Estratégia

A política externa do México de 1970 a 1994: entre o estado desenvolvimentista e o estado neoliberal


Confira aqui a monografia do pesquisador do ISAPE, Diogo Ives de Quadros, sobre a política externa mexicana entre 1970 e 1994. O trabalho usa os conceitos de paradigmas de Estado formulados por Amado Cervo para analisar a trajetória do México no período e explicar por que houve uma significativa alteração em sua política externa dos anos 70 para os 90. O Estado mexicano teria passado de desenvolvimentista para neoliberal, em grande medida, por constrangimentos econômicos criados pela reprodução do capitalismo na América Latina em combinação com decisões da elite política local. Porém, o quadro de análise proposto se mostra insuficiente para explicar as ações externas mexicanas no âmbito securitário.

Imagem: MexicoXport.

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Política de defesa no Brasil: superando as lacunas entre fins e meios


Confira aqui o artigo do pesquisador associado do ISAPE, Marco Cepik, em coautoria com Frederico Bertol a respeito da política de defesa do Brasil publicado na revista Defence Studies. O trabalho mostra que ela foi fortalecida pela Estratégia Nacional de Defesa (END) de 2008 devido à clareza dos objetivos estratégicos delineados. Superar as lacunas entre esses fins e os meios adequados de atingi-los seria um esforço contínuo em qualquer país, mas o Brasil teria intensificado suas medidas com esse intuito desde 2008, mesmo em um contexto de crises econômicas e políticas.

Foto: n.i.

A integração de infraestrutura na América do Sul: uma análise da logística e dos desafios à defesa regional


Confira aqui o artigo da pesquisadora do ISAPE, Bruna Jaeger, em coautoria com as pesquisadoras Isadora Coutinho, Naiane Cossul e Namisi de Oliveira, publicado na Revista de Estudos Internacionais sobre a integração de infraestrutura na América do Sul e seus impactos para a defesa e logística regionais. O trabalho nota que historicamente a integração infraestrutural sul-americana preocupa-se somente com efeitos comerciais e pouco com defesa e questões geopolíticas. As autoras mostram que a construção de grandes obras de energia, transportes e comunicações constitui-se em um fator significativo para aumentar as capacidades logísticas da região, formar cadeias produtivas e reduzir as assimetrias existentes, especialmente no interior da América do Sul.

Mapa: Guia Geográfico – Globo Terrestre. 

Na Rússia, vazam planos de torpedo nuclear


Em reportagem na televisão russa, vazaram os planos secretos de construção de grandes torpedos nucleares de longo alcance da Rússia. O projeto, chamado de Status-6, não deveria ter aparecido em rede nacional, informou o governo russo. O sistema projetado seria devastador em regiões costeiras e criaria tsunamis e grandes áreas de contaminação radioativa. Suspeita-se que uma bomba de cobalto seja o conteúdo do torpedo. Analistas também acreditam que tenha sido um vazamento deliberado de informações à mídia.

Imagem: TV estatal russa.

A estratégia dos Houthi contra a Arábia Saudita é a mesma do Hezbollah contra Israel?


Analistas apontam que, de acordo com os últimos acontecimentos, a estratégia dos Houthi no Iêmen é muito semelhante à utilizada pelo Hezbollah contra Israel quando este invadiu o Líbano em 2006. Ambos os grupos têm apoio do Irã e há indícios de que houve treinamento conjunto entre eles. Supõe-se que os Houthi comecem a atacar mais frequentemente o território da Arábia Saudita com mísseis para que Riade ponha fim aos bombardeios ou para forçar uma invasão terrestre, o que aumentaria significativamente os custos dos sauditas. Dessa forma, o “modelo de resistência” do Hezbollah, combinando técnicas de guerrilha a ataques com mísseis, poderia vir a sacramentar a vitória dos rebeldes iemenitas ao criar um atoleiro para a Arábia Saudita.

Foto: Mohammed Huwais, AFP, Getty Images.

Foto: Mohammed Huwais, AFP, Getty Images.

Boyd e Szafranski : elementos de estudo da guerra psicológica de espectro total


Confira aqui a monografia do pesquisador do ISAPE, João Gabriel Burmann da Costa, sobre o conceito de Guerra Psicológica de Espectro Total e sua aplicação contemporânea. O trabalho estuda as ideias de John Boyd e Richard Szafranski como forma de dar subsídio para o desenvolvimento do conceito, o qual leva em consideração o uso de elementos psicológicos, cognitivos e não físicos como forma complementar e/ou substituta ao uso da força para obter os resultados desejados em uma guerra. Identifica-se a aplicação da GPET nas ações estadunidenses: a estratégia de mudança de regimes (regime change) por meio das Revoluções Coloridas seria sua forma recente. Ao fazer uso dessa estratégia, as Grandes Potências tradicionais, em especial os Estados Unidos, estariam aplicando as soluções normativas de Boyd e Szafranski que propõem a gestão do Sistema Internacional por meio de soluções simplificadoras, frente ao iminente fim do interregno unipolar.

Imagem: CNN / YouTube.

Integração infraestrutural sul-americana: impactos sobre a estratégia e a geopolítica regional


Confira aqui a monografia da pesquisadora do ISAPE, Bruna Jaeger, sobre a integração infraestrutural sul-americana. O trabalho trata dos efeitos dessa integração sobre a estratégia e a geopolítica regional e mostra que a promoção de infraestrutura integrada na América do Sul é um importante fator para garantir maior segurança e capacidades de defesa no continente, bem como para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico e aumentar a presença do Estado em regiões isoladas.

 Estados Unidos, Venezuela e Paraguai na Geopolítica da América do Sul

Imagem: n.i.

A evoução da estratégia turca para a Síria


A estratégia do presidente turco Recep Tayyip Erdogan na crise síria evoluiu em várias direções desde 2011. No princípio, Erdogan apoiou o regime de Assad, para depois combatê-lo ao cooperar com rebeldes como o Exército Livre da Síria. Aaron Stein analisa essa evolução, que configurou-se como uma sucessão de tentativas fracassadas de garantir os interesses turcos no território sírio, que geravam um reposicionamento de Ancara. Stein relata que, em dado momento, Erdogan chegou a apoiar a Frente Al-Nusra, grupo relacionado à Al-Qaeda e que hoje luta lado a lado com o “Estado Islâmico”.

Recep Tayyip Erdogan Foto: Umit Bektas / Courtesy Reuters

Recep Tayyip Erdogan
Foto: Umit Bektas / Courtesy Reuters

Guantánamo na estratégia dos EUA para o Caribe


Sim Tack analisa a importância da base militar de Guantánamo para a estratégia estadunidense no Caribe no momento que o restabelecimento das relações com Cuba dão origem ao pedido do país caribenho para que o território ocupado pelos Estados Unidos seja devolvido a Havana. Fazendo uma instrutiva narrativa histórica sobre a relação da superpotência com o arquipélago caribenho, Tack mostra como o papel de Guantánamo na estratégia estadunidense evoluiu. Segundo ele, a relevância de bases como essa na América Latina se reduziu muito. Guantánamo ganhou sobrevida após os ataques de 11 de setembro, quando tornou-se uma prisão. Hoje, a carceragem é questionada por violações de direitos humanos e a não garantia de direitos jurídico fundamentais aos presos que ali estão. Barack Obama declarou em seu último discurso do Estado da União sua intenção de fechar a presídio.

Foto: Portal Vermelho

Foto: Portal Vermelho

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Rússia pode realizar exercícios militares com Brasil no futuro


Em entrevista na última segunda-feira (02/02), o ministro da defesa russo, Sergei Shoigu, afirmou que está aprimorando a comunicação com as cúpulas militares de Brasil, Coreia do Norte, Cuba e Vietnã. A iniciativa pode visar à realização de exercícios militares conjuntos entre os países. Um ex-embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia vê como pouco provável que militares russos e norte-coreanos realizem exercícios militares.

Um membro da polícia de elite russa OMON durante exercício militar em Stavropol. Foto: Eduard Korniyenko / Reuters

Um membro da polícia de elite russa OMON durante exercício militar em Stavropol.
Foto: Eduard Korniyenko / Reuters

China cria fundo bilionário para rota da seda marítima


Na segunda-feira (19/05) a China estabeleceu um fundo de 10 bilhões de yuans (cerca de 3 bilhões de reais) para financiar projetos de infraestrutura da rota da seda marítima: construção de portos e maior conectividade entre os países costeiros do Oceano Índico e do Sudeste da Ásia.

Mapa: Xinhua.

Em azul, a rota da seda marítima. Mapa: Xinhua.

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Antártida é estratégica para o país, diz comandante de navio brasileiro


No comando do navio de apoio oceanográfico Ary Rongel, o capitão-de-mar-e-guerra Sérgio Lucas conclui a última viagem logística da temporada de operações brasileiras na Antártida, um continente ainda desconhecido, porém de importância estratégica para o Brasil. Em entrevista à AFP, o comandante fala sobre sua experiência ao navegar em condições tão diferentes das encontradas no Brasil e explica que, além da relevância científica, estar presente na Antártica também garante a defesa dos interesses do País no continente gelado.

Foto: Marinha do Brasil.

Foto: Marinha do Brasil.

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Para blindar Pré-Sal, Brasil investe bilhões no controle da Amazônia azul


Governo brasileiro começa a concorrência para implantar um sistema (SisGAAz) que deve monitorar 4,5 milhões de quilômetros da costa brasileira, a chamada Amazônia Azul, com aparatos que incluem de radares a aviões não tripulados. Maior preocupação é garantir a defesa do Pré-Sal, mas também aumentar a proteção de zonas de proteção ambiental contra navios pesqueiros estrangeiros.

Foto: Thelma Amaro Vidales / Agência Petrobras.

Foto: Thelma Amaro Vidales / Agência Petrobras.

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Petróleo nas Malvinas: um problema para o Brasil?


Grandes depósitos de petróleo recém-descobertos na plataforma continental das Ilhas Malvinas pode aumentar significativamente as tensões entre Argentina e Reino Unido, e isso poderia prejudicar a estratégia brasileira de manter a estabilidade regional em seu entorno estratégico.

Imagem: MD.

Imagem: MD.

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A Rota da Seda Marítima vs. o Colar de Pérolas


Os projetos da China para uma Rota da Seda Marítima esclarece os interesses chineses em um “colar de pérolas”, i.e. a estratégia de contenção da Índia. Investimentos chineses em infraestrutura marítima serviriam para alavancar o desenvolvimento dos países envolvidos.

Mapa: Asia Times.

Mapa: Asia Times.

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Em busca de sinergia entre a Política Externa e a Política de Defesa: o caso do Gripen NG


Gripen E23 - foto SAAB

Boletim Mundorama, 06/01/2014

O resultado do FX-2 e a busca por sinergia entre a Política Externa e de Defesa

Lucas Kerr Oliveira, Giovana Esther Zucatto e Bruno Gomes Guimarães

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No dia 18 de dezembro de 2013, o Ministro da Defesa, Celso Amorim, anunciou o resultado da concorrência FX-2, com a compra de 36 caças Gripen NG da empresa sueca Saab. Tal escolha vai ao encontro das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END), de unir capacidades de defesa ao desenvolvimento da indústria nacional e regional de defesa. Produz, ainda, uma importante sinergia entre a área de Defesa e de Política Externa, apoiando a estratégia de inserção internacional mais autônoma do Brasil, que perpassa a consolidação geopolítica do processo de Integração Regional Sul-Americana e de estabilização de um mundo multipolar.

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Dentre os concorrentes do FX-2 o Gripen NG mostrou-se a aeronave mais adequada às necessidades tático-operacionais de defesa aérea brasileira. Além de ser mais barato que os concorrentes, este caça supersônico multiemprego apresenta o menor custo por hora de voo (US$ 4 mil/h). Isto porque possui uma única turbina, que apesar da grande potência, permite ao Gripen consumir menos combustível e torna sua manutenção mais rápida e econômica. Sendo mais leve e com capacidade para até sete toneladas de combustível, o avião tem 1.300 km de raio de combate plenamente armado e alcance máximo de 4.000 km (SAAB, 2011). Isto é fundamental para um país de dimensões continentais como o Brasil,  que precisa de caças capazes de sair do Planalto Central e alcançar rapidamente outras bases áreas na Amazônia ou no litoral. Capaz de patrulhar a zona do Pré-Sal, pode ameaçar uma frota inimiga no Atlântico Sul, mesmo que necessite de reabastecimento em voo na volta. Com capacidade para pousar e decolar em pistas bem pequenas, de apenas 500 metros, pode utilizar uma grande diversidade de bases para abastecimento e reparos durante operações, inclusive pistas curtas existentes na Amazônia. Isto permite distribuir os caças por diversas bases no Brasil, aumentando a capacidade operacional em todo o país.

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Gripen NG: a decisão pela autonomia tecnológica e estratégica


Gripen NG: a decisão pela autonomia tecnológica e estratégica

Lucas Kerr Oliveira, Giovana E. Zucatto, Bruno Gomes Guimarães, Pedro V. Brites, Bruna C. Jaeger

Na última quarta-feira, 18 de dezembro, o ministro da Defesa Celso Amorim e o Comandante da Força Aérea Brasileira, Juniti Sato, anunciaram a compra de 36 aeronaves Gripen NG (New Generation) da empresa sueca Saab, pondo fim à licitação FX-2. A escolha do caça vai ao encontro das indicações da Estratégia Nacional de Defesa (END), de unir capacidades críveis ao desenvolvimento da indústria nacional – e regional – de defesa. Produz, ainda, sinergia entre a área de Defesa e de Política Externa, na medida em que corrobora com a estratégia de inserção internacional mais autônoma que o Brasil vem buscando em meio ao processo de consolidação geopolítica da Integração Regional Sul-Americana e de estabilização de um mundo Multipolar.

Gripen. Foto: Saab

Foto: Saab.

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Os dois lados da ajuda dos Estados Unidos ao Egito


Apesar das críticas, Washington continua a apoiar os militares no Cairo, que derrubaram em julho um governo eleito democraticamente. Setor de armamentos americano é um dos maiores beneficiados do acordo.

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Os dois lados da ajuda dos EUA ao Egito

DW – 08/10/2013 – por Zhang Danhong

A resposta parecia ser difícil para Barack Obama. Quando foi questionado, durante entrevista na TV em agosto, sobre o porquê de Washington ainda continuar apoiando os militares no Egito, o presidente americano pareceu pesar cada frase. Ele observou que seu governo está reavaliando as relações com o Cairo e que é preciso considerar o que está nos interesses de longo prazo dos dois países.

Todo ano, 1,5 bilhão de dólares são destinados ao Egito, dos quais 1,3 bilhão vão para os militares. Depois que o Exército derrubou Mohammed Morsi da presidência, em julho de 2013, a ajuda financeira americana começou a ser alvo de críticas. Mas Washington mantém o auxílio – interrompê-lo poderia colocar em risco seus interesses de segurança na região.

Mas Obama evitou abordar um aspecto importante e menos conhecido dessa ajuda militar. O programa não tem apenas significado político: também está estreitamente ligado aos interesses na indústria bélica dos EUA, atrás da qual existe um poderoso lobby.

Aliança estratégica

O dinheiro para o Egito nunca deixa, de fato, os EUA, conforme define o acordo sobre o qual se baseia a ajuda militar. Assim que o Congresso americano aprova o pagamento, o valor é depositado numa conta no Federal Reserve (Fed, banco central), em Nova York, que repassa a verba a um fundo do Departamento do Tesouro. De lá, o dinheiro é transferido a parceiros contratuais, isto é, a empresas de material bélico e fornecedores.

Todos esses parceiros contratuais precisam ter uma base nos EUA. Em parte, há empresas multinacionais, mas que possuem subsidiárias no país. O importante é que a corporação contrate mão de obra americana. Ou seja, o dinheiro dos subsídios não flui em direção ao Cairo, mas acaba nos EUA, criando ali empregos de certa forma subsidiados pelo Estado.

A ajuda militar americana tem como fundamento o tratado de paz egípcio-israelense de 1979. O Egito, país mais populoso do mundo árabe, é um dos pilares mais importantes da política externa dos EUA no Oriente Médio – entre outras coisas devido à importância estratégica do Canal de Suez, controlado pelo Cairo.

“Em seus mais de 30 anos de história, a ajuda foi muitas vezes questionada no Congresso”, lembra Shana Marshall, cientista política do Centro de Estudos sobre o Oriente Médio da Universidade George Washington. Quando isso acontece, a indústria bélica envia uma equipe de lobistas para convencer os membros do Congresso da importância da manutenção da ajuda militar. “Eles argumentam tanto com base nos interesses de segurança quanto com uma eventual queda na produção e a perda de postos de trabalho no país, caso o programa de assistência militar seja interrompido.”

Tanques no armazém

Neste ano, um outro componente surgiu no debate político interno dos EUA. Desde o começo do ano, uma série de cortes orçamentários profundos passou a vigorar para reduzir o deficit orçamentário dos EUA. Um dos setores mais afetados é o Exército. Os cortes atingiram, entre outros, a produção de novos equipamentos militares, o que atinge a indústria de armamentos.

Para evitar que trabalhadores altamente qualificados sejam demitidos, algumas empresas têm exigido que o setor político mantenha os contratos de exportação de armas como uma espécie de “compensação”. Há controvérsias sobre até que ponto essa posição é apoiada pelo Estado.

O certo é que nem todos os equipamentos bélicos que os militares egípcios compram nos EUA com a ajuda recebida são usados realmente. “Alguns tanques que foram entregues estão esquecidos em armazéns e depósitos no Egito”, diz Jason Brownlee, cientista político da Universidade do Texas, especialista nas relações entre EUA e Egito. “Em geral, não há argumentos convincentes para se vender mais material bélico tradicional ao Egito.”

Especialistas concordam que os EUA obtêm benefícios políticos de sua parceria com o Egito. Considerando os muitos privilégios que o país tem na região, o montante da ajuda é considerado relativamente baixo. Apesar de sua grande influência, as necessidades da indústria bélica parecem ter um papel secundário na decisão sobre a manutenção da ajuda.

O que fica em aberto é o que que ocorreria se os pagamentos fossem interrompidos por razões políticas. Nos contratos que os militares egípcios têm com as empresas americanas, o governo dos EUA também aparece como signatário e garante que as armas serão compradas.

“Diante da interrupção e como compensação, as empresas de armas dos EUA que tiverem contratos muito lucrativos com o Egito provavelmente recorrerão a contratos semelhantes com outros países, como Iraque, Afeganistão, Paquistão ou Somália, por exemplo”, prevê Shana Marshall.

Na entrevista para a televisão, o autor da pergunta ficou satisfeito com a resposta evasiva de Obama. No fim de setembro, o presidente americano se pronunciou pela última vez sobre a ajuda ao Egito, em discurso perante as Nações Unidas. Ele repetiu sua afirmação de que as relações estão sendo revistas. No início de outubro, a parcela pendente para 2013 foi transferida.

Fonte: http://dw.de/p/19vlr

Conflito e Integração Regional no Leste da Ásia: a crise na península coreana e as relações entre China, Coreias e Japão


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A crise na Península Coreana, iniciada em março de 2013, após a adoção de uma nova rodada de sanções contra a Coreia do Norte, desencadeou uma escalada das tensões na região a um nível similar ao da Guerra da Coreia. Essa crise inseriu-se no processo de reformulações políticas e estratégicas por que vem passando o Leste Asiático. No âmbito político, China, Coreia do Sul e Japão passaram por processos eleitorais marcados pela vitória de grupos tradicionalmente conservadores. No âmbito estratégico, o teste nuclear norte-coreano, os exercícios militares entre Coreia do Sul e Estados Unidos e a atuação chinesa mais assertiva em busca de uma resolução pacífica do conflito denotaram o alto nível de instabilidade regional.

A crise na península coreana teve suas origens no teste nuclear realizado pela Coreia do Norte em fevereiro de 2013, o que levou a uma nova rodada de sanções por parte da ONU. As novas sanções, aliadas à suspensão da ajuda japonesa, levaram à Coreia do Norte ao limite das suas capacidades, reforçando a crise humanitária. Em março, após o início dos exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul (Exercício Key Resolve), a Coreia do Norte suspendeu o armistício que vigorava desde o final da Guerra da Coreia (1953). A partir disso, houve uma escalada acentuada das tensões, que deixou a península muito próxima de uma conflagração, em um nível de tensionamento que não ocorria desde os anos 1950. A crise deixou claro que a estabilidade regional é sensível, e que os vizinhos (Japão, Coreia do Sul e, especialmente, China), em que pesem as particularidades, buscaram preservar o equilíbrio, dado que agiram no intuito de evitar o aprofundamento das tensões.

As eleições na China, Coreia do Sul e Japão, no final de 2012, foram marcadas pela vitória dos grupos conservadores desses países. Na China, o Grupo de Xangai, representado por Xi Jinping, desbancou a Juventude do Partido Comunista, passando a ocupar a ampla maioria dos assentos no Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês. Na Coreia do Sul, único dos três países em que os conservadores já estavam no poder, Park Geun-hye, do Partido Saenuri, foi eleita para a Presidência. No Japão, utilizando-se de uma retórica anti-China, Shinzō Abe foi eleito Primeiro-Ministro, representando a volta do Partido Liberal Democrata (PLD) ao poder e um enfraquecimento do Partido Democrático do Japão (PDJ). Apesar de em um primeiro momento, essa nova onda de governos conservadores indicar um acirramento de tensões, durante a crise os governos conservadores agiram de forma prudente, e, especialmente, no caso de Xi Jinping, contribuíram para o arrefecimento das tensões.

Estes três países adquiriram um peso político e econômico crescente no cenário internacional, marcado pela ascensão do Leste Asiático, a reestruturação das dinâmicas globais e a consolidação da multipolaridade. Esta ascensão da Ásia se destaca também pela emergência do Pacífico como centro do comércio e da geopolítica global, em detrimento da estagnação relativa do Atlântico. Este processo vem favorecendo as mudanças na Política Externa estadunidense para a região da Ásia-Pacífico, marcada pelo balanceamento global, denominado como movimento de “pivô” no Pacífico. Este balanceamento tem se materializado na forma da institucionalização de uma rede de tratados entre os EUA e os governos do Leste Asiático visando ao fortalecimento estratégico da posição estadunidense no Pacífico.

As consequências da ascensão do Leste Asiático para outras regiões, como a América do Sul, também são significativas. No caso do Brasil, destaca-se que o país já vivencia os efeitos da ascensão econômica da Ásia, mas ainda não se adaptou completamente a este processo em termos político-estratégicos. A Ásia representa atualmente cerca 31% do fluxo comercial brasileiro, um aumento expressivo se considerarmos que esta região representava entre 12 e 15% da corrente comercial do Brasil nos anos 1990. Como pode ser visualizado a partir dos dados da tabela a seguir, o Leste Asiático consolidou uma posição de grande relevância comercial para o Brasil:

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Destaca-se que a China se consolidou como maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando inclusive a Argentina e os EUA como maior importador de produtos brasileiros. O Japão tornou-se o quinto maior parceiro comercial do Brasil, enquanto a Coreia do Sul passou a ocupar a sétima posição, à frente de parceiros tradicionais como a França e o Reino Unido.

Entretanto, o aumento da relevância econômica e comercial da Ásia para o Brasil é apenas uma parcela dos efeitos globais da reemergência asiática. Esse reposicionamento da Ásia afeta também as disputas políticas e estratégicas mundiais, ampliando significativamente a necessidade de se aprofundar a capacidade analítica e conjuntural dos eventos políticos domésticos dos países daquela região.

Analisando os processos políticos nos quatro países nota-se que no caso da Coreia do Sul, desde o início de 2012, a tendência foi de um enfraquecimento do partido do então Presidente Lee Myung-Bak, já que nas eleições legislativas nacionais o partido governista perdeu parte dos assentos que mantinha no legislativo, reduzindo o número de cadeiras no Plenário Nacional de 165 para 152 de um total de 300. Esse panorama sugeria que as eleições Presidenciais de dezembro seriam vencidas pela oposição progressista. No entanto,ao longo da campanha eleitoral, cresceu a aceitação pública à candidata Park Geun-hye, também do partido Saenuri, à medida que ela adotava uma retórica similar à do candidato de oposição, Moon Jae In (Partido Democrático Unido). Ou seja, os liberais acabaram aderindo ao discurso progressista de conciliação com os vizinhos do norte, de crítica às políticas de favorecimento dos grandes conglomerados sul-coreanos, os chaebols, e de fomento do crescimento equilibrado entre as diferentes regiões do país.

Nos primeiros meses de governo, Park tem se mantido afastada das principais tensões regionais. Basicamente, manteve a política do governo Lee Myung-Bak de alinhamento à política externa dos Estados Unidos para a região. Isso ficou evidente quando da crise com a Coreia do Norte, em que o governo sul-coreano deu suporte à postura estadunidense, entretanto, não tomou nenhuma atitude que promovesse a escalada das tensões. A principal preocupação sul-coreana no momento parece ser a de assegurar um bom ambiente para a economia, que não impeça o fluxo de investimentos e as exportações. Em relação à Coreia do Norte, tudo indica que a política deve se manter cautelosa, apesar de existirem tímidos sinais de aproximação, mas em um ritmo muito menos acelerado do que nos tempos da Sunshine Policy. Em relação a China e Japão, a Coreia do Sul deve continuar empreendendo sua política externa pendular para o Leste Asiático, com sua tradicional política de barganha diplomática. Nesse sentido, nota-se que a Coreia do Sul deve continuar evitando maiores aprofundamentos dos laços regionais, ao menos enquanto não alcançar uma posição mais favorecida para sua economia, especialmente para sua indústria, diante da competição face aos gigantes vizinhos. A manutenção desse perfil conservador – em termos regionais – passa pela capacidade da nova Presidente eleita de mobilizar o Congresso coreano, onde possui frágil maioria.

Desde a morte de Kim Jong-Il, a Coreia do Norte vem passando por um processo de reformulação política orientado para a realização de reformas econômicas. A escolha de Kim Jong-Un para governar o país trouxe a perspectiva de alteração dos pilares que sustentavam política e economicamente o governo de seu pai. Algumas atitudes ilustram esse novo perfil: a troca de alguns generais de alta patente e o resgate de figuras políticas com perfil reformista, que haviam, aparentemente, caído no ostracismo, como o novo premiê Pak Pong-ju. Em relatório de 2013 do Congressional Research Service, que presta consultoria ao Congresso Norte-Americano, Kim Jong-un é descrito como um reformista, cujas ações se baseiam, por um lado, na busca de afirmação política interna e, por outro, na costura de um acordo que permita a revitalização econômica do país. Os testes balísticos de abril e dezembro de 2012 e o teste nuclear de fevereiro de 2013 serviram para o novo líder se afirmar internamente e, mais uma vez, tentar restabelecer uma rodada de negociações, especialmente com os EUA. A nova rodada de sanções e o agravamento da crise humanitária que assola o país colocaram a Coreia do Norte diante de uma encruzilhada: ou se obtém um acordo de paz com os Estados Unidos¹ ou o país poderá, de fato, colapsar. Nesse sentido, o governo norte-coreano parece ter elevado as tensões ao máximo nível possível, mesmo com a possibilidade de isso conduzir a uma conflagração.

No caso do Japão pode-se observar uma polarização maior do que a experienciada pelos coreanos, quadro que tende a se aprofundar. O Partido Liberal Democrático japonês, que governou o país por mais de meio século, perdeu as eleições de 2009 para o PDJ, então liderado por Yukio Hatoyama. Hatoyama foi eleito Primeiro-Ministro com uma plataforma de defesa da distribuição de renda, de fomento às instituições democráticas, de aproximação com os vizinhos asiáticos e, especialmente, de maior autonomia na Política Externa frente aos Estados Unidos. As dificuldades para superar a crise econômica agravaram ainda mais a crise política no Japão. Após fracassar no intento de remover a base estadunidense de Futenma em Okinawa, Hatoyama renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro, em 2010, visando preservar seu projeto político progressista. Entretanto, o desastre nuclear de Fukushima agravou o quadro, que enfraqueceu o partido enormemente, com dissidentes mudando de partido ou migrando para o PLD.

Aproveitando-se dessa situação e das tensões com a China envolvendo as ilhas Senkaku/Diaoyu, o PLD adotou uma retórica extremada, utilizando-se de um discurso em tom anti-China, o que garantiu o apoio necessário para eleger seu candidato Primeiro-Ministro, Shinzō Abe. Em dezembro de 2012, nas eleições para a Câmara Baixa do Legislativo japonês, o PLD conseguiu maioria avassaladora, com 294 assentos de 480 cadeiras. Em uma coalizão com o Partido Novo Kōmeitō, o PLD terá dois terços dos votos, suficiente para vetar decisões da Câmara Alta, a Câmara dos Conselheiros, onde o PDJ ainda possui força. Com apenas 57 assentos na Câmara Baixa, o PDJ fica com apenas 3 cadeiras a mais do que o recém-criado Partido da Restauração Nacional (PRN), de cunho nacionalista radical. Uma possível aliança entre o PDJ e o PRN seria uma das poucas formas daquele partido conseguir levar adiante parte da sua plataforma política em um cenário dominado pelos liberais.

O tensionamento recente das relações sino-japonesas, decorrente das disputas territoriais marítimas reposicionou a polarização do debate político interno no Japão. A visita de Hatoyama à China, no mês de dezembro, cujo objetivo era abrandar as relações sino-japonesas, reforçou a ideia de que havia uma polarização intensa no Japão em torno da Política Externa, demonstrando que o PDJ ainda busca salvar seu projeto político regionalista para a Ásia. A crise coreana redimensionou a importância das questões regionais dentro do debate político interno. Após o início da crise coreana, as tensões entre China e Japão pelas ilhas Senkaku/Diaoyu ficaram em segundo plano. Em relação à questão coreana, a opção do Japão por suspender o auxílio alimentar à Coreia do Norte foi fundamental para desencadear o agravamento da crise humanitária e, por consequência, a escalada das tensões. No epicentro da crise, o Japão adotou medidas protetivas, como o posicionamento e ativamento dos sistemas antimísseis e, por outro lado, se distanciou do debate político acerca da crise.

A China, por sua vez, assistiu à alternância de poder representada pela saída da ala progressista de Hu Jintao, da Juventude do Partido Comunista, e a ascensão ao poder do representante da facção conservadora do partido, Xi Jinping, ligado ao Grupo de Xangai. O Grupo de Xangai é alinhado aos interesses do capital financeiro e representa, politicamente, a elite empresarial chinesa polarizada pela região de Xangai. Ao contrário da sua contraparte progressista, a Juventude do Partido Comunista ou Grupo da Harmonia, o Grupo de Xangai não se mostra interessado na distribuição mais equânime dos recursos advindos da industrialização do país, tanto em termos sociais quanto geográficos. No plano externo, defendem a manutenção do fomento das exportações, calcada na competição com os países vizinhos, vislumbrando que a relação com estes deve se focar na mera busca de vantagens comerciais para a China, em contraposição ao grupo de Hu Jintao, que pregava o aumento da margem de complementaridade com mercados vizinhos. Em discursos logo após sua posse como Secretário-Geral do Partido, Xi Jinping defendeu a continuação do modelo mais liberal de crescimento, voltado para as exportações, defendido pela facção de Xangai.

Ao longo do período, entretanto, Xi alterou sensivelmente seu discurso, passando a defender abertamente pontos presentes na plataforma da Juventude Comunista, como demonstrado por seu discurso no Fórum Boao para a Ásia de 2013, realizado em abril. Durante a crise na Península Coreana, o Presidente chinês foi um dos principais interessados em amenizar as tensões. A crise foi sintomática para a mudança da postura chinesa com relação à Coreia do Norte. Primeiramente, porque a China aprovou a rodada de sanções contra o país de Kim Jong-un. Segundo, porque condenou a postura agressiva dos antigos aliados e o que ficou nítido, inclusive, pela mobilização de forças na fronteira entre os dois países. De certo modo, pode-se dizer que Xi Jinping teve de assumir a “máscara do comando” e conduziu a China a agir enquanto potência responsável: como mediador das tensões regionais, reivindicando um comportamento moderado por parte dos países envolvidos.

Ainda, dentro do contexto chinês é importante mencionar também o resultado das eleições em Taiwan, que, mesmo não sendo um Estado independente, é carregado de importância para o contexto de política regional, especialmente devido ao sistema político-partidário autônomo. Ma Ying-jeou, do Kuomintang, foi reeleito no início de 2012. O Kuomintang sempre defendeu a existência de apenas uma China, e Ma inseriu no seu programa eleitoral a continuação da aproximação e eventual reunificação com o governo continental, em contraposição ao conservador Partido Democrático Popular, que defende a independência formal da ilha. A preferência do eleitorado pela plataforma de reunificação da China ganhou ímpeto em uma década em que predominaram governos favoráveis a projetos de Integração Regional no Leste Asiático. Ao mesmo tempo cresceu ainda mais a interdependência com a China continental, principalmente no contexto posterior à assinatura do acordo de livre comércio entre China e Taiwan, de 2010. Neste contexto de reaproximação, os governos da China e de Taiwan, inclusive, concordaram nas questões de soberania marítima contra o Japão.

As negociações entre China e Taiwan dos últimos anos envolveram basicamente a questão do futuro status da ilha, que seria similar ao de Hong Kong na atualidade, ou seja, com a manutenção de todas as prerrogativas de autonomia possíveis, exceto nas áreas de Defesa e Política Externa. Taiwan se beneficiaria da integração plena com a segunda maior economia do mundo e a China conseguiria enfim concluir seu longo processo de reunificação política.

Esta análise permite apontar alguns dos indicadores mais relevantes para a compreensão da conjuntura política da Ásia Oriental. Primeiramente, a concomitância de grupos conservadores no poder desses três países pode atrapalhar o aprofundamento da integração regional, mas, não se traduz, necessariamente, em retrocessos ou outras alterações bruscas nas linhas observadas até agora, devido à elevada interdependência econômica e comercial já alcançada entre China, Japão e Coreia do Sul. A polarização interna nos sistemas políticos dos três países dificulta uma desconstrução plena dos ímpetos integracionistas alcançados na última década. Assim, mesmo que iniciativas integracionistas não avancem significativamente, não serão totalmente inviabilizadas. Entretanto, a facilidade com que a crise na Península levou a região à beira da guerra mostra que a estabilidade regional é frágil. Ou seja, modificações bruscas num padrão de cooperação e conflito podem ocorrer inesperadamente.

O processo de integração regional no Leste Asiático pode ser considerado um processo histórico de longa duração, que apesar de oscilações entre períodos de maiores avanços ou estagnação, vem se consolidando lentamente. Apesar das rivalidades regionais ainda vigentes, os esforços políticos orientados para a cooperação regional vem se estruturando através de iniciativas como a de Chiang Mai (2000), a aproximação entre as Coreias que marcou a Sunshine Policy (1998-2008), a cooperação em bloco dos três países nas negociações com a ASEAN, que funciona efetivamente a mais de uma década, o projeto da Comunidade do Leste Asiático, lançado em 2009 nos governos de Hatoyama e Hu Jintao, ou a formalização do acordo financeiro entre China e Japão de 2011. Por outro lado, a crise na Península Coreana mostrou que a resolução da questão norte-coreana está no cerne do equilíbrio regional. Nesse sentido, a dissolução do problema coreano pode ser o elo para o avanço da integração regional ou para o definitivo acirramento das rivalidades históricas.

As eleições de 2012 não representaram, até agora, alterações fundamentais para a formulação da política externa dos países da Ásia oriental. A China firmou com o Japão, ainda em 2009, o compromisso de desnuclearizar a Península Coreana, durante encontro entre os ministros de relações exteriores. Com a mudança de governo nos dois países, este compromisso foi confirmado, mesmo diante da crise na Península Coreana e na ocasião da visita do Secretário de Estado norte-americano, John Kerry (2013). Isso demonstra a continuidade da política externa dos dois países, mesmo com a mudança de governos. Entretanto, no plano interno, as eleições representam um ponto de inflexão de tendências conservadoras.

Todavia, considerando os empecilhos para se aprofundar de forma significativa os processos de integração regional no Leste Asiático, é provável que a perspectiva de consolidação de um bloco na região continue sendo adiada, permanecendo, ao menos por enquanto, a polarização tradicional na região. Neste sentido, China, Japão e Coréia do Sul continuam sendo polos regionais de poder de relevância principalmente no contexto da Ásia Oriental, cujas rivalidades históricas continuam passíveis de manipulação e acirramento, o que não descarta possíveis escaladas de tensão entre os vizinhos asiáticos, como mostrou a recente crise.

Neste contexto, os Estados Unidos continuam sendo um ator fundamental e de grande influência nos rumos da política da Ásia-Pacífico. A atual política de contenção da China implica em fomentar as rivalidades entre os países asiáticos, incidindo diretamente sobre o perfil das relações entre a China, as Coreias e o Japão. A instabilidade na Península decorreu, em grande parte, da postura ofensiva norte-americana, exemplificada pelos testes com o bombardeiro estratégico B-2. A estratégia estadunidense acaba por interferir, também, nos rumos da política doméstica destes países, em que pese as grandes diferenças de resultados possíveis em cada um. Enquanto a China é o país menos suscetível a tais influências externas, a Coréia do Sul parece ser o país da região com menor autonomia frente às pressões estadunidenses.

Tudo indica, que a China deve se tornar uma das principais grandes potências do Sistema Internacional. Entretanto, enquanto prevalecer a instabilidade marcada por rivalidades e desconfianças na região, dificilmente a China será forte o suficiente para ser considerada um desafiante crível para o poderio estadunidense na Ásia-Pacífico. Os processos de integração regional vigentes representam, assim, uma das poucas variáveis que podem alterar esta realidade.

Por fim, nota-se que a ascensão ou reemergência da Ásia acelera o processo de reestruturação do padrão de distribuição de poder no Sistema Internacional, que se manifesta através da consolidação de um sistema mais nitidamente multipolar, o que pode ser denominado como recomposição hegemônica (MARTINS, 2013). O atual padrão de multipolaridade continua sendo bastante desigual, especialmente em termos de distribuição das capacidades estratégicas entre os diferentes polos de poder. O processo de integração regional no Leste Asiático está inserido, portanto, em um processo mais abrangente, de (re) emergência de novas potências e de mudanças na polarização sistêmica, que podem vir a alterar a polaridade do sistema internacional. Dessa forma, as respostas acerca do padrão de cooperação e conflito das relações entre a China, as Coreias e o Japão estão, em grande medida, atreladas aos desdobramentos do sistema internacional.

Notas
[1] – O acordo de paz com os Estados Unidos é premissa fundamental para que a República Democrática Popular da Coreia possa atrair investimentos externos e promover a reabertura econômica do país. Isso se deve ao Ato de Comércio com o Inimigo, que restringe transações econômicas com países em Estado de Guerra com os Estados Unidos. No caso da Coreia do Norte, desde 1953, apenas um armistício regulamenta o fim das hostilidades na Península.

Expediente | Responsáveis: Lucas Kerr de Oliveira, Pedro Vinicius Pereira Brites, Rômulo Barizon Pitt, Athos Munhoz Moreira da Silva, Bruno Magno | Pesquisadores: Bruno Gomes Guimarães, Giovana Esther Zucatto, Gustavo Feddersen, Igor Castellano da Silva, João Arthur da Silva Reis, João Gabriel Burmann da Costa, Luíza Costa Lima Correa | Colaboradores: Alexandre Arns Gonzales, Eduardo Urbanski Bueno, Thiago Borne Ferreira, Yasmin Ornelas

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A estratégia da Polônia para manter o equilíbrio de poder


Poland’s Strategy

Stratfor /By George Friedman – 28/08/2012

Polish national strategy pivots around a single, existential issue: how to preserve its national identity and independence. Located on the oft-invaded North European Plain, Poland’s existence is heavily susceptible to the moves of major Eurasian powers. Therefore, Polish history has been erratic, with Poland moving from independence — even regional dominance — to simply disappearing from the map, surviving only in language and memory before emerging once again.

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Especialistas do Pentágono acreditam que vitória sobre o Irã poderia ser obtida em 3 semanas


AFP Photo / US NAVY / Mass Communication Specialist Seaman Apprentice Karolina A. Martinez

 

Pentagon encircles Iran: Victory would take 3 weeks

Russia Today – 02/05/2012

As the US beefs up its military presence in the Persian Gulf region, Pentagon strategists estimate that they would need less than a month to defeat Iranian forces should a military conflict take place.

US Central Command (CENTCOM) believes it can destroy or significantly degrade Iran’s conventional armed forces in about three weeks using air and sea strikes, a defense source told The Washington Post.

“We plan for any eventuality we can and provide options to the president,” Army Lt. Col. T.G. Taylor, a spokesman at CENTCOM told the newspaper. “We take our guidance from the secretary of defense and from our civilian bosses in [Washington] DC. So any kind of guidance they give us, that’s what we go off of [sic].”

The American military has been building up its presence in the region amid rising tension in the area.

The US Navy currently has two aircraft carriers deployed near Iran and is upgrading mine-detection and removal capabilities.  (mais…)

Comunicado Conjunto Brasil-Índia sobre a Visita de Estado da Presidenta do Brasil à Índia


Comunicado Conjunto Brasil-Índia sobre a Visita de Estado da Presidenta da República Federativa do Brasil à Índia (na íntegra )

DefesaNET – 03/04/2012

“Sua Excelência, a Senhora Dilma Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil, realizou Visita de Estado à Índia entre 27 e 31 de março de 2012, a convite do Primeiro-Ministro da Índia,Sua Excelência Dr. Manmohan Singh. A Presidenta do Brasil e o Primeiro-Ministro da Índia encontraram-se para passar em revista temas das agendas bilateral, regional e internacional de interesse comum.

2. Durante a visita, a Presidenta do Brasil encontrou-se com a Presidenta da Índia, Sua Excelência Sra. Pratibha Devisingh Patil. Após a cerimônia de recepção em Nova Delhi, a Presidenta do Brasil visitou Rajghat para prestar homenagem à memória de Mahatma Gandhi. A Presidenta da Índia ofereceu banquete em homenagem à dignitária visitante. A Presidenta da Aliança Progressista Unida, Sra. Sonia Gandhi e a Líder da Oposição, Sra. Sushma Swaraj avistaram-se com a Presidenta do Brasil. A Universidade de Delhi outorgou o título de Doutora Honoris Causa à Presidenta do Brasil durante a visita.

3. Os seguintes atos bilaterais foram assinados durante a Visita de Estado:
– Programa de Intercâmbios Culturais para o Período 2012-2014;
– Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Educação, ao amparo do Programa brasileiro “Ciência sem Fronteiras”;
– Programa de Cooperação em Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2014;
– Memorando de Entendimento sobre Cooperação no campo da Biotecnologia;
– Memorando de Entendimento sobre Cooperação Técnica;
– Memorando de Entendimento entre o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia
(INMETRO) e o National Accreditation Board for certification Bodies (NABCB), sobre reconhecimento mútuo de órgãos de certificação.
– Declaração de Intenções sobre a promoção da igualdade de gênero e a proteção dos direitos da mulher. (mais…)

Publicada lei que cria Regime Especial Tributário para Indústria de Defesa


Publicada lei que cria Regime Especial Tributário para Indústria de Defesa

MDIC – 23/03/2012

Foi publicada hoje, no Diário Oficial da União (DOU) a Lei n° 12.598, que estabelece normas especiais para compras, contratações, produtos e sistemas de defesa pelo governo federal, e cria o Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa (Retid). Os novos critérios para compras governamentais na área de defesa e a criação do Retid faziam parte da MP n°544, aprovada em setembro de 2011, e integram o Plano Brasil Maior, lançado em agosto do ano passado.

O novo regime especial tributário prevê que as empresas enquadradas como “empresas estratégicas de defesa” terão desoneração de tributos. Está prevista a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep); e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

O texto da lei estabelece que as empresas que quiserem obter o benefício devem se credenciar no Ministério da Defesa e se habilitar na Receita Federal, além de estarem em dia com os impostos e contribuições. Há necessidade ainda de ter sede, administração e estabelecimento industrial ou prestador de serviço no Brasil; dispor de comprovado conhecimento científico ou tecnológico; e assegurar a continuidade produtiva no país. (mais…)

Em 5 anos, China amplia venda de armas em 95 por cento


Foto por: ROBERTO SIMON

Em 5 anos, China amplia venda de armas em 95 por cento

DefesaNet – 20/03/2012

A China está trocando sua condição histórica de grande importadora de armas por um lugar de destaque no ranking dos maiores fornecedores de armamento do mundo. A mudança estratégica ficou evidente em uma pesquisa divulgada ontem pelo Stockholm Institute for International Peace (Sipri), da Suécia, com dados do comércio global de armas no quinquênio de 2007-2011.

Apesar da crise financeira na Europa e nos EUA, o mercado bélico no mundo cresceu 24% nesses cinco anos, revela ainda o levantamento. A Ásia puxou o crescimento, importando 44% do armamento global.

Pequim impressiona por um movimento duplo. Na lista de maiores compradores, cedeu a liderança à Índia e passou a ocupar o quarto lugar, atrás de Coreia do Sul e Paquistão. Ao mesmo tempo, subiu rapidamente no ranking de grandes exportadores e agora ameaça roubar o quinto lugar da Grã-Bretanha.

Paul Holtom, um dos coordenadores da pesquisa, afirma que os chineses encontraram um atalho especial para avançar na lista dos grandes exportadores: a sede do Paquistão por armas. “Embora Pequim tenha vários clientes, a emergência de Islamabad como um grande importador de armamento chinês fez uma tremenda diferença”, disse Holtom ao Estado. “A China também passou a ameaçar mercados antes cativos da Rússia na África e América Latina”, completa.

A ascensão chinesa no mercado bélico, portanto, seria uma tendência estrutural e não um ponto fora da curva. “Era algo que já estávamos esperando.” Os EUA continuam como o maior exportador de armas do mundo – 30% do total. A Rússia vem depois, com 24%. (mais…)

Terras-raras: um mercado estratégico para o Brasil


Terras-raras: um mercado estratégico para o Brasil

DefesaNet, por Assessoria de Comunicação do CGEE – 15/03/2012

Um grupo seleto de 17 elementos considerados estratégicos torna-se alvo de interesse de países desenvolvidos e pode impulsionar o desenvolvimento econômico do Brasil. O grupo é conhecido como terras-raras. São elementos químicos que, conforme a pureza, têm aplicações em diversas tecnologias de ponta e são considerados ‘materiais da terceira onda’ porque têm inúmeras aplicações na indústria – entre elas metalurgia, catalisadores, vidros, energia nuclear, lâmpadas fluorescentes, refrigeradores e fibras óticas, entre outros – e na agricultura.

As terras-raras fazem parte do nosso cotidiano: estão nos aparelhos de televisão a cores, nos telefones celulares e nos aparelhos de som. Também são utilizadas em refrigeração magnética e supercondutores.

Anualmente, o consumo anual de terras-raras supera a marca de 70 mil toneladas. O valor do mercado é significativo e, de acordo com o consultor de prospecção do CGEE, Alfred Leroy Trujillo, chega a US$ 2 bilhões anuais.

A primeira grande fonte mundial desses elementos foi encontrada no Brasil. A exploração das areias monazíticas, localizadas nas praias de Cumuruxatiba-Bahia, começou em 1886, para atender à demanda por produção de mantas incandescentes de lampiões a gás.

O país foi o maior produtor mundial da indústria mineira de terras-raras até 1915, quando passou a alternar essa posição com a Índia durante 45 anos. Ainda assim, o país deixou de lado a produção dos concentrados de terras-raras em 1995, quando produziu 110 toneladas de óxidos. Hoje, a sua única usina de produção está fechada. (mais…)

A nova face da guerra no século XXI


The new face of war in the 21st century

Gulf Times / Cesar Chelala – 13/03/2012

For the past few years, there has been an explosion of ways in which countries can engage in destructive behaviour. The use of cyberspace as a tool of war has changed the nature of conventional warfare. This not only poses problems in terms of how to respond to those threats but also how to develop agreements among countries to curtail its use.

A new report prepared by US weapons manufacturer Northrop Grumman, called “Occupying the Information High Ground: Chinese Capabilities for Computer Network Operations and Cyber Espionage”,  released on March 7, 2012, alerts on the Chinese government’s integration of sophisticated network operations into a broader military and intelligence context, and the threat it represents to US economic and strategic interests.

Richard A Clarke, former counterterrorism adviser on the National Security Council, defined “cyberwarfare” in his book Cyber War as “actions by a nation state to penetrate another nation’s computers or networks for the purpose of causing damage or disruption”.

The Lipman Report, which offers insights from private sources on national security risks, warns that several sectors of the US economy are seriously endangered, including cyber threats to public and private facilities, banking and finance, education and government, and other operations which depend on computers for daily operations.  (mais…)

A Doutrina Obama


Foto pot: Ethan Miller/Getty Images

The Obama Doctrine: How the president’s drone war is backfiring

Foreign Policy / DAVID ROHDE – Março/Abril, 2012

When Barack Obama took the oath of office three years ago, no one associated the phrase “targeted killing” with his optimistic young presidency. In his inaugural address, the 47-year-old former constitutional law professor uttered the word “terror” only once. Instead, he promised to use technology to “harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories.”

Oddly, technology has enabled Obama to become something few expected: a president who has dramatically expanded the executive branch’s ability to wage high-tech clandestine war. With a determination that has surprised many, Obama has embraced the CIA, expanded its powers, and approved more targeted killings than any modern president. Over the last three years, the Obama administration has carried out at least 239 covert drone strikes, more than five times the 44 approved under George W. Bush. And after promising to make counterterrorism operations more transparent and rein in executive power, Obama has arguably done the opposite, maintaining secrecy and expanding presidential authority.

Just as importantly, the administration’s excessive use of drone attacks undercuts one of its most laudable policies: a promising new post-9/11 approach to the use of lethal American force, one of multilateralism, transparency, and narrow focus.

Obama’s willingness to deploy lethal force should have come as no surprise. In a 2002 speech, Illinois state senator Obama opposed Bush’s impending invasion of Iraq, but not all conflicts. “I don’t oppose all wars,” he said. “What I am opposed to is a dumb war.” And as president, in his December 2009 Nobel Peace Prize acceptance speech, Obama warned, “There will be times when nations — acting individually or in concert — will find the use of force not only necessary but morally justified.” Since then, he has not only sent U.S. forces into Afghanistan, Iraq, and Libya, but also repeatedly approved commando raids in Pakistan and Somalia and on the high seas, while presiding over a system that unleashed hundreds of drone strikes.

In a series of recent interviews, current and former administration officials outlined what could be called an “Obama doctrine” on the use of force. Obama’s embrace of multilateralism, drone strikes, and a light U.S. military presence in Libya, Pakistan, and Yemen, they contend, has proved more effective than Bush’s go-heavy approach in Iraq and Afghanistan. “We will use force unilaterally if necessary against direct threats to the United States,” Ben Rhodes, the administration’s deputy national security advisor for strategic communications, told me. “And we’ll use force in a very precise way.”

Crises the administration deems indirect threats to the United States — such as the uprisings in Libya and Syria — are “threats to global security,” Rhodes argued, and will be responded to multilaterally and not necessarily by force. The drawdown of U.S. troops in Iraq and Afghanistan, as well as the creation of a smaller, more agile U.S. military spread across Asia, the Pacific, and the Middle East, are also part of the doctrine. So is the discreet backing of protesters in Egypt, Iran, and Syria.

The emerging strategy — which Rhodes touted as “a far more focused approach to our adversaries” — is a welcome shift from the martial policies and bellicose rhetoric of both the Bush administration and today’s Republican presidential candidates. But Obama has granted the CIA far too much leeway in carrying out drone strikes in Pakistan and Yemen. In both countries, the strikes often appear to be backfiring.

Obama and other administration officials insist the drones are used rarely and kill few civilians. In a rare public comment on the program, the president defended the strikes in late January. “I want to make sure the people understand, actually, drones have not caused a huge number of civilian casualties,” Obama said. “For the most part, they have been very precise precision strikes against al Qaeda and their affiliates. And we are very careful in terms of how it’s been applied.”

But from Pakistan to Yemen to post-American Iraq, drones often spark deep resentment where they operate. When they do attack, they kill as brutally as any weapon of war. The administration’s practice of classifying the strikes as secret only exacerbates local anger and suspicion. Under Obama, drone strikes have become too frequent, too unilateral, and too much associated with the heavy-handed use of American power.

In 2008, I saw this firsthand. Two Afghan colleagues and I were kidnapped by the Taliban and held captive in the tribal areas of Pakistan for seven months. From the ground, drones are terrifying weapons that can be heard circling overhead for hours at a time. They are a potent, unnerving symbol of unchecked American power. At the same time, they were clearly effective, killing foreign bomb-makers and preventing Taliban fighters from gathering in large groups. The experience left me convinced that drone strikes should be carried out — but very selectively.

In the January interview, Obama insisted drone strikes were used only surgically. “It is important for everybody to understand,” he said, “that this thing is kept on a very tight leash.”

Drones, though, are in no way surgical.

IN INTERVIEWS, CURRENT AND FORMER Obama administration officials told me the president and his senior aides had been eager from the outset to differentiate their approach in Pakistan and Afghanistan from Bush’s. Unlike in Iraq, where Democrats thought the Bush administration had been too aggressive, they thought the Bush White House had not been assertive enough with Afghan and Pakistani leaders. So the new administration adopted a unilateral, get-tough approach in South Asia that would eventually spread elsewhere. As candidate Obama vowed in a 2007 speech, referring to Pakistan’s president at the time, “If we have actionable intelligence about high-value terrorist targets and President Musharraf won’t act, we will.”

In his first year in office, Obama approved two large troop surges in Afghanistan and a vast expansion of the number of CIA operatives in Pakistan. The CIA was also given more leeway in carrying out drone strikes in the country’s ungoverned tribal areas, where foreign and local militants plot attacks for Afghanistan, Pakistan, and beyond.

The decision reflected both Obama’s belief in the need to move aggressively in Pakistan and the influence of the CIA in the new administration. To a far greater extent than the Bush White House, Obama and his top aides relied on the CIA for its analysis of Pakistan, according to current and former senior administration officials. As a result, preserving the agency’s ability to carry out counterterrorism, or “CT,” operations in Pakistan became of paramount importance.

“The most important thing when it came to Pakistan was to be able to carry out drone strikes and nothing else,” said a former official who spoke on condition of anonymity. “The so-called strategic focus of the bilateral relationship was there solely to serve the CT approach.”

Initially, the CIA was right. Increased drone strikes in the tribal areas eliminated senior al Qaeda operatives in 2009. Then, in July 2010, Pakistanis working for the CIA pulled up behind a white Suzuki navigating the bustling streets of Peshawar. The car’s driver was later tracked to a large compound in the city of Abbottabad. On May 2, 2011, U.S. commandos killed Osama bin Laden there.

The U.S. intelligence presence, though, extended far beyond the hunt for bin Laden, according to former administration officials. At one point, the CIA tried to deploy hundreds of operatives across Pakistan but backed off after suspicious Pakistani officials declined to issue them visas. At the same time, the agency aggressively used the freer hand Obama had given it to launch more drone strikes than ever before.

Established by the Bush administration and Musharraf in 2004, the covert CIA drone program initially carried out only “personality” strikes against a preapproved list of senior al Qaeda members. Pakistani officials were notified before many, but not all, attacks. Between 2004 and 2007, nine such attacks were carried out in Pakistan, according to the New America Foundation.

In 2008, the Bush administration authorized less-restrictive “signature” strikes in the tribal areas. Instead of basing attacks on intelligence regarding a specific person, CIA drone operators could carry out strikes based on the behavior of people on the ground. Operators could launch a drone strike if they saw a group, for example, crossing back and forth over the Afghanistan-Pakistan border. In 2008, the Bush administration carried out 33 strikes.

Under Obama, the drone campaign has escalated rapidly. The number of strikes nearly doubled to 53 in 2009 and then doubled again to 118 in 2010. Former administration officials said the looser rules resulted in the killing of more civilians. Current administration officials insisted that Obama, in fact, tightened the rules on the use of drone strikes after taking office. They said strikes rose under Obama because improved technology and intelligence gathering created more opportunities for attacks than existed under Bush.

But as Pakistani public anger over the spiraling strikes grew, other diplomats expressed concern as well. The U.S. ambassador in Pakistan at the time, Anne Patterson, opposed several attacks, but the CIA ignored her objections. When Cameron Munter replaced Patterson in October 2010, he objected even more vigorously. On at least two occasions, CIA Director Leon Panetta dismissed Munter’s protests and launched strikes, the Wall Street Journal later reported. One strike occurred only hours after Sen. John Kerry, head of the Senate Foreign Relations Committee, had completed a visit to Islamabad.

A March 2011 strike brought the debate to the White House. A day after Pakistani officials agreed to release CIA contractor Raymond Davis, the agency — again over Munter’s objections — carried out a signature drone strike that the Pakistanis say killed four Taliban fighters and 38 civilians. Already angry about the Davis case, Pakistan’s Army chief, Gen. Ashfaq Parvez Kayani, issued an unusual public statement, saying a group of tribal elders had been “carelessly and callously targeted with complete disregard to human life.” U.S. intelligence officials dismissed the Pakistani complaints and insisted 20 militants had perished. “There’s every indication that this was a group of terrorists, not a charity car wash in the Pakistani hinterlands,” one official told the Associated Press.

Surprised by the vehemence of the official Pakistani reaction, national security advisor Tom Donilon questioned whether signature strikes were worthwhile. Critics inside and outside the U.S. government contended that a program that began as a carefully focused effort to kill senior al Qaeda leaders had morphed into a bombing campaign against low-level Taliban fighters. Some outside analysts even argued that the administration had adopted a de facto “kill not capture” policy, given its inability to close Bush’s Guantánamo Bay prison and create a new detention system.

In April 2011, the director of Pakistan’s intelligence service, Lt. Gen. Ahmed Shuja Pasha, visited Washington in an effort to repair the relationship, according to news accounts and former administration officials. Just after his visit, two more drone strikes occurred in the tribal areas, which Pasha took as a personal affront. In a rare concession, Panetta agreed to notify Pakistan’s intelligence service before the United States carried out any strike that could kill more than 20 people.

In May, after the bin Laden raid sparked further anger among Pakistani officials, Donilon launched an internal review of how drone strikes were approved, according to a former administration official. But the strikes continued. At the end of May, State Department officials were angered when three missile strikes followed Secretary of State Hillary Clinton’s visit to Pakistan.

As Donilon’s review progressed, an intense debate erupted inside the administration over the signature strikes, according to the Journal. Adm. Mike Mullen, then chairman of the Joint Chiefs of Staff, said the strikes should be more selective. Robert Gates, then the defense secretary, warned that angry Pakistani officials could cut off supplies to U.S. troops in Afghanistan. Clinton warned that too many civilian casualties could strengthen opposition to Pakistan’s weak, pro-American president, Asif Ali Zardari.

The CIA countered that Taliban fighters were legitimate targets because they carried out cross-border attacks on U.S. forces, according to the former official. In June, Obama sided with the CIA. Panetta conceded that no drone strike would be carried out when Pakistani officials visited Washington and that Clinton and Munter could object to proposed strikes. But Obama allowed the CIA director to retain final say.

Last November, the worst-case scenario that Mullen, Gates, and Clinton had warned of came to pass. After NATO airstrikes mistakenly killed 24 Pakistani soldiers on the Afghanistan-Pakistan border, Kayani demanded an end to all U.S. drone strikes and blocked supplies to U.S. troops in Afghanistan. At the same time, popular opposition to Zardari soared. After a nearly two-month lull that allowed militants to regroup, drone strikes resumed in the tribal areas this past January. But signature strikes are no longer allowed — for the time being, according to the former senior official.

Among average Pakistanis, the strikes played out disastrously. In a 2011 Pew Research Center poll, 97 percent of Pakistani respondents who knew about the attacks said American drone strikes were a “bad thing.” Seventy-three percent of Pakistanis had an unfavorable view of the United States, a 10 percentage point rise from 2008. Administration officials say the strikes are popular with Pakistanis who live in the tribal areas and have tired of brutal jihadi rule. And they contend that Pakistani government officials — while publicly criticizing the attacks — agree in private that they help combat militancy. Making the strikes more transparent could reduce public anger in other parts of Pakistan, U.S. officials concede. But they say some elements of the Pakistani government continue to request that the strikes remain covert.

For me, the bottom line is that both governments’ approaches are failing. Pakistan’s economy is dismal. Its military continues to shelter Taliban fighters it sees as proxies to thwart Indian encroachment in Afghanistan. And the percentage of Pakistanis supporting the use of the Pakistani Army to fight extremists in the tribal areas — the key to eradicating militancy — dropped from a 53 percent majority in 2009 to 37 percent last year. Pakistan is more unstable today than it was when Obama took office.

A similar dynamic is creating even worse results on the southern tip of the Arabian Peninsula. Long ignored by the United States, Yemen drew sudden attention after a suicide attack on the USS Cole killed 17 American sailors in the port of Aden in 2000. In 2002, the Bush administration carried out a single drone strike in Yemen that killed Abu Ali al-Harithi, an al Qaeda operative who was a key figure in orchestrating the Cole attack. In the years that followed, the administration shifted its attentions to Iraq, and militants began to regroup.

A failed December 2009 attempt by a militant trained in Yemen to detonate a bomb on a Detroit-bound airliner focused Obama’s attention on the country. Over the next two years, the United States carried out an estimated 20 airstrikes in Yemen, most in 2011. In addition to killing al Qaeda-linked militants, the strikes killed dozens of civilians, according to Yemenis. Instead of decimating the organization, the Obama strikes have increased the ranks of al Qaeda in the Arabian Peninsula from 300 fighters in 2009 to more than 1,000 today, according to Gregory Johnsen, a leading Yemen expert at Princeton University. In January, the group briefly seized control of Radda, a town only 100 miles from the capital, Sanaa. “I don’t believe that the U.S. has a Yemen policy,” Johnsen told me. “What the U.S. has is a counterterrorism strategy that it applies to Yemen.”

The deaths of bin Laden and many of his lieutenants are a step forward, but Pakistan and Yemen are increasingly unstable. Pakistan is a nuclear-armed country of 180 million with resilient militant networks; Yemen, an impoverished, failing state that is fast becoming a new al Qaeda stronghold. “They think they’ve won because of this approach,” the former administration official said, referring to the administration’s drone-heavy strategy. “A lot of us think there is going to be a lot bigger problems in the future.”

THE BACKLASH FROM drone strikes in the countries where they are happening is not the only worry. In the United States, civil liberties and human rights groups are increasingly concerned with the breadth of powers Obama has claimed for the executive branch as he wages a new kind of war.

In the Libya conflict, the administration invoked the drones to create a new legal precedent. Under the War Powers Resolution, the president must receive congressional authorization for military operations within 60 days. When the deadline approached in May, the administration announced that because NATO strikes and drones were carrying out the bulk of the missions, no serious threat of U.S. casualties existed and no congressional authorization was needed. “It’s changed the way politicians talk about what should be the most important thing that a nation engages in,” said Peter W. Singer, a Brookings Institution researcher. “It’s changed the way we in the public deliberate war.”

Last fall, a series of drone strikes in Yemen set another dangerous precedent, according to civil liberties and human rights groups. Without any public legal proceeding, the U.S. government executed three of its own citizens. On Sept. 30, a drone strike killed Anwar al-Awlaki, a charismatic American-born cleric of Yemeni descent credited with inspiring terrorist attacks around the world. Samir Khan, a Pakistani-American jihadist traveling with him, was killed as well. Several weeks later, another strike killed Awlaki’s 16-year-old son, Abdulrahman al-Awlaki, also a U.S. citizen. Administration officials insisted a Justice Department review had authorized the killings but declined to release the full document.

“The administration has claimed the power to carry out extrajudicial executions of Americans on the basis of evidence that is secret and is never seen by anyone,” said Jameel Jaffer, deputy legal director of the American Civil Liberties Union. “It’s hard to understand how that is consistent with the Constitution.”

After criticizing the Bush administration for keeping the details of its surveillance, interrogation, and detention practices secret, Obama is doing the same thing. His administration has declined to reveal the details of how it places people on kill lists, carries out eavesdropping in the United States, or decides whom to detain overseas. The administration is also prosecuting six former government officials on charges of leaking classified information to the media — more cases than all other administrations combined.

Administration officials deny being secretive and insist they have disclosed more information about their counterterrorism practices than the Bush administration, which fiercely resisted releasing details of its “war on terror” and established the covert drone program in Pakistan. Obama administration officials say they have established a more transparent and flexible approach outside Pakistan that involves military raids, drone strikes, and other efforts. They told me that every attack in Yemen was approved by Yemeni officials. Eventually, they hope to make drone strikes joint efforts carried out openly with local governments.

For now, keeping them covert prevents American courts from reviewing their constitutionality, according to Jaffer. He pointed out that if a Republican president followed such policies, the outcry on the left would be deafening. “You have to remember that this authority is going to be used by the next administration and the next administration after that,” Jaffer said. “You need to make sure there are clear limits on what is really unparalleled power.”

TO THEIR CREDIT, Obama and his senior officials have successfully reframed Bush’s global battle as a more narrowly focused struggle against al Qaeda. They stopped using the term “war on terror” and instead described a campaign against a single, clearly identifiable group.

Senior administration officials cite the toppling of Muammar al-Qaddafi as the prime example of the success of their more focused, multilateral approach to the use of force. At a cost of zero American lives and $1 billion in U.S. funding, the Libya intervention removed an autocrat from power in five months. The occupation of Iraq claimed 4,484 American lives, cost at least $700 billion, and lasted nearly nine years.

“The light U.S. footprint had benefits beyond less U.S. lives and resources,” Rhodes told me. “We believe the Libyan revolution is viewed as more legitimate. The U.S. is more welcome. And there is less potential for an insurgency because there aren’t foreign forces present.”

In its most ambitious proposal, the administration is also trying to restructure the U.S. military, implement steep spending cuts, and “right-size” U.S. forces around the world. Under Obama’s plan, the Army would be trimmed by 80,000 soldiers, some U.S. units would be shifted from the Middle East to the Pacific, and more small, covert bases would be opened. Special Forces units that have been vastly expanded in Iraq and Afghanistan would train indigenous forces and carry out counterterrorism raids. Declaring al Qaeda nearly defeated, administration officials say it is time for a new focus.

“Where does the U.S. have a greater interest in 2020?” Rhodes asked. “Is it Asia-Pacific or Yemen? Obviously, the Asia-Pacific region is clearly going to be more important.”

Rhodes has a point, but Pakistan and its nuclear weapons — as well as Yemen and its proximity to vital oil reserves and sea lanes — are likely to haunt the United States for years.

Retired military officials warn that drones and commando raids are no substitute for the difficult process of helping local leaders marginalize militants. Missile strikes that kill members of al Qaeda and its affiliates in Pakistan and Yemen do not strengthen economies, curb corruption, or improve government services. David Barno, a retired lieutenant general who commanded U.S. forces in Afghanistan from 2003 to 2005, believes hunting down senior terrorists over and over again is not a long-term solution.

“How do you get beyond this attrition warfare?” he asked me. “I don’t think we’ve answered that question yet.”

Fonte: http://www.foreignpolicy.com/articles/2012/02/27/the_obama_doctrine?page=full

As estratégias nigerianas de desenvolvimento


Foto: n.i.

Nigeria: A Marshall Plan for Nigeria, By Nigeria

All Africa – 29/02/2012 – por Witney Schneidman & Mwangi Kimenyi

Will President Goodluck Jonathan be successful in managing Nigeria’s myriad challenges and achieve his goal of transforming the country into a modern and prosperous nation?

Jonathan made a positive first impression. Plucked from relative obscurity to be vice president to an enigmatic and ailing President Umaru Yar’Adua, Jonathan moved deftly to seize the reins of power.

Once he became president following Yar’Adua’s death, he acted decisively to install his own cabinet. Jonathan was subsequently elected president with a clear mandate in elections that observers described as among the most successful in the country’s 50 years of independence. He has overseen an amnesty program that has significantly diminished the insurgency in the oil-producing Niger Delta. He appointed some very talented and experienced individuals to office. Economic growth was 7.4 percent in the third quarter of 2011, according to the World Bank.

Over the last several months, however, Jonathan has appeared to falter.

With deadly attacks on the United Nations headquarters in Abuja, Christian churches and targets throughout the north attributed to Boko Haram, a radical Islamist sect, the Nigerian government initially seemed incapable of responding effectively. The recent shake-up of the army high command was overdue. (mais…)

Como seria o ataque convencional israelense contra o Irã


Análise: Entenda como Israel poderia atacar o Irã

BBC / Jonathan Marcus – 27/02/2012

Entre todos os desafios de segurança de Israel nas últimas décadas, a ameaça de um Irã armado nuclearmente é a principal preocupação nas mentes dos estrategistas militares do país.

Essa preocupação tem orientado todo o desenvolvimento da Força Aérea Israelense nos últimos anos.

A Força Aérea Israelense comprou 125 caças F-15I e F-16I, equipados com tanques maiores de combustível – feitos sob medida para ataques de longo alcance.

Além disso, Israel comprou bombas de penetração especiais, desenvolveu grandes aeronaves não tripuladas e de longa duração, e muito dos treinos estão focados em missões de longo alcance.

Israel tem um histórico de ataques preventivos contra alvos nucleares na região. Em junho de 1981, caças israelenses bombardearam o reator de Osirak, próximo à capital Bagdá.

Mais recentemente, em setembro de 2007, aviões israelenses atacaram um local na Síria que muitos acreditavam que abrigava um reator nuclear em construção. (mais…)

O uso das ONGs como armas na Guerra ao Terror


Foto por: Wikimedia

Maybe the way to go after al Qaeda is using a new organization: ‘Killer NGOs’

Foreign Policy / Cel. Gary Anderson – 22/02/2012

We need new thinking in the hunt for Al Qaeda. If you didn’t like Iraq and Afghanistan, you are really going to hate Somalia and Yemen. This nation needs a better strategy for fighting terrorists than invading every country where we find them with a force as large as the one that hit the Normandy beaches. Al Qaeda is, after all, a Non Governmental Organization (NGO), albeit a very evil one; and we have to figure out how to deal with it without creating a major regional war every time we uncover an al Qaeda cell.

Failed and failing states are the kind of places that Al Qaeda and its affiliate are looking for. Afghanistan and Iraq are too hot for Al Qaeda to operate in, and Pakistan is becoming that way. It is true that Iraq was never a haven for al Qaeda until our invasion led to a civil war in that country, but al Qaeda operatives saw opportunity in chaos and exploited it. The 9/11 attacks were enabled by the fact that al Qaeda found sanctuary in Afghanistan and used it to launch attacks on the ultimate enemy, the United States. Preventing another 9/11 has been a priority for the last two administrations, but no one has yet articulated a way of dealing with them short of using a sledgehammer to kill the proverbial fly.

Here is an alternative: If al Qaeda is an NGO, we begin to encourage and support “Killer NGOs” to destroy it in the countries that it infests. (mais…)