Educação

Redistribuição de vagas universitárias gera protestos na China


O Ministério da Educação da China anunciou uma iniciativa de redistribuição de vagas em universidades de alta qualidade para estudantes de províncias pouco desenvolvidas. Aproximadamente 140.000 vagas seriam reservadas para esses estudantes. A iniciativa faz parte da política mais ampla do “Sonho Chinês” de Xi Jinping, que aborda o desenvolvimento como resultado da diminuição de desigualdades sociais, para a qual o acesso à educação teria um papel essencial. No entanto, o projeto tem gerado insatisfação nas classes média e média-alta das províncias mais ricas do país, gerando inclusive protestos em grandes centros urbanos.

Foto: Financial Times.

Chile aprova ensino universitário gratuito


Nesta quarta-feira (23/12), uma lei estabelecendo o ensino universitário gratuito foi aprovada pelo Congresso do Chile. Medida prevê englobar universidades públicas e privadas — estas se aderirem ao sistema de receber incentivos fiscais e não buscarem lucros. A lei é um importante pilar da reforma educacional da presidente Michelle Bachelet e entra em vigor a partir de 2016.

chile-ecod

Foto: Eco Desenvolvimento.

BRICS criam rede de cooperação universitária


Na semana passada (17/11), Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) criaram uma rede de cooperação educacional, a “Universidade dos BRICS”. O acordo foi assinado em Moscou e prevê intercâmbios de pós-graduação nas áreas de economia, energia, tecnologia da informação e segurança da informação, mudanças climáticas e aquecimento global, recursos hídricos e poluição ambiental e estudos sobre os BRICS.

1886190

Foto: ef / mem / oda.

Criação de rede de universidades dos BRICS será discutida em Moscou


A cúpula universitária global dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) será realizada na semana que vem, de 26 a 28 de outubro, em Moscou. Durante a reunião será discutida a criação de uma rede educacional de universidades dos BRICS, a fim de estimular trocas na área de educação e ciência com participação dos melhores estabelecimentos educacionais dos países membros do bloco. São consideradas seis áreas prioritárias: energia, tecnologias da informação, ecologia e mudanças climáticas, recursos aquáticos, poluição ambiental e Estudo dos BRICS, este que pretende incluir áreas como direito e economia. Além dos BRICS, também foram convidados representantes dos círculos científicos da Argentina, Afeganistão, Canadá, EUA, Finlândia, França, Itália, Reino Unido, Noruega e Polônia.

Foto: Sputnik News.

Nos EUA, renda familiar determina graduação mais do que boas notas


Em seu novo livro Our Kids: The American Dream in Crisis, o acadêmico estadunidense Robert Putnam demonstra que a renda familiar se tornou o fator-chave que determina a graduação de um aluno na universidade em detrimento de notas boas e do desempenho em geral. Segundo o autor, a divisão de classes é a mais importante na sociedade dos EUA e não mais a divisão racial. Desde os primeiros anos de vida, famílias com renda mais elevada tendem a passar mais tempo com seus filhos em casa, criando condições melhores para o aprendizado futuro.

Gráficos da nova divisão de classes dos EUA. Fonte: The Economist.

Nigéria é o país que mais cresce em estudantes de pós-graduação no estrangeiro


Com um grande volume de nigerianos estudando fora do país – cerca de 50 mil em 2012 -, a Nigéria é o país de origem que mais cresce em quantidade de alunos de pós-graduação enviados ao estrangeiro. Ela já é líder africana, num aumento do número de estudantes universitários que segue o alto crescimento populacional do país. O Reino Unido é um dos principais destinos dos nigerianos, recebendo cerca de um terço dos estudantes oriundos do país.

Foto: Rii Schroer / Rex Features

Foto: Rii Schroer / Rex Features

Obama quer estimular a criação de universidades públicas


Com o objetivo de diminuir o desemprego no médio prazo e de combater as disparidades de um sistema de educação pública altamente desigual, Barack Obama quer estimular a criação de universidades públicas. Isso não ocorrerá sem oposição dos republicanos, que defende mais cortes orçamentários do governo estadunidense. O tema deverá ser abordado por Obama no discurso do Estado da União, no próximo dia 20. A dívida dos estudantes do ensino superior tem sido um problema crescente no país.

Foto: Mandel Ngan / AFP

Foto: Mandel Ngan / AFP

Michel Temer representa Brasil na Cúpula Ibero-Americana


O vice-presidente Michel Temer representa o Brasil na Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que ocorre em Veracruz, México, no início desta semana. O tema da cúpula é “Educação, Inovação e Cultura”, o que traz o debate de um sistema de intercâmio entre os países ibero-americanos. Temer deverá contar a experiência brasileira com o Universidade para Todos e o Ciência sem Fronteiras.

Foto: n.i

Foto: n.i

(mais…)

O que é responsabilidade de quem na educação?


A Constituição Brasileira de 1988 define os termos do chamado “Pacto Federativo”, que determina quais são as obrigações de Municípios, Estados e Governo Federal quanto às diferentes áreas do investimento público. As responsabilidades sobre a educação estão fragmentadas entre os diferentes níveis da administração pública.

Foto: Jornal de Brasília

Foto: Jornal de Brasília

(mais…)

Banco Mundial afirma que Cuba tem melhor educação da América Latina


De acordo com relatório do Banco Mundial, educação cubana seria a única de alta qualidade na América Latina e Caribe. O relatório afirma que a maioria dos países latino-americanos sofre com uma má formação e remuneração dos professores, com a notável exceção de Cuba. O Estado caribenho investe grandes somas de seu produto em educação e assim conseguiu manter um “corpo docente de alta qualidade”.

Foto: Efe

Foto: Efe

(mais…)

UNESCO divulga relatório sobre educação nos BRICS


A UNESCO divulga relatório que sugere uma colaboração mais efetiva entre os BRICS em educação, o que pode acelerar o progresso mundial na área. Esses países provêm educação para 40% da população mundial e têm aumentado muito o acesso à educação superior. O relatório faz recomendações sobre em que frentes deveria avançar a cooperação em educação entre os países do bloco.

Foto: MRE Brasil

Foto: MRE Brasil

(mais…)

No Chile, estudantes voltam às ruas por reforma educacional


A mudança de comando no Palácio de La Moneda não diminuiu o ímpeto dos estudantes chilenos. Michelle Bachelet voltou ao poder falando em promover uma reforma educacional baseada no fortalecimento da educação pública gratuita e, nesta quinta-feira (08/05), o movimento estudantil realiza a primeira grande marcha durante o seu segundo mandato, com o objetivo de cobrar a promessa. Líder estudantil disse que marcha “não é anti-Bachelet, como também não era anti-Piñera. Somos pró-educação pública”

Foto: Reuters.

Foto: Reuters.

(mais…)

Milhares de professores saem às ruas para protestar contra reforma educacional no México


México

Milhares de professores saem às ruas para protestar contra reforma educacional no México

05 de abril de 2013 – Opera Mundi/Dodô Calixto

Milhares de professores mexicanos saíram às ruas nesta quinta-feira (04/04) para protestar contra as medidas adotadas pelo governo de Enrique Peña Nieto no âmbito da educação.

Nos estados de Guerrero e Oaxacal, alguns manifestantes ocuparam prédios de emissoras de rádio e prometem só sair quando o governo revogar mudanças feitas nas leis de ensino – promulgadas em fevereiro.

Os profissionais exigem que a reforma educativa “garanta a gratuidade do ensino mexicano”. Em nota oficial, o Sindicato dos Professores Mexicanos – um dos maiores do país com quase 1 milhão de associados – afirma que, desde a aprovação da lei, funcionários do governo têm permissão para “fazer negócios e comércio na Educação, favorecendo às elites do México”. (mais…)

Trabalhadores mexicanos da Educação marcham contra reforma


Enrique pena nieto

Trabajadores mexicanos de la Educación marchan contra reforma

05 de março de 2013 – Telesur

Para el 15 de marzo, maestros interpondrán un amparo contra las modificaciones realizadas por el Gobierno de Peña Nieto en materia educativa. Los educadores dicen estar amenazados con peder su plaza debido a las evaluaciones a la que serán sometidos tal como lo plantea la nueva ley.

Integrantes de la Coordinadora Nacional de Trabajadores de la Educación (CNTE) de México marcharán este martes para rechazar la reforma educativa y defender una enseñanza pública, laica y gratuita para el pueblo mexicano. Advierten que preparan un paro nacional indefinido.

La marcha partirá desde la plaza del Zócalo, en el centro del Distrito Federal hasta Los Pinos (sede de Gobierno). (mais…)

Censo 2011: os negros sul-africanos recebaram em 50 anos a mesma renda dos brancos


Foto: n.i.

Census 2011: 50 years for blacks to catch up

Mail & Guardian – 30/10/2012 – por Phillip de Wet

If the trends of the last decade hold true, the average black family can expect to start earning the same as the average white family after 2061.

The first flush of data from Census 2011 released by Statistics South Africa (Stats SA) on Tuesday showed a number of differences between the races, especially white and black. But none stand so stark as the inequality in education and income.

South Africa’s older white population (with a median age of 38, compared to 21 for black people) didn’t grow wealthy faster than their black counterparts over the last 10 years. In fact, quite the contrary. Black household income growth between the 2001 census and the latest version averaged 169%, compared to an increase of just 88% for white households. (mais…)

Uzbequistão e Quirguistão: Luta de etnias pelo impasse de obter educação em sua língua nativa


Foto: n.i.

Uzbek voices muted in Kyrgyzstan

Asia Times – 04/10/2012 – por RFE/RL

In June 2010, southern Kyrgyzstan erupted in violence between the Uzbek minority and Kyrgyz majority. Almost 500 people were killed, hundreds injured, and many thousands left homeless in the Osh and Jalal-Abad regions.

Most of the victims were ethnic Uzbeks and many members of the minority have since been tried and sentenced to long prison terms over the violence. Critics have attacked the government’s failure to provide equal justice for the Uzbek minority. (mais…)

O posicionamento dos candidatos à presidência no México em diversas questões


Factbox: Mexican presidential candidates on the issues

Reuters / David Alire Garcia, Ioan Grillo, Mica Rosenberg, Dave Graham, Tomas Sarmiento – 28/03/2012

On July 1, Mexican voters elect a new president faced with the challenge of controlling drug violence and boosting an economy that is failing to create enough jobs to meet the demands of a growing population.

The law bars President Felipe Calderon from seeking a second six-year term, and the contest is being fought chiefly by three candidates: front-runner Enrique Pena Nieto of the opposition Institutional Revolutionary Party (PRI), Josefina Vazquez Mota of Calderon’s conservative National Action Party (PAN) and the 2006 runner-up, leftist Andres Manuel Lopez Obrador.

Following are details of their respective positions on the main policy issues. (mais…)

Mercadante cobra 30% dos royalties do pré-sal para educação


Foto por: Geraldo Magela/Agência Senado /Divulgação

Mercadante cobra 30% dos royalties do pré-sal para educação

Terra – 29/02/2012

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou nesta quarta-feira durante reunião da Comissão de Educação do Senado Federal que o Brasil precisa de um “grande pacto em defesa da educação”, com a garantia de aplicação no setor ao menos 30% dos royalties obtidos com a exploração do petróleo da camada do pré-sal durante ao menos uma década. As informações são da Agência Senado.

“Se aprovarmos o projeto de distribuição dos royalties como está, vamos pulverizar esses recursos. O que vamos ter no futuro, depois que acabar o petróleo? Ou vamos nos acomodar por 20 anos com essas receitas? Temos de pensar o Brasil sem o pré-sal. E o Brasil só se sustentará como País desenvolvido com educação, ciência e tecnologia”, disse o ministro.

Durante a audiência presidida pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), o ministro informou como pretende colocar em prática, ao longo de sua gestão, as metas do Plano Nacional de Educação para o período de 2011 a 2020, ainda sob análise da Câmara dos Deputados. Inicialmente, ele destacou o compromisso do governo com a construção, até 2014, de seis mil creches e pré-escolas. Segundo ele, com isso será possível que um maior número de estudantes chegue ao ensino fundamental “em melhores condições para a alfabetização”. Mercadante ainda afirmou que o grande problema do ensino fundamental é a defasagem entre a idade do aluno e a série em que ele se encontra. Atualmente, 15,2% das crianças com 8 anos ainda não são alfabetizadas, com consequências sobre o aprendizado dos anos seguintes. Para resolver essa questão, ele anunciou a adoção do programa Alfabetização na Idade Certa. (mais…)

Brasil e China discutirão relação para os próximos dez anos


Brasil e China discutirão relação para os próximos dez anos

Correio do Brasil – 07/02/2012

Na última sexta-feira  a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível (Cosban) se reunirá com um dos mais influentes dirigentes da China, o vice-primeiro-ministro Wang Qishan. Brasil e China vão discutir um plano para orientar a relação dos dois países nos próximos dez anos.

A Cosban, criada para garantir fôlego às conversas dos dois países e evitar que sejam abafadas pelos atritos comerciais, tem 11 subcomissões distintas, que tratam de temas como finanças, comércio, cooperação espacial, agricultura e educação.

Algumas dessas comissões não conseguiram sequer se reunir, como a de cultura. Outras avançaram, como a de educação, que pode levar ao envio de estudantes brasileiros aos centros tecnológicos chineses, e a de finanças, que abençoa a cooperação entre a BM&F Bovespa com a bolsa de Xangai.

Na sexta-feira, Dilma reuniu seus ministros com interesses nas 11 subcomissões da Cosban, para decidir o que será prioritário e o que nem entrará nas conversas com a missão liderada por Wang Qishan, a ” pessoa a quem os líderes chineses recorrem para entender os mercados e a economia global”, nas palavras do ex-secretário do Tesouro americano Henry Paulson, ao comentar sua eleição como uma das cem pessoas mais influentes de 2009, pela revista Time (esse detalhe faz parte das instruções para a Cosban recebidas pelos integrantes do governo brasileiro). (mais…)

Desenvolvimento do país depende da educação, afirma presidenta Dilma


Desenvolvimento do país depende da educação, diz presidenta

Correio do Brasil – 16/01/2012

A presidenta Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que o desenvolvimento do país depende da educação. No programa semanal Café com a Presidenta, ela destacou a democratização do acesso ao ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e do Programa Universidade para Todos (Prouni). Juntas, as iniciativas contabilizam mais de 300 mil vagas abertas desde o início do ano.

– O desenvolvimento do país depende da educação e por isso esses programas são tão importantes, são tão estratégicos para o jovem, para a sua família e, sobretudo, para o Brasil, disse. “Nossa intenção é garantir a todos os jovens que queiram frequentar a universidade uma chance, uma oportunidade”, completou.

Dilma lembrou que o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) permite que o estudante financie até 100% da mensalidade, com juros de 3,4% ao ano. O programa prevê ainda que o aluno só comece a pagar o empréstimo um ano e meio após o término da faculdade. O prazo é três vezes mais que a duração do curso.

Além disso, segundo a presidenta, jovens que optarem por cursos de licenciatura ou de medicina e que forem trabalhar dando aulas em escolas públicas ou atendendo pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em locais em que há carência de médicos poderão ter o débito do Fies reduzido. (mais…)

Para UNE, destino de 50% do pré-sal para educação é uma conquista nacional


Para UNE, destino de 50% do pré-sal para educação é uma conquista nacional

Jornal da Ciência / Viviane Monteiro – 23/01/2012

Pela primeira vez a educação pública brasileira pode ser beneficiada com investimentos fixos, independentemente de mudanças de partido político no governo, se avançar a tramitação da proposta que destina 50% dos recursos do petróleo da camada pré-sal para Educação. A opinião é do presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Illescu. “Essa será uma conquista nacional. Eis o olhar da UNE sobre essa proposta”, disse.

Para ele, a garantia desses recursos para Educação é uma “estratégia consistente para que os investimentos nessa área alcancem 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos. “A estratégia por si só não chega a isso, mas seu peso proporcional é consistente para aumentar os recursos para Educação”, analisou.

Política de Estado para Educação – Illescu acredita que a educação pública passará a ter uma política de Estado se avançar a tramitação do Projeto de Lei do Senado Federal, de nº 138/11 – em que estabelece 50% dos recursos do Fundo Social para Educação -, nos poderes Legislativo e Executivo. Ou seja, os investimentos para educação devem ser garantidos mesmo com alternâncias políticas no governo.

Pela proposta recém-aprovada na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CEC), do total de 50% do Fundo Social, 70% serão vinculados à educação pública básica, 20% à educação pública superior e 10% para ciência e tecnologia. “Essa proposta confere uma política de Estado à Educação. É muito importante utilizar a riqueza do povo brasileiro para melhorar o investimento nessas áreas”, disse.

Ele reconhece, entretanto, ser cedo para mensurar os verdadeiros resultados que devem ser confirmado apenas em longo prazo – a partir do momento em que o petróleo do pré-sal começar a ser explorado, por volta de 2015. (mais…)

Pré-Sal deve financiar fundo de educação, defende economista


Maria da Conceição Tavares

Carta Maior / para Maria Inês Nassif – 01/12/2011

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares defende que o dinheiro do petróleo das reservas do pré-sal seja investido num fundo destinado à Educação e Saúde, mas desde que o governo federal seja o gestor dessas políticas. Ela propõe ainda uma revisão do generoso municipalismo instituído pela Constituição de 1988. “Veja o que os municípios que ganharam royalties fizeram com o dinheiro. Nada”, afirma.

A economista Maria da Conceição Tavares tem 81 anos e adquiriu o direito de falar tudo o que pensa. E está longe de fazer isso com moderação. Na última segunda, em seminário promovido pelas fundações Perseu Abramo, do PT, Leonel Brizola, do PDT, Maurício Grabois, do PCdoB e João Mangabeira, do PSB, ela estava na primeira mesa, debatendo a crise mundial e os caminhos para o Brasil nesse momento histórico conturbado, que atingiu em cheio os países mais ricos. Com um pequeno intervalo para o almoço, foi para a primeira fila da plateia, com direito a intervir quando achava necessário nas exposições dos que a sucederam – muitos deles, seus ex-alunos na Unicamp, como Ricardo Carneiro e Marcio Pochmann.

Não é incomum, todavia, que esteja dialogando com ex-alunos, corrigindo-os ou emitindo juízos de valor sobre eles. A presidenda Dilma Rousseff também passou pelos bancos da Unicamp. “Foi uma aluna brilhante”, comentou no intervalo do evento, em uma entrevista exclusiva à Carta Maior.

Conceição, de origem portuguesa mas brasileiríssima, traz de Portugal o sotaque, ao qual incorporou a informalidade brasileira. Nesse arranjo linguístico, moldou uma linguagem dramática, onde os palavrões são imprescindíveis para fazer o interlocutor entender a gravidade do que está falando. Foi no estilo Conceição que falou à Carta Maior, sem evitar qualquer tipo de controvérsia.

“Deus me livre do Pré-Sal”, disse, no seminário. E depois explicou: os países exportadores de petróleo acharam que estavam deitados em “berço esplêndido” e não fizeram mais nada. Como na Venezuela. “O homem que está lá [Hugo Chávez] fez um pouco de política social, mas nenhuma política de desenvolvimento econômico”. Defende que o dinheiro do petróleo seja investido num fundo destinado à Educação e Saúde, mas desde que o governo federal seja o gestor dessas políticas. Aliás, ela propõe uma revisão do generoso municipalismo instituído pela Constituição de 1988, uma vitória das esquerdas que brigaram pelo fortalecimento de outras instâncias federativas por acharem que esse era um antídoto à tradição antidemocrática do Estado brasileiro. “Veja o que os municípios que ganharam royalties fizeram com o dinheiro. Nada.”

Petista desde sempre, a economista afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi bom nas políticas sociais que empreendeu em seu mandato, na política de relações exteriores e exerceu o poder dentro de uma fortet noção de soberania, mas não foi nada bom na economia. No começo, diz ela, Lula não tinha outra alernativa a não ser fazer uma política econômica ortodoxa. Mas depois “deu muita confiança para o Palocci e para aquele presidente do Banco Central”. Dilma ganha nessa, porque tem uma equipe melhor e sabe o que está fazendo. Conceição também faz menção especial às “mulheres do Planejamento” — não apenas à ministra Deise Hoffman, mas a subsecretárias que, na sua visão, são “mulhres duras”. Abaixo, a íntegra da entrevista da economista à Carta Maior.

CARTA MAIOR: Na sua exposição, a senhora disse que `Deus me livre do Pré-Sal’. Por que o Pré-Sal pode ser tão ruim?

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES: País exportador de petróleo é um desastre total. Nenhum país que fez isso deu certo. Os países exportadores de petróleo se deram mal completamente. Veja México, Rússia e Venezuela. O petróleo é uma commmoditie muito instável, muito sujeita a especulações no mercado futuro. E como é muito lucrativo, o país reinveste e não faz mais nada, senão petróleo. Veja, por exemplo, a Venezuela. O homem que está lá [Hugo Chávez] há tantos anos, o que ele fez? Um pouco de política social, mas nenhuma política de desenvolvimento econômico. E a Rússia, tem o quê? Tem petróleo e armas — e isso não é muito legal.

Não estou dizendo que não se exporte petróleo, mas que não se fique nadando na riqueza petrolífera e que não deite em cima dela. Não acho que é um berço esplêndido. Não se pode deixar o petróleo contaminar as expectativas. O pessoal começa só a pensar em petróleo e não faz mais nada.

CARTA MAIOR: Não achar que é a loteria, né?

CONCEIÇÃO: Todos os países que têm petróleo acharam que ganharam a loteria.

CARTA MAIOR: Como se faz para prevenir isso?

CONCEIÇÃO: Primeiro, não exportando apenas o petróleo bruto. Tem que fazer a cadeia toda: petroquímica, fertilizantes etc. E, ao mesmo tempo, fazer um fundo federal de petróleo para dar conta pelo menos da Educação e Saúde — e talvez Ciência e Tecnologia. Mas não se pode polvilhar o fundo. Não adianta ficar picando o fundo porque isso não resolve nada.

CARTA MAIOR: A briga federativa em torno do Pré-Sal, então, não é boa.

CONCEIÇÃO: Não, não é boa, simplesmente porque espatifa os recursos.

CARTA MAIOR: Os Estados impõem dificuldades a uma política nacional de desenvolvimento?

CONCEIÇÃO: Impõem, mas não podem impor. A Petrobras é uma empresa estatal, federal, e o governo federal não pode topar e permitir que cada um faça o que lhe dá na telha. Não dá para disputar os recursos todos. Isso não vai adiantar nada. O que a gente faz com o dinheiro dos royalties aqui [no Rio]? Nada. O que as prefeituras com recursos do petróleo fizeram? Nada. Jogam fora os recursos em gastos correntes e ninguém sabe no quê. Não deram prioridade à Educação ou à Saúde. Espatifar o fundo não pode. O fundo é federal, e os Estados e Municípios não dão conta de fazer nada. É preciso que se faça políticas federais de Educação e Saúde, agora mais orientadas estrategicamente. Senão não resolvemos essa brecha maldita que temos aí.

CARTA MAIOR: Os Estados e os municípios fracassaram como agentes de políticas de Educação e Saúde?

CONCEIÇÃO: Fracassaram. Os caras não pagam nada. Essa é uma ideia que veio erradamente, de que a descentralização melhorava a democracia. A esquerda tinha aquela ideia maluca de que um governo federal forte era coisa da ditadura, e quis desmontá-lo. E daí a descentralização.Mas a realidade é que o município não consegue gastar nem o que devria gastar nessas políticas. O estado em que se encontra nossa Saúde é uma vergonha. É uma vergonha o Estado em que estão nossos hospitais. Os Estados pegaram os hospitais federais e teve que voltar a ajudá-los, serão seria um descalabro. Tem que dar uma ajeitada na governabilidade, na gestão, na orientação estratégica do SUS e da Eucação. Essa ideia de que o ensino fundamental e o secundário não dizem respeito ao governo federal é uma besteira. Os Estados e municípios sequer pagam nem aos professores, e a primeira política para melhorar a educação é pagar bem osprofessores. Treiná-los e pagá-los bem.

CARTA MAIOR: O governo federal desempenharia melhor essa função?

CONCEIÇÃO: Mas é evidente. Os programas estaduais e municipais de saúde não prestam para nada. É fundamental que a Saúde não seja estadualizada ou municipalizada. Pelo menos os hospitais de referência e as redes integradas de Saúde não podem depender dos prefeitos.

CARTA MAIOR: E a política de desenvolvimento e industrialização, como se faz?

CONCEIÇÃO: Tem que fazer um monte de coisas. Tem que fazer Ciência e Tecnologia, tem que fazer o PAC, que é o programa de infraestrutura, mas com encomendas do setor público para integrar as cadeias. Tem que forçar a barra em cima das multinacionais automobilísticas, de eletroeletricos, fármacos e química fina para que aumentem o coeficiente de nacionalização, que está muito baixo. E tem que olhar um pouco esse câmbio, que está muito ruim. Mas tem que olhar o câmbio com cuidado. Não se pode simplesmente fazer uma maxidesvalorização, pois isso seria provocar um choque inflacionário. Isso tem que ser progressivo: você baixa os juros e o câmbio vai subindo.

CARTA MAIOR: Existe um piso para os juros? É possível reduzir muito os juros com a poupança indexada?

CONCEIÇÃO: Pode baixar os juros o tanto que você quiser. O juro não é para a poupança, mas para a especulação e para o rentismo. A poupança é para os pobres. Não é possível manter uma taxa de juros tão disparatada quanto a nossa.Assim é impraticável. Uma maneira de combater o défici público é baixar os juros. Praticamente todo o déficit do Brasil é com juros. Nós temos superávit primário. O déficit nominal é todo resultante de juros. Tem que baixar. Estamos numa situação de ampla liquidez mundial e com taxas de juros mundiais praticamente a zero.

CARTA MAIOR: Que chances o Brasil tem de sair melhor dessa crise mundial?

CONCEIÇÃO: Boas. Essa crise tem uma coisa ruim, talvez seja mais pesada porque é mais prolongada. Mas temos um mercado interno grande em crescimento, o governo está fazendo uma política correta de salário mínimo, porque ela tem puxado os de baixo. As chamadas novas classes médias resultam do fato de que o grosso das remunerações dos salários no país estão em torno do mínimo. No governo Lula, houve um aumento de 60% no mínimo, o que resultou num aumento cavalar do poder de compra.

O poder aquisitivo do salário mínimo tem que ser mantido. Não me venham com essa história de que a Previdência vai ter problemas, porque isso é bobagem. A Previdência vai ter problemas quando terminar a folga demográfica, o que vai acontecer só daqui a 10, 18 anos. Esse é um problema da distribuição de renda que é muito importante para o desenvolvimento.

CARTA MAIOR: E a balança comercial?

CONCEIÇÃO: Tem que forçar a barra das multinacionais. Elas estão abindo e importando. Claro que também tem o câmbio, que precisa ser mexido, mas isso não basta. Como eles estão mal, em crise, querem exportar para cima da gente. Daí começa uma invasão de importados que pode piorar o mercado. O cenário externo, desse ponto de vista, pode piorar a situação externa. A gente tem que ficar atento. E tem que estimular o investimento privado na cadeia produtiva porque o investimento público está indo bem.

CARTA MAIOR: O período que o país está vivendo tem paralelo em nossa história?

CONCEIÇÃO: Não tem nada parecido com isso, pois passamos anos e anos, antes disso, em hiperinflação.

CARTA MAIOR: Qual a avaliação que a senhora faz do governo Dilma?

CONCEIÇÃO: O Lula, no começo de seu governo, dadas as condições do país, foi de fato obrigado a fazer uma política econômica ortodoxa, mas depois ele deu uma confiança muito grande para o Palocci e aquele cara do Banco Central, que era um conservador de marca maior. Aí ele fez mal. Lula é muito bom para a política social, para a política externa, na ideia de soberania, mas essa coisa de economia ele não dá muita bola. A Dilma tem uma boa equipe econômica, inclusive as mulheres do Planejamento – aquelas mulheres são duras pra burro. Elas é que estão tocando a braços o PAC. Tem uma quantidade de mulheres duras nas subsecretrias que eu vou falar.

CARTA MAIOR: Na economia, então, Dilma está ganhando?

CONCEIÇÃO: Existe mais capacidade gerencial no Ministério do Planejamento e maior preocupação em fazer uma macroeconomia mais favorável ao crescimento, mais preocupação com o planejamento a longo prazo, e mais preocupação em fazer uma política econômica mais favorável ao crescimento. Essa é a diferença. O resto não tem diferença nenhuma.

CARTA MAIOR: A impressão que dá é que tem uma equipe econômica mais coesa, não é?

CONCEIÇÃO: É, pois é.

CARTA MAIOR: No governo Lula você tinha a política econômica de um lado e a política monetária de outro, é isso?

CONCEIÇÃO: É isso. Porque a presidenta é uma economista e uma gerentona. Nós temos uma presidente que é do ramo, e isso ajuda para burro. Eu sei porque ela foi minha aluna, ela é um brilho, ela é brilhantíssima. Além de ser firmona. Eu estou otimista, claro, frente à desgraça mundial. Eu posso estar nadando de braçada não estando, não é? Este ano, podemos chegar a 3% de crescimento, no ano que vem também não deve dar muito, mas você encaminhando os eixos estruturais do desenvolvimento, você tem condições de enfrentar bem a crise e ficar mais autônoma. E depois tem todos os recursos naturais, a possibilidade de fazer energia limpa etc.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19111

“Equilíbrio entre governo e mercado é sucesso no Brasil”


Equilíbrio entre governo e mercado é sucesso no Brasil, diz economista-chefe da OCDE

BBC Brasil

O italiano Pier Carlo Padoan, secretário-geral adjunto e economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), vê o Brasil como uma “história de sucesso” no contexto da crise financeira global porque soube encontrar um novo equilíbrio entre o livre mercado e a intervenção do Estado na economia.

Em entrevista à BBC Brasil, Padoan diz que o “Brasil encontrou um equilíbrio importante entre o crescimento econômico e as questões sociais” embora possa crescer mais se houver melhorias na educação e no sistema fiscal.

Ele fala também dos desafios da Europa diante da crise econômica global e diz que essa “é uma oportunidade importante para mudanças positivas” no continente. (mais…)

Itaipu vai ajudar na construção da UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana


Itaipu e PTI vão ajudar na construção da Unila

Itaipu – 05/08/2010

A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) firmou nesta quarta-feira um acordo de cooperação com a Itaipu e a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI), que a visa à prestação de assessoria técnica à Comissão de Licitação do campus da universidade, além de apoio técnico ao gerenciamento e fiscalização da obra.

Participaram da solenidade, realizada no campus provisório da Unila, no PTI, o diretor-geral brasileiro, Jorge Samek; o diretor jurídico, João Bonifácio Cabral Júnio, a diretora finaceira executiva, Margaret Mussoi Groff, o diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Miguel Friedrich; além do reitor pró-tempore da Unila, Hélgio Trindade, e o diretor-superintendente do PTI, Juan Sotuyo. Para outras informações, clique em Leia Mais.

(mais…)