Al Nusra na Síria

EUA propõe maior cooperação com a Rússia na Síria


Obama propôs um novo acordo de cooperação militar entre Estados Unidos e Rússia para a situação na Síria. Segundo essa proposta, Washington e Moscou operariam em bombardeios aéreos conjuntos contra a Frente al-Nusrah (o braço da al-Qaeda na Síria) em troca de pressões russas pelo cessar dos bombardeios do governo sírio sobre alguns grupos rebeldes. Contudo, funcionários do corpo diplomático estadunidense e o próprio Ministro da Defesa se mostraram contrários à iniciativa, alegando que os bombardeios não enfraqueceriam a al-Nusrah e ainda beneficiariam as forças de Assad na guerra civil.

Imagem: Fotolia / viperagp.

Imagem: Fotolia / viperagp.

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EUA interrompe recrutamento de rebeldes sírios temporariamente


Os Estados Unidos anunciaram que interromperam temporariamente o recrutamento de rebeldes “moderados” para combater na Síria. Programa foi revisto após homens treinados por Washington terem fornecido equipamento estadunidense para grupos terroristas, tais como a Al Qaeda. Os EUA, porém, continuarão com o suporte às forças combatentes e com o treinamento de rebeldes já iniciado.

Foto: Getty Images.

Rússia inicia bombardeios sobre território sírio


A Rússia iniciou nesta quarta-feira (30/09) bombardeios sobre a Síria, no mesmo dia em que o Parlamento russo permitiu a atuação de suas forças no combate ao terrorismo em território sírio. A ajuda militar foi requisitada pelo governo de Bashar al-Assad para combater grupos terroristas como o “Estado Islâmico” e a Al-Nusra. Moscou ainda garantiu que não colocará suas forças para lutar em terra.

Foto: picture-alliance / dpa / A. Desinov.

Fraude em relatórios de inteligência nos EUA


Mais de 50 analistas de inteligência do Comando Central militar dos Estados Unidos denunciaram que seus relatórios sobre os grupos terroristas “Estado Islâmico” e Al-Nusra (o braço da Al-Qaeda na Síria) têm sido modificados por oficiais superiores. As alterações seriam feitas para alimentar a visão pública de que as intervenções contra os grupos estariam tendo um efeito maior e mais efetivo do que o real.

Foto: Casa Branca.

Foto: Casa Branca.

Síria acusa Turquia de fomentar terrorismo


O governo da Síria acusou na quarta-feira (29/07) a Turquia de dar suporte ao terrorismo que tem prejudicado sua estabilidade nacional. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do país enviou cartas à Secretaria-Geral e ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmando que a Turquia tem apoiado rebeldes na guerra civil no seu país nos últimos quatro anos através da proteção de terroristas filiados ao “Estado Islâmico” e à Frente Al Nusra, ramo da Al Qaeda na Síria.

Foto: AFP / Amr Radwan Al-Homsi.

Foto: AFP / Amr Radwan Al-Homsi.

Minoria drusa confronta grupo filiado a Al Qaeda na Síria


Membros da minoria drusa radicada na Síria confrontaram grupo jihadista que planejava atacar uma base militar em Sweida, no sul do país. Entre os jihadistas, apoiados pelo Ocidente, estava o grupo terrorista Al Nusra, filiado da Al Qaeda na Síria..

Membros da Frente Al-Nusra na Síria. Foto: Divulgação.

Membros da Frente Al-Nusra na Síria. Foto: Divulgação.

Rebeldes obtêm vitórias no noroeste da Síria


Forças rebeldes obtiveram importantes vitórias no noroeste da Síria e continuaram avançando nesta terça-feira (19/05), pondo pressão sobre as forças do governo do país. O presidente Bashar al-Assad afirmou que a derrota é apenas passageira e que as forças armadas do país em breve iniciariam uma contraofensiva. Dentre os grupos de insurgentes que capturaram entre outros a capital regional de Idlib estão milícias da Al-Nusra, filiada da Al-Qaeda, e grupos de rebeldes “moderados” treinados e equipados por países ocidentais.

Zona do avanço de rebeldes sírios. Mapa: The New York Times.

Zona do avanço de rebeldes sírios. Mapa: The New York Times.

Cerca de 40 capacetes azuis são sequestrados na Síria


A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou que pelo menos 43 integrantes das tropas de paz, conhecidos como capacetes azuis, foram sequestrados na quinta-feira (28/08) por um “grupo armado” nas Colinas de Golã, na Síria, e que outros 81 estão impedidos de se deslocar pela região. Segundo o Observatório Sírio para Direitos Humanos, os soldados teriam sido detidos pelo grupo jihadista Frente al Nusra, filiado à Al-Qaeda.

Foto: AFP / Getty Images.

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A vitória de Assad?


Tropas fiéis ao regime sírio reconquistam áreas dos rebeldes, e Bashar al-Assad passa a exibir confiança na vitória. Especialistas explicam por que o presidente está avançando.

Foto: picture-alliance / AP.

Foto: picture-alliance / AP.

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Governo e opositores trocam acusações sobre novo ataque químico na Síria


Governo e opositores da Síria trocaram neste sábado (12/02) acusações sobre um suposto ataque químico perpetrado na sexta-feira na cidade de Kafr Zita, na província central de Hama, que deixou 2 mortos e 100 feridos. Autoria de suposto uso de gás tóxico é desconhecida, com o governo acusando a Frente Al Nusra (grupo vinculado à Al Qaeda).

Foto: Philipp Guelland / AFP / Getty Images.

Foto: Philipp Guelland / AFP / Getty Images.

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Exército sírio toma principal bastião rebelde junto à fronteira com o Líbano


Ao entrar no quarto ano de guerra, forças do governo da Síria realizam importante avanço estratégico na fronteira com o Líbano. O exército sírio recuperou o controle total sobre a cidade de Yabrud, a qual era o principal bastião das forças rebeldes por servir de rota para provisões de recursos materiais e humanos.

Soldados sírios em Yabrud. Foto: Joseph Eid / AFP.

Soldados sírios em Yabrud. Foto: Joseph Eid / AFP.

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Vídeos sobre a Guerra na Síria


Putin afirma que a Rússia não está defendendo Assad, mas sim, o direito internacional

 

Debate sobre Guerra na Síria, no RussiaToday

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Geopolítica da guerra proxy na Síria e as disputas entre EUA e Rússia no Oriente Médio


Mundorama, 20/09/2013

A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio

 Lucas Kerr Oliveira, Pedro V. P. Brites & João Arthur S. Reis

O acordo entre Rússia e Estados Unidos para a destruição das armas químicas sírias, anunciado dia 14 de setembro, pode, ao menos por ora, impedir uma nova intervenção estadunidense no Oriente Médio. O arranjo estabelece que o regime de Bashar Al-Assad entregue seu arsenal químico para o controle internacional e que este seja destruído até a metade de 2014 (RiaNovosti, 2013). O acordo proposto pela Rússia em 09 de setembro arrefeceu a escalada da mobilização militar dos EUA. O sucesso da iniciativa diplomática russa, que em grande medida deve-se ao envio de uma esquadra com considerável poder de fogo no Mediterrâneo, pode ser considerado uma inflexão na situação regional. Ao impedir o ataque à Síria, foi freada uma tendência que se mantinha desde a queda de Kaddafi em 2011: o avanço quase sem resistência dos interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio.

A guerra na Síria teve início a partir de uma escalada de violência, que começou com os protestos de 2011, pouco depois do início da “Primavera Árabe”. A violência das manifestações aumentou progressivamente, com crescente número de mortos, à medida que rebeldes armados aproveitaram-se da situação para atacar o governo instituído. Importa destacar que a “oposição” é formada por diferentes facções de rebeldes, inclusive com rivalidades entre si. Enquanto algumas facções são essencialmente étnicas, como os curdos sírios, outras são formadas por grupos religiosos conservadores e fundamentalistas, além de grupos como o Exército Sírio Livre, que inclui desertores das forças armadas nacionais e recebem apoio turco. Bandos armados mais radicais, como a Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, recebem apoio saudita e inclui grandes contingentes de mercenários líbios e chechenos. Este é o principal indício de que realmente está em andamento uma guerra proxy de diversos atores, entre eles Arábia Saudita e Turquia, contra a Síria.

Os Estados Unidos adotaram, desde o princípio, uma postura de condenação ao regime sírio e apoio aos rebeldes. Entretanto, apesar do suporte dado pela OTAN e pela CIA aos rebeldes – via Turquia e Jordânia –, os EUA não conseguiram obter a renúncia ou a capitulação do regime de Assad (Lubold, 2013). Entretanto, em 2012, Obama afirmou que os EUA só interviriam na Síria se o regime de Assad ultrapassasse o que ele chamou de “linha vermelha”, ou seja, utilizasse armas químicas ou biológicas.

Após o incidente de 21 de agosto, em que ocorreu o uso de armas químicas, o governo americano declarou que iria intervir militarmente na Síria, à revelia do Conselho de Segurança da ONU, mesmo que a comissão das Nações Unidas não tenha conseguido identificar o autor dos ataques (ONU, 2013), O Presidente americano, porém, transferiu para o Congresso a responsabilidade final de aprovar ou não a intervenção, que, a princípio, seria uma ação limitada, restrita a alvos específicos. Apesar do apoio incondicional da França, o veto do parlamento britânico à intervenção representou um revés significativo para a estratégia dos EUA. Além disso, na cúpula do G-20 em São Petersburgo ficou evidente o relativo isolamento americano, já que boa parte dos países presentes se opôs à ação militar.

Nesse contexto, a posição russa foi a mais assertiva. O anuncio do envio de navios do Mar Negro, do Norte e do Pacífico para o Mediterrâneo leste, foi um claro sinal de que a Rússia não toleraria um ataque à Síria, tradicional aliado do país. Em 11 de setembro, havia 8 navios russos na região, enquanto os EUA, por sua vez, contavam com 6 vasos de superfície, além de uma série de bases aéreas e navais no entorno. Apesar da evidente assimetria logística em favor dos Estados Unidos, não há grande discrepância na capacidade destrutiva mútua das duas esquadras. Trata-se de uma correlação surpreendente, dada a superioridade técnica da marinha estadunidense. Esse relativo equilíbrio de forças demonstra que o projeto da US Navy, ainda da década de 1990, de privilegiar a capacidade de ataque à terra, deixou-a relativamente vulnerável diante de outra marinha de guerra (Martins, 2013). Portanto, a presença da marinha russa no Mediterrâneo não teve caráter meramente simbólico, mas sim de dissuasão efetiva, ao demonstrar a possibilidade de escalada do conflito em caso de intervenção americana.

A presença das marinhas americana e russa na região reflete a importância geoestratégica do Oriente Médio para os dois países. Os múltiplos interesses estadunidenses na região incluem, principalmente, o controle geopolítico do petróleo e a defesa de seus aliados regionais. Nas duas últimas décadas ganhou força o projeto neoconservador de remodelar o mapa do Grande Oriente Médio em bases étnico-religiosas (Peters, 2006). A iniciativa de fragmentar a maior parte dos Estados Nacionais da região através de uma guerra permanente, tudo indica, começou com a balcanização do Iraque, Líbia e Síria, sendo o Irã um dos possíveis próximos alvos. Tal projeto aproxima os interesses dos neocons estadunidenses aos dos wahhabitas sauditas, que declaram a pretensão de liderar um grande califado regional petroexportador de maioria sunita, capaz de competir com o petróleo russo. Para isso, seria preciso viabilizar uma nova rede de oleodutos alternativa ao escoamento através do Estreito de Ormuz, sob a liderança saudita.

Para a Rússia é fundamental sustentar o equilíbrio de poder no Oriente Médio, mantendo os únicos aliados que lhe restaram na região, o Irã e a Síria, onde se localiza o Porto de Tartus, a única base naval russa de águas quentes fora de seu território. A possível balcanização destes aliados não ameaça apenas os interesses russos na região, mas influencia diretamente na estabilidade do Cáucaso. Principalmente porque há muitos chechenos entre as forças rebeldes sírias, o que fortalece o movimento separatista na Chechênia e Daguestão, um claro problema de segurança nacional para a Rússia. Portanto, da perspectiva russa, combater os rebeldes sírios seria uma forma de enfraquecer os radicais chechenos baseados no exterior (Hill, 2013). Assim, compreende-se que a oposição russa à intervenção dos EUA tem motivações mais profundas do que a simples defesa de um regime aliado.

Cabe destacar que a resolução da guerra na Síria ainda parece bastante distante. Mesmo se o acordo para a retirada das armas químicas se efetivar, isso não garante a estabilização do país e nem previne uma nova futura escalada das tensões entre as potências extrarregionais. Além disso, a evolução da crise na Síria será vital para o jogo político doméstico nos Estados Unidos. Após endurecer a retórica, a despeito da oposição da opinião pública à intervenção, o governo Obama teve de recuar diante da proposta do governo Putin, o que pode emparedar ainda mais o governo democrata. Nesse sentido, as disputas internas sobre o projeto americano para o Oriente Médio, bem como a reação de Rússia e China, parecem ensejar uma instabilidade ainda maior na região nos próximos anos.

Referências Bibliográficas

BINNIE, Jeremy (2013). “Syrian militant group swears allegiance to Al-Qaeda”. IHS Jane’s Defence Weekly, 10 de abril de 2013. <http://www.janes.com/article/11900/syrian-militant-group-swears-allegiance-to-al-qaeda> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

HILL, Fiona (2013). “The Real Reason Putin Supports Assad”. Foreign Affairs, 25 de março de 2013. <http://www.foreignaffairs.com/articles/139079/fiona-hill/the-real-reason-putin-supports-assad> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

LUBOLD, Gordon (2013). “Is Anyone In Charge Of U.S. Syria Policy?Foreign Policy, 20 de junho de 2013. <http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/06/20/who_is_in_charge_of_us_syria_policy> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

MARTINS, José M. Q. (2013). Painel Síria: Escalada ou Reequilíbrio? Apresentação realizada em 12 de setembro de 2013. FCE, Ufrgs, Porto Alegre, RS.

ONU (2013). Report on the Alleged Use of Chemical Weapons in the Ghouta Area of Damascus on 21 August 2013. United Nations Mission to Investigate Allegations of the Use of Chemical Weapons in the Syrian Arab Republic. Organização das Nações Unidas. <http://www.un.org/disarmament/content/slideshow/Secretary_General_Report_of_CW_Investigation.pdf> ; Acesso em 17 de setembro de 2013.

PETERS, Ralph (2006). “Blood borders: How a better Middle East would look”. Armed Forces Journal, Junho de 2006. <http://armedforcesjournal.com/archive/issue/2006/06/toc> ; Acesso em 15 de setembro de 2013.

RIA Novosti (2013). Russia, US Agree Syria Chemical Weapons Deal in Geneva. RIA Novosti, 14 de setembro de 2013. <http://en.rian.ru/russia/20130914/183438364/Russia-US-Agree-Syria-Chemical-Weapons-Deal-in-Geneva.html> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

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Lucas Kerr de Oliveira é professor e coordenador do curso de Relações Internacionais e Integração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. Doutor em Ciência Política e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

Pedro Vinícius Pereira Brites é Diretor-Geral do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia – ISAPE. Mestrando em Estudos Estratégicos Internacionais e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.

João Arthur da Silva Reis é Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Pesquisador colaborador do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo – CEGOV-UFRGS e do ISAPE.

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Fonte:

KERR-OLIVEIRA, Lucas; BRITES, Pedro V. P. &amp; REIS, João A. S. (2013). A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio. Mundorama, 20/09/2013. Mundorama, Divulgação Científica em Relações Internacionais, ISSN 2175-2052. <http://mundorama.net/2013/09/20/a-guerra-proxy-na-siria-e-as-disputas-estrategicas-russo-estadunidenses-no-oriente-medio-por-lucas-kerr-de-oliveira-pedro-vinicius-pereira-brites-e-joao-arthur-da-silva-reis/>