internacionalização de empresas

BNDES tem lucro de R$1,56 bilhão no 1º trimestre


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve lucro de 1,56 bilhão de reais no primeiro trimestre, recuo de 1,9 por cento sobre o mesmo período do ano passado. Contudo, o índice de inadimplência foi de 0,01 por cento, segundo o banco, “no mais baixo nível de sua história”, apesar de incertezas nos mercados financeiros e de capitais.

Fonte: BNDES.

Imagem: BNDES.

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A União Europeia e o fim do Mercosul


Samuel Pinheiro Guimarães argumenta que um eventual acordo União Européia/Mercosul seria o início do fim do Mercosul e o fim da possibilidade de desenvolvimento autônomo e soberano brasileiro e do objetivo estratégico brasileiro de construir um bloco econômico e político na América do Sul, próspero, democrático e soberano.

Foto: Carta Maior.

Foto: Carta Maior.

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BNDES inaugura escritório de representação na África


Escritório do BNDES inaugurado nesta sexta-feira (06/12), em Johanesburgo, expande a presença do banco em território internacional. Intenção é ampliar relações com instituições regionais e se aproximar do empresariado local.

Fonte: BNDES.

Fonte: BNDES.

BNDES inaugura escritório de representação na África

Opera Mundi – 06/12/2013

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) inaugurou a primeira representação no continente africano nesta sexta-feira (06/12). O escritório está localizado em Johanesburgo, na África do Sul, país que integra, junto com Brasil, Rússia, Índia e China, o bloco das potências emergentes conhecido como Brics.

A intenção do BNDES é ampliar as relações com instituições regionais e locais e se aproximar do empresariado local. Desde 2012, os assuntos relacionados ao continente africano passaram a ser de competência de uma diretoria específica do banco.

Durante a cerimônia de inauguração, que contou com a presença do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o diretor responsável pelos assuntos da África, América Latina e Caribe, Luiz Eduardo Melin, houve um momento de silêncio em homenagem ao ex-presidente sul-africano, Nelson Mandela, morto nesta-quinta feira (05/12).

O escritório conta com uma equipe de três empregado e dois colaboradores locais e será chefiada por Paulo Roberto Araújo, executivo do BNDES.

Além do escritório na África, o Banco possui uma representação em Montevidéu e uma subsidiária em Londres.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/32817/bndes+inaugura+escritorio+de+representacao+na +africa.shtml

O BNDES como ator da integração na região sul-americana


ICTSD. O BNDES como ator da integração na região sul-americana. Pontes, v. 4, n. 5, nov. de 2008. Disponível em: http://ictsd.org/i/news/pontes/32901/

Fonte: BNDES.

Fonte: BNDES.

Nos últimos anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem-se consolidado como um mecanismo ativo da política externa do governo brasileiro. Este artigo busca identificar suas principais linhas de ação voltadas ao desenvolvimento da integração na América do Sul.

Na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial de 2007, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, propôs a criação de um fundo internacional para o financiamento da integração sul-americana. Tal proposta insere-se no contexto de projeção regional do BNDES como instrumento da política externa do governo brasileiro, principalmente no que diz respeito à integração regional. Já em 2005, Guido Mantega, então presidente do BNDES, afirmava que “o Governo Lula estabeleceu como uma de suas prioridades alterar a geopolítica, construindo uma nova correlação de forças favorável aos países emergentes”.

Para financiar a integração na América do Sul, o governo federal brasileiro dispõe de três mecanismos principais: (i) a Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana (IIRSA)[1], criada em 2000; (ii) o Programa de Crédito à Exportação (PROEX)[2]; e (iii) o BNDES. Desde 2005, o BNDES tem criado linhas de apoio a empresas brasileiras, seja por meio de créditos à exportação de bens e serviços, seja pela criação de marcos regulatórios favoráveis à exportação de investimentos estrangeiros diretos (apoio à internacionalização das empresas). O fato de tal estratégia ter como foco as empresas brasileiras que comercializam com países sul-americanos é freqüentemente evocado pelas lideranças do BNDES como o aspecto definidor da sintonia do Banco com o programa de projeção regional definido pelo atual governo federal.

Apoio à exportação: principal frente de atuação do BNDES na região

O BNDES é hoje o maior banco de desenvolvimento da América Latina e o segundo maior do mundo (atrás apenas do Banco Mundial)[3]. Nos últimos três anos, o BNDES tem tido como foco o desenvolvimento e a multiplicação de linhas de crédito à exportação de bens e serviços praticada por empresas brasileiras, desempenhando um papel cada vez mais ativo no “desenvolvimento sustentável e competitivo da economia brasileira”, conforme declarações do próprio Banco.

São duas as suas principais linhas de apoio à exportação. No financiamento à produção, a empresa obtém, junto ao BNDES, recursos para produzir o bem ou serviço a ser exportado. Já na linha de financiamento à comercialização, o importador é financiado e o exportador (brasileiro) recebe os recursos antecipadamente. Aqui, cabe destacar a parceria recentemente firmada entre os governos do Brasil e da Argentina, de acordo com a qual o BNDES financiará em US$ 200 milhões as importações de produtos brasileiros por empresas argentinas.

Segundo dados do BNDES, 68% das linhas de crédito desembolsadas em 2005 (US$ 3,86 bilhões) correspondem a bens de capital, sendo as empresas que produzem equipamentos de transportes as mais beneficiadas. Os serviços, por sua vez, responderam por apenas 5% desse valor (US$ 252,2 milhões).

Ainda que os números representem 28% de aumento em relação a 2004, o BNDES passou a investir na formulação de estratégias de expansão da participação do setor de serviços em suas linhas de financiamento. Para além de uma preocupação com vistas ao equilíbrio da plataforma de empresas beneficiárias das linhas de crédito do BNDES, as altas lideranças do Banco defendem que “o apoio às exportações de serviços é fundamental para agregação de valor nas transações comerciais brasileiras e para melhorar o saldo de serviços”[4]. O principal ponto de atenção incide sobre os serviços de construção, uma vez que se trata de um setor no qual o país “possui vantagens comparativas”.

Infra-estrutura: ponto sensível para a integração regional

O tema relativo a infra-estrutura vem ocupando um espaço cada vez maior em fóruns nacionais e regionais. No Brasil, tem sido objeto de intensos debates no meio empresarial e político[5] e, na região, foram tais diálogos que deram origem à já mencionada IIRSA e ao Fundo para a Convergência Estrutural (FOCEM, sigla em espanhol), no âmbito do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Independentemente do fórum, o diagnóstico é o mesmo: a assimetria entre os países sul-americanos no tocante à infra-estrutura constitui um dos principais desafios à integração desses países.

Cabe ressaltar a experiência do FOCEM, fundo regional criado pelo Conselho do Mercado Comum (Decisão CMC N. 45/04) com quatro áreas de atuação principais: promover a convergência estrutural, o desenvolvimento da competitividade, a coesão social e o fortalecimento da estrutura institucional do Mercosul. Conforme o Primeiro Orçamento do Fundo (MERCOSUL/CMC/DEC. N. 28/06), relativo ao período 2006-2007, o foco dos trabalhos foi definido em torno da infra-estrutura, principalmente no Paraguai e Uruguai, incluindo as seguintes atividades:

  • construção, modernização e recuperação de vias de transporte modal e multimodal que otimizem o movimento da produção e promovam a integração física entre os Estados parte e suas sub-regiões;
  • exploração, geração, transporte e distribuição de combustíveis fósseis, biocombustíveis e energia elétrica; e
  • implementação de obras de infra-estrutura hídrica para contenção e condução de água bruta, saneamento ambiental e macro-drenagem.

As iniciativas acima apresentadas foram criadas sob a crença de que a harmonização da infra-estrutura constitui peça-chave para a viabilização da integração e do desenvolvimento dos países sul-americanos. Com efeito, nos últimos anos, o discurso político favorável à integração evoluiu mais rapidamente que os mecanismos capazes efetivar a integração sul-americana. Assim, o FOCEM, a IIRSA e o BNDES inserem-se em um contexto no qual a atenção das lideranças políticas da América do Sul voltou-se para o desenvolvimento de ferramentas capazes de superar as lacunas entre os países da região.

Dessa forma, a já mencionada preocupação do BNDES em aumentar a exportação de serviços foi adaptada ao ideário das lideranças políticas sul-americanas e o Banco passou a atuar como órgão financiador da integração sul-americana, com foco em serviços de infra-estrutura[6].

Dentre as operações financiadas pelo BNDES, destacam-se: (i) a ampliação da capacidade de gasodutos na Argentina, obra operada pela Odebrecht e Confab, que envolveu a concessão de aproximadamente US$ 237 milhões de financiamentos do BNDES; (ii) a construção do Aeroporto de Tena na Amazônia Equatoriana, também operada pela Odebrecht, que contou com US$ 50,4 milhões do BNDES; e (iii) a construção das linhas 3 e 4 do metrô de Caracas. Nesta última, o financiamento de cerca de US$ 107,4 milhões entre 2001 e 2005 envolveu a exportação de bens (tubulações para ar, água e eletricidade, aço para construção, guindastes, pontes rolantes e caminhonetes) e serviços (gerenciamento de obras civis, levantamentos topográficos, sismológicos e geológicos, administração de materiais e equipamentos).

As empresas mais beneficiadas pelo apoio do BNDES à exportação de serviços em infra-estrutura têm sido aquelas já consolidadas no mercado nacional e dotadas de projeção internacional. O exemplo mais emblemático é a Odebrecht[7], envolvida em quase todas as principais operações financiadas pelo Banco na América do Sul. A construtora brasileira, que ocupa a 16ª posição entre as maiores empresas da América Latina[8], atua em treze países, do México à Argentina, e mais de 80% (R$ 6 bilhões) da receita de sua receita é proveniente do exterior.

Considerações finais

A combinação de instrumentos nacionais e regionais com o objetivo de promover a integração sul-americana tem-se revelado uma prática comum do governo brasileiro, principalmente a partir de 2000. Para além de um ideal, a multiplicação de tabuleiros em que o Brasil atua tem trazido bons frutos à economia do país nos últimos anos. De fato, a integração regional impulsionou a competitividade das empresas brasileiras e abriu mercados para investimentos, entre outros benefícios. Ferramenta de grande importância para a promoção da integração sul-americana, o BNDES tem contribuído para o aumento da diversidade dos setores apoiados, bem como dos países com os quais o Brasil fechou acordos, o que se traduz em aumento de mercados consumidores.

No que diz respeito especificamente à infra-estrutura, o FOCEM e o BNDES parecem constituir os mecanismos de perfil regional prioritários ao governo brasileiro. No entanto, o volume dos financiamentos do BNDES ultrapassa em muito aqueles do FOCEM: para fins ilustrativos, somente as três obras destacadas na seção anterior (Argentina, Equador e Venezuela) totalizaram US$ 394,8 milhões em financiamentos do BNDES, mais do que o dobro dos recursos previstos no orçamento do primeiro biênio do FOCEM (US$ 125 milhões). Além disso, os projetos aprovados no primeiro semestre de 2007 no âmbito do FOCEM (6 no Paraguai e 6 no Uruguai) depararam-se com obstáculos burocráticos para sua implementação.

Cabe ressaltar que o FOCEM privilegia as empresas nacionais dos países em que a obra será executada para a concessão do financiamento, ao invés de gigantes mais competitivos como a Odebrecht. Nesse sentido, torna-se previsível a posição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de destacar o BNDES nos fóruns internacionais como uma ferramenta que oferece eficiência e credibilidade para o financiamento de obras de infra-estrutura na América do Sul. Exemplo disso é a recente viagem do presidente do Banco, Luciano Coutinho, a Tóquio para explorar a possibilidade de empréstimo de bancos japoneses ao BNDES. “Os bancos japoneses podem desenvolver, junto com o BNDES, fundos de apoio a investimentos em infra-estrutura, e há também grande interesse em instrumentos financeiros relacionados ao meio-ambiente, como o Fundo Amazônia”, disse Coutinho[9].

Trata-se da maturação de uma proposta que foi apresenta por Coutinho em outubro do ano passado, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial. A criação de um fundo internacional para o financiamento da integração sul-americana é necessária para a continuidade das atividades do BNDES, cuja demanda por recursos é elevada (o estoque de projetos de investimentos aprovados pelo banco hoje gira em torno de US$ 90 bilhões) e tende a crescer. Esse cenário deve pressionar as fontes de recursos do Banco, em especial se também considerado o atual contexto da crise econômica mundial.

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Notas:

[1] Os Presidentes da América do Sul decidiram, em reunião realizada em agosto de 2000, em Brasília, criar a IIRSA, uma vez reconhecida a carência de mecanismos de ação conjunta para impulsionar o processo de integração política, social e econômica, fundamentalmente por meio da modernização da infra-estrutura. No Brasil, é a União que opera a IRRSA, com recursos orçamentários para projetos específicos. Ver: <http://www.iirsa.org&gt;. A cesso em: 17 out. 2008.

[2] Ver: <http://www.fazenda.gov.br/sain/temas/proex.asp&gt;. Acesso em: 17 out. 2008.

[3] Ver: COSTA, Karen Fernandez. A transformação do BNDES e sua influência na política de Estado do Brasil na década de 90. In: 28 Encontro Anual da Anpocs, 2004, Caxambu. 28 Encontro Anual da Anpocs, 2004. http://www.encontroanpocs.org.br/2004/lista_sessoes_prog.asp?atvId=116

[4] Palavras proferidas por Guido Mantega em 2005, quando ainda era presidente do BNDES. Apresentação disponível em: <http://www.bndes.gov.br/empresa/download/apresentacoes/mantega_importancia_das_%20exportacoes.pdf&gt;. Acesso em: 17 out. 2008.

[5] Ver editorial intitulado “O desafio da competitividade para as exportações brasileiras”, neste número do Pontes Bimestral.

[6] Digno de nota, o BNDES não financia obras no exterior, mas sim exportações de bens e serviços produzidos no Brasil.

[7] Recentemente, a empresa foi objeto de um quadro de tensão junto ao governo equatoriano, que acusava a Odebrecht, participante do consórcio responsável pela execução do projeto da usina hidrelétrica de San Francisco, de ter utilizado materiais de qualidade inferior, com o objetivo de acelerar o ritmo da obra – entregue 9 meses antes do prazo, adiantamento que garantiu à Odebrecht o recebimento de um bônus contratual de US$ 13 milhões. Para mais informações, ver: Pontes Quinzenal, Vol. 3, No. 18. Relações Brasil-Equador se estremecem após caso Odebrecht. (13/10/2008). Disponível em: <http://ictsd.net/i/news/pontesquinzenal/31036/&gt;. Acesso em: 17 out. 2008.

[8] Ver BBC. Brasil domina ranking das 500 maiores empresas da América Latina. (28/07/2008). Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/07/080728_brasilempresasranking.shtml&gt;. Acesso em: 17 out. 2008.

[9] Ver Agência Brasil. BNDES vai propor fundo internacional para financiar integração sul-americana. (17/10/2007). Disponível em: <http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/10/17/materia.2007-10-17.6337367433/view&gt;. Acesso em: 21 out. 2008. Ver também: BNDES. BNDES busca ampliar relacionamento com instituições internacionais. (17/10/2008). Disponível em: <http://www.bndes.gov.br/noticias/2008/not187_08.asp&gt;. Acesso em: 21 out. 2008.