Disputa entre as grandes potências

A polaridade sob a perspectiva dos conceitos operacionais: o caso do A2/AD e da Air-Sea Battle


Confira aqui a monografia do pesquisador do ISAPE, Guilherme Henrique Simionato dos Santos, sobre a relação entre os conceitos operacionais de Antiacesso e Negação de Área (A2/AD) e de Air-Sea Battle (ASB ou Batalha Aeronaval) e a polaridade no Sistema Internacional. Um dos fatores-chave para esta é a inexpugnabilidade, i.e. a capacidade de um país manter a sua soberania frente a qualquer agressão externa. O trabalho mostra que a inexpugnabilidade da China se dá através de seu processo de modernização militar focado no A2/AD, mas que, em contrapartida, os Estados Unidos desenvolveram a ASB, cujo objetivo é garantir o acesso estadunidense à região do Leste e Sudeste Asiático a despeito do A2/AD chinês. Dessa forma, a ASB seria uma estratégia não declarada de primazia, pois prega a destruição da rede de informações e de mísseis da China, negando a Pequim uma capacidade de retaliação.

Foto: Marinha dos EUA.

EUA deve remover embargo de armas para o Vietnã


Conforme matéria da revista Foreign Policy, os Estados Unidos devem remover o embargo de armas em voga contra o Vietnã desde a guerra entre os dois países, finda em 1975. Ainda que o embargo tenha se flexibilizado há dois anos para permitir a venda de armamentos relacionados à “segurança marítima”, o seu fim oficial permitiria que Hanói comprasse artigos estadunidenses de alta tecnologia tais como radares e aeronaves de monitoramento. Medida serviria para reaproximar ambos em um contexto de crescente disputa entre EUA e China no pacífico ocidental. Entretanto, ainda há forte oposição interna nos EUA, que reclamam da situação dos direitos humanos no Vietnã principalmente.

Foto: KHAM / AFP / Getty Images via Foreign Policy. 

Na Rússia, vazam planos de torpedo nuclear


Em reportagem na televisão russa, vazaram os planos secretos de construção de grandes torpedos nucleares de longo alcance da Rússia. O projeto, chamado de Status-6, não deveria ter aparecido em rede nacional, informou o governo russo. O sistema projetado seria devastador em regiões costeiras e criaria tsunamis e grandes áreas de contaminação radioativa. Suspeita-se que uma bomba de cobalto seja o conteúdo do torpedo. Analistas também acreditam que tenha sido um vazamento deliberado de informações à mídia.

Imagem: TV estatal russa.

EUA, Rússia, China e seus pivôs asiáticos


Confira aqui artigo publicado no Núcleo de Estudos e Análises Internacionais – IPRI/Unesp pela Mestranda Bruna Bosi Moreira sobre os pivots asiáticos dos Estados Unidos, Rússia e China. Nos últimos anos, as três potências têm direcionado suas atenções para a Ásia, e em especial a Ásia Central. Isso leva ao entrecruzamento das políticas externas dos países, que criam padrões de cooperação e competição, fundamentais para entender as dinâmicas regionais e globais de poder.

Mapa: n.i.

Mapa: n.i.

 

Os Bálcãs e as potências externas


Os Bálcãs são historicamente um ponto focal de disputa entre potências globais. Nos dias de hoje, no entanto, tanto o Ocidente quanto a Rússia compartilham o interesse pela estabilidade da região no sudeste europeu. Ambos vêm tentando aumentar sua influência nos Bálcãs através de investimentos e projetos de infraestrutura energética. Enquanto isso, a Turquia tenta ressurgir como ator regional de peso. Contudo, o maior desafio atual, segundo a análise, é a ameaça representada pelas disputas políticas internas de cada país balcânico, como, por exemplo, na Macedônia. Já estes tendem a continuar barganhando com as potências estrangeiras a despeito da fragilidade interna.

Mapa: Stratfor.

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Boyd e Szafranski : elementos de estudo da guerra psicológica de espectro total


Confira aqui a monografia do pesquisador do ISAPE, João Gabriel Burmann da Costa, sobre o conceito de Guerra Psicológica de Espectro Total e sua aplicação contemporânea. O trabalho estuda as ideias de John Boyd e Richard Szafranski como forma de dar subsídio para o desenvolvimento do conceito, o qual leva em consideração o uso de elementos psicológicos, cognitivos e não físicos como forma complementar e/ou substituta ao uso da força para obter os resultados desejados em uma guerra. Identifica-se a aplicação da GPET nas ações estadunidenses: a estratégia de mudança de regimes (regime change) por meio das Revoluções Coloridas seria sua forma recente. Ao fazer uso dessa estratégia, as Grandes Potências tradicionais, em especial os Estados Unidos, estariam aplicando as soluções normativas de Boyd e Szafranski que propõem a gestão do Sistema Internacional por meio de soluções simplificadoras, frente ao iminente fim do interregno unipolar.

Imagem: CNN / YouTube.

China e EUA na África


Na semana passada, visitas concomitantes a países africanos por John Kerry e Li Keqiang, respectivamente secretário de estado dos EUA e premiê da China, evidenciaram as diferenças das abordagens de Washington e Pequim para a África.

John Kerry e Li Keqiang em abril de 2014. Foto: Paul J. Richards / AFP / AP / Reuters.

John Kerry e Li Keqiang em abril de 2014. Foto: Paul J. Richards / AFP / AP / Reuters.

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Por que EUA e China devem se preocupar com potências intermediárias?


Ja Ian Chong argumenta que a reação de países que não estão na dianteria do poder mundial, i.e. potências intermediárias, a mudanças no equilíbrio de poder global podem amplificar ou moderar dilemas de segurança entre as grandes potências, podendo afetar a estabilidade regional e quiçá a sistêmica.

Charge: KAL / The Economist.

Charge: KAL / The Economist.

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Frota russa se posiciona no litoral da Síria


A Marinha russa está reunindo no mar Mediterrâneo a maior força naval desde a queda da URSS. O que poderá fazer a força operacional russa em caso de agravamento da situação?

Cruzador lançador de Misseis de Guiados Moskva em Sebastopol - foto Andrew Karpov

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Rússia envia mais navios para a costa da Síria


Reuters, 06/09/2013

 

Russia sends more naval ships to Syrian coast

By Gabriela Baczynska

MOSCOW | Fri Sep 6, 2013 10:35am EDT

(Reuters) – Russia is sending more naval vessels to the coast of Syria, state news agencies reported on Friday, in a move Moscow says will help prevent a threatened U.S. attack on its ally President Bashar al-Assad.

The Russian Defence Ministry said in late August it would carry out a routine rotation of its ships off Syria.

But local media said on Friday additional units were also on the way. Interfax news agency quoted an unnamed navy source as saying large landing ship Nikolai Filchenkov was heading for the eastern Mediterranean.

“The vessel will dock in Novorossiysk where it will take special cargo on board and head to the designated area of military service in the eastern Mediterranean,” the source said without giving more details.

RIA news agency quoted an unnamed senior navy source as saying on Friday that the frigate Smetlivy would leave for the Mediterranean on September 12-14 and the corvette Shtil and missile boat Ivanovets would approach Syria at the end of the month.

The Defence Ministry declined to comment on the reports but Deputy Defence Minister Anatoly Antonov said on Thursday the Russian navy currently had a “pretty strong group” there.

“The Russian navy does not intend to take part directly or indirectly in a possible regional conflict,” he told the state Rossiya 24 broadcaster.

“Our navy vessels are a guarantee of stability, guarantee of peace, an attempt to hold back other forces ready to start military action in the region.”

Landing ships Minsk and Novocherkassk and the reconnaissance ship Prirazovye passed through the Bosphorus on September 5. on their way to the Mediterranean and Moscow has also sent missile cruiser Moskva and destroyer Admiral Panteleyev there.

Russia has a small naval facility in the Syrian port of Tartous, its only naval base outside the former Soviet Union.

Western and Arab states seek to oust Assad, and the United States is considering military strikes to punish Damascus for its alleged use of chemical weapons.

Russia, a long-time weapons supplier to Damascus, opposes any U.S. intervention, saying it would lack a mandate from the U.N. Security Council, where Moscow has blocked Western-led attempts to increase pressure on Assad.

The West accuses Russia of protecting Assad and the dispute has overshadowed a G20 summit in St Petersburg this week.

(Editing by Andrew Roche)

http://blogs.reuters.com/fullfocus/2013/09/09/editors-choice-20/#a=1

Parlamento do Reino Unido vota contra agressão militar à Síria


Agência Estado, 29 de agosto de 2013

Parlamento britânico vota contra intervenção militar na Síria

David Cameron defendia a ação contra o regime de Assad mas disse que vai respeitar a decisão do parlamento

Fernando Nakagawa

Agência Estado

LONDRES – Os Estados Unidos perderam na noite desta quinta-feira um importante aliado para o plano de intervenção miliar na Síria. Após o Parlamento da Grã-Bretanha rejeitar a ação internacional contra o regime de Bashar Assad, o primeiro-ministro inglês David Cameron sinalizou que deve retirar o apoio à ação planejada por Washington em resposta ao suposto uso de armas químicas. “É claro para mim que o Parlamento britânico reflete a visão do povo britânico que não quer ver militares britânicos em ação”, disse Cameron.

UK House of Commons voted against military action in Syria - Foto - Reuters

Após longo e acalorado debate em uma votação com a presença do primeiro-ministro, o apoio aos EUA foi rechaçado por 285 parlamentares contra 272 que apoiaram a intervenção. Diante do placar desfavorável, Cameron reafirmou a suspeita de que Assad tenha usado armas químicas, mas disse que respeitará a decisão do Parlamento e que o governo vai agir “em conformidade” com o resultado da votação.

Parlamento do Reino Unido - UK Parliament

Na prática, a decisão dos parlamentares vai excluir o envolvimento britânico nas ações lideradas pelos Estados Unidos contra Assad. A derrota aconteceu um dia após o Reino Unido ter submetido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução que condenava a ação do governo sírio e pedia autorização para “medidas necessárias” para proteger civis.

Após a suspeita de que armas químicas mataram mais de 1.000 pessoas nos últimos dias nos arredores de Damasco, Londres foi um aliado de primeira hora à intenção de Washington de intervir militarmente contra o regime sírio. Outro aliado é a França.

A Stop the War Coalition protest at Downing St against any attack on Syria, 28 August 2013. www.stopwar.org.uk

Após a derrota, o secretário inglês de Defesa, Philip Hammond, disse que o governo Cameron estava “desapontado” com a votação e demonstrou certo constrangimento diante do prometido apoio aos EUA. Apesar disso, afirmou que o país não estará envolvido em eventuais ações militares contra o governo da Síria. “Espero que os Estados Unidos e outros países sigam olhando para respostas ao ataque químico. Eles podem ficar desapontados com o não envolvimento da Grã-Bretanha. Eu espero que a ausência da participação britânica não interrompa qualquer ação”, disse Hammond.

A derrota desta quinta-feira tem um expressivo valor simbólico: Cameron é o primeiro líder britânico em décadas que não conseguiu apoio da maioria dos parlamentares para enviar tropas em uma ação militar conjunta com os EUA. Na história recente, a oposição sempre apoiou as grandes investidas militares da Grã-Bretanha, como na Guerra das Malvinas contra a Argentina em 1982 e na Guerra do Iraque em 2003.

Acuado pela crise econômica e o avanço dos partidos de oposição – seja a esquerda Trabalhista ou partidos pequenos à direita, o primeiro-ministro Conservador pode ser considerado o grande derrotado desta quinta-feira. Enquanto o placar da votação era lido na Câmara dos Comuns, um dos parlamentares presentes à sessão gritou “renúncia” a poucos metros de David Cameron.

Fonte:  www.estadao.com.br/noticias/internacional,parlamento-britanico-vota-contra-intervencao-militar-na-siria,1069284,0.htm

  Manifestações pacifistas contra o ataque à Síria ocorreram na Inglaterra