Think Tanks

Think Tanks: Conceito, Casos e Oportunidades no Brasil


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É crescente, no Brasil e no mundo, o interesse da sociedade acerca do papel dos Think Tanks (TTs) na promoção de ideias e no amparo de políticas públicas, sobretudo aquelas relacionadas à política externa. Nesse ponto, há certa crítica sobre o papel que essas organizações adquiriram na política norte-americana. Envolveram-se na promoção de políticas de moralidade questionável e geraram certo desconforto para a adoção do termo de forma universal. Contudo, seu papel a cumprir na sociedade e na política lhes garante potencial para superar esses desafios particulares e para serem estabelecidos de forma autóctone e soberana ao redor do mundo. No caso do Brasil, vislumbra-se um momento histórico de oportunidades para a ampliação da atuação temática e prática dessas organizações.

Think Tanks são instituições de pesquisa, análise e engajamento em políticas públicas. Além de gerarem pesquisas e análises politicamente orientadas, buscam sensibilizar a sociedade e os tomadores de decisão quanto a temas de seu interesse. São, portanto, mais do que “ThinkTanks; caracterizam-se na prática como “Think-and-Do” Tanks. Sua origem no ocidente data do século XIX, sobretudo em países de língua inglesa, onde fundações majoritariamente filantrópicas buscavam trazer respostas a problemas econômicos e sociais gerados pelo processo de crescimento do Estado e de modernização nos países em processo de industrialização. Agregava-se a isso a potencialidade decorrente de uma era progressista que trouxe a expansão das universidades e a profissionalização e complexificação do serviço público – o que deu ao conhecimento um papel central nas estruturas das sociedades modernas. Com a expansão do imperialismo e a decorrente Guerra Mundial, essas organizações da sociedade civil passavam a pensar em alternativas para o problema do expansionismo e da guerra e acabaram adquirindo circulação nos espaços de decisão governamentais.

Foi assim que no pós-Segunda Guerra Mundial presenciou-se uma expansão e concentração dos Think Tanks. Expansão, pois houve a multiplicação de grupos intelectuais e movimentos sociais que buscavam alternativas frente à crise capitalista e ao modelo de Estado que haviam levado ao confronto central. Aliado a isso estava o avanço nos métodos de pesquisa em ciências sociais – dando caráter mais explicativo, preditivo e normativo às pesquisas acadêmicas. Concentração, pois no contexto da disputa bipolar os Estados capitalistas buscavam amparar a criação de instituições de pesquisa e amparo a políticas públicas que auxiliariam na tarefa de construção de um modelo baseado na tentativa de superação do rival comunista.

Todavia, a década de 1970 trouxe à tona as inconsistências desse modelo, com a crise do Estado de bem-estar social, a ascensão de movimentos sociais de contestação nos países centrais, a desestruturação do sistema econômico de Bretton Woods e a ascensão Novos Países Industrializados, que buscam a criação de uma Nova Ordem Econômica Internacional. Foi como resposta a essas transformações estruturais que o papel dos Think Tanks assumiu uma nova forma, agora não mais como organizações filantrópicas que pensavam soluções para a crise de modernização capitalista, nem como organizações financiadas por um Estado que buscava nuclear atividades estratégicas. Eram agora grupos da sociedade civil que tinham na ideia de advocacy as bases para a defesa de temas como neoliberalismo e da superação do rival estratégico dos Estados Unidos. Foi assim que grupos neoconservadores encontraram uma forma efetiva de influenciar campanhas presidenciais e amparar políticas públicas. Concomitantemente, houve na década de 1980 uma resposta desses mesmos grupos para os debates sobre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento mediante a ampliação de agendas – agora voltadas para meio-ambiente, gênero, promoção da democracia e direitos humanos.

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