os custos fossem altos demais para a manutenção do regime. Paralelamente, o Presidente Obama chegou a estabelecer uma “linha vermelha” para o conflito (i.e. o uso de armas químicas), provavelmente não esperando de fato que os Estados Unidos tivessem de fazer valer esse limite imposto. Esse desnorteamento dos EUA no Oriente Médio se deve principalmente à política de maior engajamento na Ásia. Logo que Obama assumiu, disse-se que haveria um “pivô asiático” para que se concretizasse o Século do Pacífico liderado pelos Estados Unidos. Por isso, em um contexto de reorientação de política externa para outra região do globo, não é inesperado o fato de o Oriente Médio ter ficado em segundo plano.

Contudo, em meados de 2013, com um novo golpe no Egito e novas investidas políticas da Rússia na região, a situação fugiu do controle dos Estados Unidos, que foram obrigados a reconhecer que, sem uma resolução satisfatória no Oriente Médio, o pivô para a Ásia não se concretizaria.iii Com essas mudanças de percepção, Obama passou a ter pulso mais firme a respeito da guerra civil síria, e, quando constatou-se o uso de armas químicas,iv ele não hesitou em dizer que os EUA interviriam militarmente, ou seja, ele faria valer o discurso da “linha vermelha”.v Essa ameaça foi de considerável importância, pois mostrou que os EUA ainda mantêm o interesse estratégico no Oriente Médio, permitindo que oportunidades abertas para a distensão na Síria e no Irã fossem levadas em consideração pelo país.

A crise na Síria fez a disputa pelo Oriente Médio escalar, criando grande tensão entre Rússia e Estados Unidos (e.g. OLIVEIRA; BRITES; REIS, 2013). No ápice das tensões, o Secretário de Estado dos EUA John Kerry deixou escapar que o país só deixaria de atacar a Síria caso Assad destruísse o seu arsenal químico. O comentário, que na época pareceu acidental, hoje se afigura uma manobra bastante astuta, pois a Rússia logo apresentou uma proposta para a destruição das armas químicas sírias sob monitoramento internacional, abrindo as portas para negociações as quais Obama prontamente aceitou. Em outubro, então, chegou-se a um acordo a respeito do assunto sancionado pelo Conselho de Segurança da ONU.vi Esse acordo também viria a servir ao Irã como um indicativo de que os EUA poderiam optar pelo pragmatismo e pela moderação.

Já no Irã, a eleição de Hassan Rouhani, em junho de 2013, propiciou um novo panorama, favorável a negociações a respeito do programa nuclear do país. Ele foi eleito devido ao legado da posição linha-dura do presidente Mahmoud Ahmadinejad, mantida mesmo quando os EUA deixaram de ser tão abertamente confrontacionistas sob o governo Obama, o que resultou não somente no aumento do isolamento do país, como também em novas sanções da ONU em conjunto com outras aplicadas unilateralmente pelos EUA e pela União Europeia. Rouhani, então, assume o cargo com uma plataforma mais moderada: em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano frisou a racionalidade e a moderação para evitar conflitos, dando claro sinal aos países do Ocidente de que estaria aberto a negociações (FULL…, 2013). Obama e Kerry entenderam o recado e entraram em contato por telefone com o novo presidente iraniano, estabelecendo contato direto, interrompido desde 1979. Isso de fato abriu espaço para que novas negociações do P5+1 a respeito do programa nuclear iraniano ocorressem com novo ímpeto. Com efeito, em pouco tempo chegou-se a um acordo provisório em que o Irã, entre outras coisas, interromperia a produção de urânio enriquecido em 20% e os EUA, bem como a União Europeia, levantariam algumas de suas sanções contra o país.vii

A cartada geopolítica

Caso realmente ocorra uma reaproximação mais duradoura entre Irã e Estados Unidos, isso significaria uma grande mudança no cenário geopolítico do Oriente Médio. O geopolitólogo Zbigniew Brzezinski (1997) afirma que o Irã é um país-chave no continente eurasiano, sendo capaz de influenciar tanto o sudoeste asiático (Oriente Médio) quanto a Ásia Central, além de todo o Golfo Persa. O autor já avisava que o pior cenário para os interesses estadunidenses seria um eixo anti-hegemônico Moscou-Teerã-Pequim, mas que, com a normalização das relações entre EUA e Irã, este país viria a ser um bloqueio aos interesses russos e chineses no longo prazo (BRZEZINSKI, 1997). Por isso mesmo, Brzezinski (2012) assevera que deveria haver uma reintegração do Irã à comunidade internacional e que isso iria ao encontro dos interesses geoestratégicos estadunidenses.

Com efeito, essa reaproximação é interessante para os Estados Unidos considerando que o Irã tem objetivos comuns de estabilização do Iraque e do Afeganistão: ainda que movidos por diferentes razões, ambos não desejam que esses países retornem para uma situação de caos e ingovernabilidade. Além disso, o Irã poderia vir a abrandar as posições do Hezbollah no Líbano e, por conseguinte, aumentar a segurança de Israel com o seu vizinho ao norte. Tendo em vista o Oriente Médio como um todo, o Irã se opõe a grupos terroristas islâmicos tais como o Talibã e a Al-Qaeda, e nesse ponto também há convergência de interesses com os EUA. Portanto, o Irã pode servir aos interesses estratégicos dos EUA para a estabilização da região, cumprindo o papel identificado por Brzezinski (1997), ou pelo menos não minando as iniciativas estadunidenses na região.

A tímida reaproximação que vem ocorrendo entre ambos já causou grandes repercussões regionais. Tanto a Arábia Saudita quanto Israel condenaram o acordo, acusando o Irã de apenas estar ganhando tempo para desenvolver suas armas nucleares. Israel se posicionou contra o acordo provisório, com tal posição capitaneada pelo partido Likud e por Netanyahu, ainda que seja necessário a Tel Aviv realizar um maior esforço para identificar ganhos e perdas com essa normalização das relações EUA-Irã. Os sauditas, por sua vez, já avisaram que realizariam uma grande inversão de política externa devido a esse acordo, dando a entender que seu alinhamento com os Estados Unidos estaria em risco (BAKR; STROBEL, 2013).

Contudo, convém ressaltar que não parece provável que os EUA abandonem os sauditas ou os israelenses: tudo indica que continuarão como seus importantes parceiros no Oriente Médio. Entretanto, ao se aproximar do Irã, os EUA ganhariam liberdade de ação na região, pois isso significa que o país não precisaria sempre apoiar as políticas dos sauditas, que cada vez mais apoiam e armam grupos fundamentalistas islâmicos na região, bem como as dos israelenses, as quais também são frequentemente questionáveis, especialmente em relação à Palestina. Caso a normalização das relações entre Washginton e Teerã se concretize, a provável estratégia estadunidense seria de equilibrar sunitas e xiitas (Arábia Saudita e Irã), garantindo que um anulasse o outro (FRIEDMAN, 2013). Haveria então uma nova balança de poder regional em que os Estados Unidos cumpririam o papel de offshore balancer (balanceador de ultramar), garantindo o equilíbrio entre os países do Oriente Médio. Isso não significa abandonar os tradicionais aliados, mas sim que estes terão de assumir mais responsabilidades para garantir sua própria segurança, com os EUA garantindo que nenhum país seja capaz de sobrepujar o outro (e.g. FRIEDMAN, 2013).

Conclusão

As recentes políticas adotadas por Obama no Oriente Médio demonstram que os EUA se importam com a região e que percebe que ela é fundamental para sua atual estratégia de política externa. Por ser pragmático e se opor a mais uma custosa guerra envolvendo o país, Obama aceitou a proposta russa e iniciou conversas com o Rouhani, lendo corretamente os sinais para dar início a uma possível détente. Esse acontecimento pode ter impactos de suma importância tanto no âmbito regional quanto no global.

Regionalmente, pode acontecer um rearranjo da configuração de forças no Oriente Médio. Um Irã mais pragmático pode ajudar os EUA com a estabilização no Afeganistão e no Iraque e até mesmo na Síria e no Líbano. Isso levaria a uma possível alteração na configuração do “Eixo de Resistência”. Ao mesmo tempo, o novo papel do Irã deixa a Arábia Saudita e Israel em alerta, principalmente em relação a seus próprios laços com os EUA. No âmbito global, a détente com o Irã pode permitir que os EUA realizem um passo a mais em direção ao seu pivô para a Ásia, diminuindo os custos de seu engajamento na região do Oriente Médio.

Esse “desengajamento responsável” abre possibilidades para os EUA regional e globalmente. No Oriente Médio, seria possível não mais apoiar continuadamente as políticas sauditas e israelenses. Ao invés disso, os EUA poderiam apostar em um equilíbrio regional em que Washington se manteria como o afiançador da balança de poder. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos ganhariam liberdade de ação no âmbito internacional ao desamarrarem-se de parte dos imbróglios e de custos no Oriente Médio, podendo canalizar recursos para outras regiões do mundo, principalmente ao seu pivô asiático.

Entretanto, para que isso ocorra é necessário que haja prosseguimento das negociações com o Irã e a realização de um acordo permanente (e não somente provisório) em relação ao seu programa nuclear, o qual servirá de base para negociações mais abrangentes que envolvam outros problemas regionais em um novo padrão de relacionamento. Da mesma forma, há de se observar o cumprimento do prazo da destruição do arsenal químico sírio e o resultado das negociações de paz de Genebra que se realizarão no final de janeiro de 2014 para tratar da guerra na Síria. Quanto às situações internas de cada país, tanto Irã quanto EUA dependem em maior ou menor medida de seus legislativos para que o acordo provisório seja bem sucedido: no primeiro, Rouhani tem de lidar com representantes políticos linha-dura, que já procuram aumentar os níveis de enriquecimento de urânio; nos EUA, Obama tem de manobrar um Legislativo com representantes de ambos partidos querendo estabelecer novas sanções econômicas ao Irã. Nos dois casos, a aprovação dessas medidas pode levar ao fim do acordo devido a percepções de má-fé do outro lado. Por fim, também deve-se observar no médio e no longo prazo os efeitos que essa possível nova alteração teria para a região em si no que tange a balança de poder e o novo papel que o Irã poderia vir a assumir.

_________

Notas:

i Dentre os motivos para o início da guerra, estão as motivações de Saddam Hussein de enfraquecer o vizinho que considerava um rival regional por influência em um momento em que julgou que o país estivesse despreparado e vulnerável, após a revolução.

ii O caso mais sintomático dessa ausência de estratégia se deu (e ainda ocorre em certa medida) no Egito, país que tinha um regime militar aliado: não se apoiava nem a revolta popular nem o governo e mais tarde também não havia um apoio firme ao governo eleito de Morsi. Em contraste, na Líbia, a intervenção capitaneada por França e Inglaterra foi apoiada pelos estadunidenses, a qual eles depois tiveram de assumir dadas as incapacidades daqueles de projeção de poder. Aproveitou-se, então, a oportunidade de remover um regime não simpatizante.

iii Outro fator que trouxe uma mudança de postura foi a própria reeleição de Obama, que se viu com a responsabilidade de deixar um legado de política externa. Por causa disso, ele nomeou John Kerry para ser Secretário de Estado: um senador do Partido Democrata membro do Comitê de Relações Exteriores havia quase 30 anos.

iv O uso de armas químicas no conflito ocorreu em grande escala e há indícios de que tanto rebeldes quanto o governo as tenham utilizado, ainda que a mídia ocidental só noticie os ataques provavelmente orquestrados por forças governamentais (SYRIA…, 2013).

v No entanto, vale lembrar que, desde o seu primeiro mandato, o Presidente Obama se opunha a uma nova guerra no Oriente Médio. Dessa forma, afirmou que só agiria militarmente na Síria com autorização do congresso, cuja maioria atual é do Partido Republicano. Tal estratégia pode ter sido traçada para que, assim, a “culpa” por se iniciar uma nova guerra (ou pela inação) recaísse mormente sobre a oposição e não sobre seu governo.

vi Para mais informações sobre o acordo sobre as armas químicas na Síria, veja aqui.

vii Para mais informações sobre o acordo nuclear iraniano, veja aqui.

Referências:

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BRZEZINSKI, Zbigniew. The Grand Chessboard: American primacy and its geostrategic imperatives. Nova Iorque: Basic Books, 1997.

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