Autor: joaopauloalves

Primeiro Boletim de Conjuntura do NERINT


Confira aqui o primeiro Boletim de Conjuntura do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais (NERINT), no qual constam quatro artigos escritos por pesquisadores e pesquisadoras do ISAPE. Entre os assuntos discutidos estão a transição política em Mianmar, as reformas internas na Coreia do Norte, a economia iraniana após o acordo nuclear e as negociações de paz da Síria.

capa boletim nerint

Novo acordo sobre Okinawa é firmado entre EUA e Japão


Os governos do Japão e dos Estados Unidos chegaram a um novo acordo, ainda a ser anunciado, quanto ao tratamento dos oficiais estadunidenses operando em Okinawa. A iniciativa ocorreu após o suposto envolvimento de um soldado estadunidense no assassinato de uma cidadã japonesa, seguido de uma série de protestos na ilha de Okinawa em maio e junho de 2016. Segundo a nova proposta, haverá uma revisão no acordo existente no sentido de diminuir a proteção aos funcionários dos Estados Unidos que cometam crimes em solo japonês, subdividindo os oficiais em categorias referentes às suas competências.

Aproximadamente metade dos soldados dos EUA no Japão estão na província de Okinawa Mapa: AFP.

Aproximadamente metade dos soldados dos EUA no Japão estão na província de Okinawa
Mapa: AFP.

Inteligência Artificial supera pilotos da Força Aérea dos EUA em simulações de combate


Uma nova tecnologia de Inteligência Artificial para combate aéreo, desenvolvida pela Universidade de Cincinnati, superou pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos em simulações de batalhas. O sistema, conhecido como ALPHA, demonstrou uma habilidade tática extremamente desenvolvida, tendo uma capacidade de reação aguçada e conseguindo calcular movimentos instantaneamente. Pesquisadores acreditam que a tecnologia poderia ser de grande utilidade para a instalação em veículos aéreos não tripulados (VANTs ou drones), coordenando planejamentos táticos e sendo suporte para pilotos humanos da Força Aérea.

Foto: Lisa Ventre / Univ. de Cincinnati.

Forças Armadas da Libéria retomam responsabilidade pela segurança nacional


A Organização das Nações Unidas anunciou que a segurança nacional da Libéria voltará a ser responsabilidade das Forças Armadas nacionais, após 13 anos do início da UNMIL, a missão de paz no país. Segundo o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki Moon, essa transição é resultado do sucesso da missão de paz, da promoção da estabilidade via organizações regionais e da reconstrução das instituições do país. Com isso, criou-se a possibilidade para que as autoridades liberianas organizem-se para a manutenção da segurança a partir de julho, permanecendo as forças da ONU somente como suporte emergencial.

Foto: n.i.

EUA propõe maior cooperação com a Rússia na Síria


Obama propôs um novo acordo de cooperação militar entre Estados Unidos e Rússia para a situação na Síria. Segundo essa proposta, Washington e Moscou operariam em bombardeios aéreos conjuntos contra a Frente al-Nusrah (o braço da al-Qaeda na Síria) em troca de pressões russas pelo cessar dos bombardeios do governo sírio sobre alguns grupos rebeldes. Contudo, funcionários do corpo diplomático estadunidense e o próprio Ministro da Defesa se mostraram contrários à iniciativa, alegando que os bombardeios não enfraqueceriam a al-Nusrah e ainda beneficiariam as forças de Assad na guerra civil.

Imagem: Fotolia / viperagp.

Imagem: Fotolia / viperagp.

Israel aprova construção de novos assentamentos na Cisjordânia


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o Ministro da Defesa, Avigdor Liebermann, aprovaram a construção de 560 novos assentamentos na Cisjordânia — movimento atualmente considerado ilegal pelo direito internacional. Além disso, o governo aprovou a construção de 600 unidades de habitação para palestinos na região de Jerusalém Oriental. Segundo oficiais do governo, os novos assentamentos fazem parte de um projeto estratégico para minimizar as tensões internas após o anúncio da construção das habitações palestinas, ao mesmo tempo em que serve como retaliação aos recentes atentados contra judeus na Cisjordânia.

Foto: Barcroft Media.

Foto: Barcroft Media.

China suspende relações com Taiwan


Em análise publicada no The Diplomat, Shannon Tiezzi aborda os recentes problemas nas relações China-Taiwan decorrentes da ascensão de Tsai Ing-Wen, do Partido PDP, à presidência da República da China (Taiwan). Segundo a autora, Pequim suspendeu as relações interestreito em função da não aceitação pela nova administração taiwanesa do chamado “Consenso de 1992”. O anúncio do afastamento causou desconforto em Taiwan, que acusa a República Popular da China de utilizar o acordo anterior como forma de chantagem. Em nível mais amplo, segundo Tiezzi, a suspensão representaria um verdadeiro retrocesso para as relações bilaterais que se encontravam em plena ascensão, com consequências potencialmente catastróficas. A falta de um mecanismo de diálogo entre os dois países poderia causar danos irreversíveis para a política externa de ambos, diz a autora.

Tsai Ing Wen. Foto: n.i.

Tsai Ing-Wen. Foto: n.i.

Costa Rica retira-se de bloco regional da América Central


Na última quarta-feira (29/06), em Honduras, teve início a 47ª Cúpula do Sistema de Integração Centro-Americano (SICA), reunindo representantes dos seus oito países membros. Como ponto central da reunião, houve a discussão sobre a retirada da Costa Rica da organização. O país optou por abandonar a sua filiação após a recusa dos demais países membros em apoiarem as suas propostas de reforma e reestruturação da instituição, tendo o presidente Luis Guillermo Solís optado por comparecer à reunião da Aliança do Pacífico, de ocorrência simultânea. Além dessa questão, foram debatidos pontos relativos a possibilidade de formação de uma união aduaneira na América Central.

Foto: Ansur.

Secretário-Geral da UNASUL comenta projeto de cidadania sul-americana


Na última quarta-feira (29/07), o secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), Ernesto Samper, afirmou que está em construção o projeto de “cidadania sul-americana” idealizado pelo bloco. A iniciativa visa a estabelecer uma  identificação de cidadania sul-americana para os mais de 400 milhões de habitantes do continente, permitindo-lhes a livre circulação e trabalho na região. Além disso, o secretário apontou para o potencial da iniciativa em servir como proteção dos mais de 25 milhões de sul-americanos que vivem no exterior — especialmente para aqueles que passam por julgamentos em tribunais estrangeiros.

Foto: Ansur.

11ª Cúpula da Aliança do Pacífico ocorre no Chile


Na última terça-feira (29/06), teve início a 11ª Cúpula da Aliança do Pacífico, reunindo os Chefes de Estado dos quatro países membros (Chile, Peru, Colômbia e México) e de dois países observadores (Argentina e Costa Rica). Na ocasião, o chanceler chileno Heraldo Muñoz celebrou a visita dos recém-eleitos Maurício Macri, da Argentina, e Pedro Pablo Kuczynski, do Peru como atores importantes para promoção dessa iniciativa regional. Já o presidente argentino pretende criar mais vínculos do Mercosul com a Aliança, a qual também deve se tornar uma área de livre comércio na América Latina.

Presidentes da Aliança do Pacífico. Foto: Nodal.

Saída da UE ameaça a coesão do Reino Unido


A reemergência de movimentos separatistas na Escócia e na Irlanda do Norte ameaçam a coesão do Reino Unido, após a votação pela saída do país da União Europeia (UE). Enquanto a maior parte dos ingleses optou pela saída do bloco regional, escoceses e norte-irlandeses escolheram a permanência na UE. A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, afirma que já está em andamento a organização de um novo referendo pela separação do país, aos moldes do realizado em 2014, e seu governo já está buscando negociações diretas com a UE para posteriormente voltar a fazer parte do bloco. De forma similar, o partido nacionalista da Irlanda do Norte, Sinn Féin, anunciou que irá apoiar a organização de uma consulta popular para separação do Reino Unido e integração à Irlanda — que permanece membro da União Europeia. Analistas já apontam que a saída do Reino Unido da UE põe em risco o processo de paz da Irlanda do Norte na forma do Acordo de Belfast de 1998. Ademais, a própria Espanha anunciou o seu interesse em obter soberania compartilhada do enclave de Gibraltar, cuja maior parte da população (96%) também votou pela permanência na UE.

Imagem: Derek Bacon / The Economist.

Paquistão declara apoio às reivindicações chinesas no Mar do Sul da China.


Na última quinta-feira (23/06), o presidente do Paquistão, Mamnoon Hussein, declarou o apoio de seu país à República Popular da China nas questões ligadas ao Mar do Sul da China, Taiwan e Tibete. A declaração foi feita durante uma reunião pouco antes da conferência da Organização de Cooperação de Xangai (OCX). Ambos os países reforçaram sua posição de amizade e a disposição para cooperar em âmbito econômico e securitário. Por um lado, Xi Jinping enfatizou a importância de integrar oficialmente o Paquistão na OCX e de focarem as suas relações bilaterais na construção do Corredor Econômico China-Paquistão. Por outro, Mamnoon Hussein declarou a sua vontade em participar ao lado de Pequim em organizações internacionais e em cooperar bilateralmente na construção de infraestrutura e no combate ao terrorismo.

Foto: Xinhua / Ma Zhancheng.

Conselho de Segurança da ONU condena testes de mísseis balísticos pela Coreia do Norte


Na última quinta-feira (23/06), o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) condenou os recentes testes com mísseis balísticos feitos pela Coreia do Norte. A declaração foi feita após um comunicado de Pyongyang relativo ao sucesso dos testes com o míssil balístico de médio e longo alcance, Hwasong-10. De acordo com o CSNU, essa atitude é uma “grave violação” das obrigações internacionais da Coreia do Norte, estabelecidas através de antigas resoluções do Conselho, representando um aumento na capacidade do país em entregar ogivas nucleares. Há diversas resoluções do órgão da ONU contra os programas nuclear e de mísseis balísticos norte-coreanos, sendo que a última foi aprovada em março de 2016.

Foto: Reuters/Mike Segar

Foto: Reuters / Mike Segar.

Com empate, Suprema Corte dos EUA anula reforma em políticas de imigração de Obama


Na última quarta-feira (23/06), a Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou um projeto federal de reforma nas políticas de imigração proposto por Barack Obama em 2014, ao permanecer empatada (4 votos contra e 4 a favor). Empate ocorreu, porque o Senado, controlado pelos republicanos, recusa-se a votar a nomeação de um novo juiz feita por Obama. Tendo isso em vista, as decisões das esferas inferiores ficam valendo e a minirreforma imigratória é bloqueada. O programa de Obama, instituído através de uma Ordem Executiva, seria composto de duas fases elaboradas para aliviar as políticas de deportação de imigrantes ilegais no país. A decisão traz novamente à tona o debate quanto às políticas de imigração estadunidenses, constantemente tratadas nas campanhas presidenciais de Hillary Clinton e Donald Trump.

Sede da Suprema Corte dos EUA. Foto: n.i.

Ministro do GSI comenta reestruturação da ABIN


Em 8 de junho, Sérgio Etchegoyen, ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo interino de Michel Temer, realizou uma visita à Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Durante as conversas com o Diretor-Geral e os demais servidores da agência, delimitou três pontos centrais para a consolidação institucional da ABIN: a formação de um marco legal no Congresso, o orçamento da agência e as carreiras na área de inteligência. Além disso, apresentou a possibilidade de expansão do número de adidâncias e a criação de novos postos de inteligência no mundo.

Foto: G1 via Cruz Alta Online.

Governo interino do Brasil cogita abandonar 34 organizações internacionais


O Ministério do Planejamento do governo interino cogita a saída do Brasil de 34 organizações internacionais, dentre as quais destacam-se seis instituições do Mercosul e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO). A potencial saída é resultado da vontade do governo interino brasileiro de reduzir a sua dívida frente a diversas instituições internacionais — estimada em 3 bilhões de reais. Apesar disso, a ação seria acompanhada de expressivos custos diplomáticos, tanto pela desvalorização interna do Ministério das Relações Exteriores, quanto pela redução da atuação internacional do Brasil em alguns órgãos com temáticas específicas. A decisão ainda deve ser avaliada pelo Itamaraty.

Imagem: n.i.

Conselho de Segurança da ONU condena ataques ligados à orientação sexual


Na última segunda-feira (13/06), o Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou uma declaração histórica, condenando ataques que “tenham determinadas pessoas como alvo em função de suas orientações sexuais”. Essa ação representa uma alteração na diplomacia global, tradicionalmente alheia a questões de orientação sexual. A homossexualidade permanece sendo um crime em 73 dos 193 países reconhecidos pela ONU, havendo uma grande dificuldade para tornar o tópico parte da agenda internacional. A despeito disso, algumas iniciativas recentes, como a adoção de uma resolução condenando a discriminação baseada em orientação sexual ou identidade de gênero pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, tem gradualmente movido o assunto para discussão entre os Estados.

Foto: Jagadeesh Nv / EPA.

Redistribuição de vagas universitárias gera protestos na China


O Ministério da Educação da China anunciou uma iniciativa de redistribuição de vagas em universidades de alta qualidade para estudantes de províncias pouco desenvolvidas. Aproximadamente 140.000 vagas seriam reservadas para esses estudantes. A iniciativa faz parte da política mais ampla do “Sonho Chinês” de Xi Jinping, que aborda o desenvolvimento como resultado da diminuição de desigualdades sociais, para a qual o acesso à educação teria um papel essencial. No entanto, o projeto tem gerado insatisfação nas classes média e média-alta das províncias mais ricas do país, gerando inclusive protestos em grandes centros urbanos.

Foto: Financial Times.

Celso Amorim comenta política externa de José Serra


Em entrevista ao DW, o ex-ministro das Relações Exteriores e ex-ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, comentou a política externa de José Serra, atual ministro das Relações Exteriores do governo interino de Michel Temer. Para Amorim, a diplomacia brasileira de Serra e Temer tende a se dedicar a ganhos de curto prazo — em detrimento dos objetivos e das estratégias de longo prazo que visam a posicionar o Brasil como uma das potências mundiais no futuro. Como ponto central disso, aponta a busca brasileira por um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.  Ademais, comenta a posição brasileira quanto à situação na Venezuela, ao Mercosul e aos BRICS, bem como a respeito de questões de política interna no Brasil.

Foto: AFP / Getty Images / E. Sa.

Hillary Clinton alcança número de delegados necessário para nomeação à presidência


A pré-candidata à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, atingiu a marca dos 2.383 delegados em seu favor — o número necessário para a sua potencial candidatura. A quantidade de delegados foi atingida após uma vitória significativa em Porto Rico somada ao apoio dos chamados “superdelegados”. No entanto, a oficialização de sua candidatura só ocorrerá na Convenção Nacional do partido em julho deste ano.

Foto: n.i.

A contradição das taxas de juros negativas


Em análise, Robert Skidelsky expõe o fenômeno monetário das chamadas taxas de juros negativas, política econômica recente em países desenvolvidos como forma de impulsionar o crescimento econômico ao desincentivar a poupança. Porém, segundo o autor, as taxas de juros negativas trazem consigo a falsa impressão de que políticas monetárias por si só são suficientes para recuperar economias em estado de depressão, enquanto que, na verdade, a única forma de garantir a circulação de “novo dinheiro” seria por meio de gastos governamentais. Portanto, em um contexto de crise e debilidade econômica, políticas monetárias não conseguiriam estimular a atividade econômica sem um envolvimento do Estado na economia.

Skidelsky. Foto: n.i.

Economistas do FMI apontam malefícios da agenda econômica neoliberal


Recentemente economistas do Fundo Monetário Internacional realizaram duras críticas à agenda econômica neoliberal, especificamente às políticas de austeridade. Apesar da predominância dessa abordagem em estudos de economia internacional, ela tem se mostrado cada vez menos eficiente para levar ao crescimento econômico sustentável pois o aumento das desigualdades sociais não é compensado pelo suposto crescimento econômico. Ademais, as políticas de austeridade que buscam diminuir o nível da dívida externa exigem o aumento dos impostos, o corte de gastos sociais ou ambas as medidas — distorcendo a atividade econômica e minando a continuidade do crescimento.

Foto: Saul Loeb / AFP.

Foto: Saul Loeb / AFP.

Parlamento alemão reconhece massacre armênio como genocídio


Na última quinta-feira (02/06), o parlamento alemão — também conhecido como Bundestag — reconheceu o massacre turco às populações armênias ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial como um ato de genocídio. A resolução gerou um deterioramento das relações diplomáticas bilaterais entre Alemanha e Turquia, já abaladas pela atual crise de refugiados. Por um lado, o governo turco respondeu fortemente alegando que a atitude do Bundestag estaria manchando a imagem do país através de decisões irresponsáveis e solicitou o retorno de seu embaixador para a realização de consultas. Por outro, o governo alemão buscou amenizar a situação, declarando que as relações bilaterais de amizade são extremamente importantes para o país.

Foto: n.i.