oposição síria

Delegação da oposição se retira de negociações de paz da Síria


Nesta segunda-feira (18/04), o Alto Comitê de Negociações (HNC, em inglês), grupo que representa a oposição síria nas negociações de paz, anunciou a sua retirada temporária das conversas.  Segundo os líderes do HNC, o grupo não participará até o governo aceitar negociar um governo de transição. O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou porém que a delegação do HNC continuará em Genebra e participará de discussões técnicas e informais.

Staffan de Mistura Foto: Fabrice Coffrini / AFP / Getty Images

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Grupo de oposição síria confirma presença nas negociações de paz


Nesta sexta-feira (11/03), o Alto Comitê de Negociações (HNC, em inglês), que reúne os principais grupos da oposição síria, anunciou que participará das negociações de paz com início em 14 de março, em Genebra. As conversas anteriores não atingiram resultados notáveis. O HNC defende nas negociações um órgão transnacional para governar o país, rejeitando a ideia de um federalismo, proposto pela ONU.

Foto: picture-alliance/ dpa /

Iniciam-se negociações de paz sobre a Síria em Genebra


Nesta sexta-feira (29/01), iniciaram-se em Genebra as negociações de paz com o objetivo de findar a guerra na Síria. Ao final do dia, o principal grupo de oposição concordou em participar, mas ressaltou que não conversará até que se resolvam as questões humanitárias no país. No primeiro momento, governo e oposição não se encontrarão diretamente — interlocutores mediadores da ONU se reunirão separadamente com seus representantes.

Foto: F. Coffrini / AFP / Getty Images.

Parte da oposição síria estabelece novas condições para negociações de paz


Nesta quarta-feira (27/01), a Coalizão Nacional Síria, um dos maiores blocos de oposição do país, anunciou que só estaria presente nas negociações de paz do dia 29 se, entre outras condições, os cercos ao redor do país fossem levantados pelo governo de Bashar Al Assad. Isso torna improvável sua participação nas conversas. Além disso, um porta-voz da ONU afirmou que apenas sírios foram convidados para participar, contradizendo a Turquia, que afirmou que “boicotaria” as negociações se os curdos sírios fossem convidados.

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Foto: AFP / Jiji.

Oposição e rebeldes sírios concordam em juntar-se para negociar com o governo de Assad


Nesta quinta-feira (10/12), rebeldes e oposicionistas sírios pela primeira vez concordaram em juntar-se em uma única entidade para negociar com o governo de Bashar al-Assad em um possível processo de paz. Reunião em Riade, capital da Arábia Saudita, durou cerca de dois dias e foi palco de grandes disputas entre membros mais moderados e os islamistas. Um dos maiores e mais radicais grupos rebeldes, o Ahrar al-Sham, bastante próximo da Al-Qaeda, chegou a abandonar as reuniões em desagrado. Todos concordaram que Assad deve deixar o poder em qualquer processo de paz e que a Síria deve se tornar um país democrático e plural.

Foto: Abdulmonam Eassa / AFP / Getty Images.

Putin diz que apoia o Exército Sírio Livre além das forças de Assad


Nesta sexta-feira (11/12), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que seu país apoia as forças de oposição do Exército Sírio Livre (FSA, em inglês), além de tropas governamentais de Assad. Moscou etaria dando apoio aéreo, armas e munições para a realização de operações conjuntas do FSA com o governo contra militantes jihadistas na Síria. Essa é a primeira vez que Putin afirma estar apoiando militarmente as forças opositoras de Assad.

Foto: Alexei Druzhinin / Reuters / Sputnik / Kremlin.

Na Síria, rebeldes passam a cidade Homs ao governo


Após três anos de cerco, rebeldes sírios começaram a evacuar o último bairro da cidade de Homs sob seu comando, efetivamente passando o controle da cidade ao governo de Bashar al-Assad de acordo com um cessar-fogo firmado recentemente e patrocinado pela ONU. Homs já foi considerada a capital dos rebeldes sírios, onde ocorreram alguns dos primeiros protestos contra Assad em 2011. Os rebeldes de Homs, entre eles alguns vinculados à Al-Qaeda, serão deslocados para a província de Idlib. Medida causa divisões entre as forças de oposição sírias.

Homs. Foto: Reuters.

Firmado acordo para resolução da guerra na Síria


Rússia, Estados Unidos e mais 15 países, entre eles Irã, Arábia Saudita e Turquia, chegaram a um acordo neste sábado (14/11) sobre a resolução do conflito sírio. Plano envolve passos como negociações entre governo e oposição mediadas pela ONU; um cessar-fogo entre os beligerantes (grupos terroristas Al-Nusra e “Estado Islâmico” não estão incluídos); elaboração de uma nova constituição em até seis meses; e eleições livres sob a nova constituição fiscalizadas pela ONU até março de 2018 (18 meses).

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Foto: Thomas Trutschel /Photothek.

Rússia coopera com oposição síria contra terroristas


As Forças Armadas da Rússia afirmaram, na última terça-feira (03/11), que realizaram bombardeios contra alvos terroristas baseados em informações cedidas pela oposição síria. A Rússia não identificou o grupo que forneceu a inteligência, apenas afirmou que é um grupo que luta há quatro anos contra o governo de Assad, mas deseja manter o Estado sírio unido e soberano. Esta é a primeira vez que Moscou diz estar trabalhando com grupos da oposição síria desde que iniciou sua intervenção no país.

Foto: AP.

EUA defenderá rebeldes sírios de ataques do governo de Assad


Neste domingo (02/08), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, autorizou a utilização da força aérea estadunidense na defesa dos rebeldes sírios, que têm sofrido ataques das forças do governo de Bashar al-Assad e de outros grupos aliados ao regime. A medida aumenta significativamente o risco de um conflito direto das forças armadas dos EUA com a Síria.

Foto: AFP, STR.

Foto: AFP / STR.

Acordo entre EUA e Turquia cria “zona de segurança” na fronteira com a Síria


Turquia e Estados Unidos firmaram neste domingo um acordo que estabelece uma “zona de segurança” de facto na fronteira da Turquia com a Síria, acordo que deve aumentar de maneira significativa a presença das Forças Armadas estadunidenses na região. Caso isso se concretize as forças estadunidenses estarão localizadas bastante próximas a bases militares do governo sírio e de grupos vinculados ao “Estado Islâmico”. A presença também deve conceder uma vantagem determinante para a oposição do governo sírio. No entanto, de acordo com declaração do primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu, a Turquia compromete-se a não enviar tropas ao país vizinho, afirmando que sua principal política é manter os militantes do “Estado Islâmico” distantes de suas regiões de fronteira.

Foto: Murad Sezer, Reuters.

Foto: Murad Sezer / Reuters.

Como as vitórias do “Estado Islâmico” influenciam a guerra civil síria


Análise da Stratfor indica que os recentes avanços do “Estado Islâmico” (EI) na Síria tendem a forçar o governo sírio e as forças insurgentes a se focarem no combate ao grupo terrorista, em vez de priorizar a luta entre eles. O EI deve voltar-se à defesa de suas linhas de suprimento, mas sem haver perda de sua flexibilidade em operações ofensivas.

Território do EI na Síria. Mapa: Stratfor.

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A vitória de Assad?


Tropas fiéis ao regime sírio reconquistam áreas dos rebeldes, e Bashar al-Assad passa a exibir confiança na vitória. Especialistas explicam por que o presidente está avançando.

Foto: picture-alliance / AP.

Foto: picture-alliance / AP.

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Al-Qaeda anuncia rompimento com grupo que atua na Síria


A rede terrorista Al-Qaeda anunciou ter rompido suas ligações com o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, sigla em inglês), grupo radical sunita que atua no Iraque e na Síria. A ruptura se deu depois do líder da ISIL ter desobedecido o sucessor de Bin Laden.

Fonte: Flickr / SyriaFreedom.

Foto: Flickr / SyriaFreedom.

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Oposição síria confirma segunda rodada de negociações para paz


Coalizão Nacional Síria, grupo de oposição, decidiu que voltará para a mesa de negociação com o governo do país na segunda-feira, dia 10 de fevereiro. Anúncio foi realizado após encontro com representantes russos.

Lavrov e representante do NCC. Fonte: AFP / Natalia Kolesnikova.

Lavrov e representante do NCC. Fonte: AFP / Natalia Kolesnikova.

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Primeira rodada de negociações sobre Síria termina sem avanços


Após nove dias de conversas a portas fechadas, governo e oposição sírios deixam Genebra trocando acusações. Mediador do encontro e enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi reconhece ter sido “um início muito modesto”. É possível que haja nova rodada de negociações a partir do dia 10 de fevereiro.

Fonte: Reuters / Denis Balibouse.

Fonte: Reuters / Denis Balibouse.

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Caças turcos atacam comboio terrorista na Síria


Caças F-16 da Turquia atacaram veículos pertencentes ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, sigla em inglês), grupo de oposição ao regime de Bashar Al-Asad vinculado à Al-Qaeda no norte da Síria.

Fonte: BBC.

Fonte: BBC.

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Modestos avanços nas negociações de paz sobre a Síria


Negociações de paz sobre a guerra civil na Síria superaram o impasse que havia com acordo entre governistas e oposição. Representantes de Assad anunciaram que estão prontos para discutir o tema de transição política com base no Comunicado de Genebra de 2012.

Fonte: UN TV.

Fonte: UN TV.

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Negociações de paz sobre a Síria permanecem sem avanços


Negociações de paz sobre a guerra civil na Síria permanecem bloqueadas devido ao impasse sobre a transição política no país. Representates do governo sírio de Assad acusam os Estados Unidos de ajudar grupos terroristas.

Mediador da ONU Lakhdar Brahimi. Fonte: Denis Balibouse / Reuters.

Mediador da ONU Lakhdar Brahimi. Fonte: Denis Balibouse / Reuters.

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Congresso dos EUA aprova envio de armas a rebeldes sírios “moderados”


O Congresso dos Estados Unidos secretamente aprovou o fornecimento de armas leves para rebeldes sírios moderados, bem como financiamentos para essas transações. Armas só iriam para regiões do sul sírio, junto à fronteira com a Jordânia.

John Boehner, presidente do Congresso dos EUA. Fonte: PBS.

John Boehner, presidente do Congresso dos EUA. Fonte: PBS.

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Rouhani defende eleições “livres e democráticas” na Síria


O presidente do Irã, Hassan Rouhani, declarou hoje (23/01) no Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos, que a melhor solução para a Síria seria a organização de eleições livres e democráticas, sem que haja ingerência de outros países. Comentário foi feito ao mesmo tempo em que ocorre a Conferência de Paz Genebra II sobre a situação síria em Montreux, também na Suíça, da qual o Irã foi desconvidado.

Fonte: The Guardian.

Fonte: The Guardian.

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Inicia a conferência de paz sobre a Síria


Conferência de paz sobre a Síria, também chamada de Genebra II, teve início nesta quarta-feira (22/01) na cidade suíça de Montreux. É a primeira vez que o regime sírio conversa com opositores, mas desafios a serem superados são enormes. Primeiros discursos serviram para troca de acusações.

Fonte: UN Photo / Eskinder Debebe.

Fonte: UN Photo / Eskinder Debebe.

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ONU desconvida Irã da conferência sobre a Síria


Depois da ameaça de boicote por parte da oposição síria, Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, retirou o convite feito ao Irã para participar de conferência de paz sobre a Síria na Suíça, argumentando que o país não manifestara apoio a um governo de transição.

Fonte: imago / Xinhua.

Fonte: imago / Xinhua.

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Ban Ki-Moon convida Irã para negociações de paz sobre a Síria


Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon convidou o Irã para participar das negociações de paz sobre a Síria agora em janeiro na Suíça. Os Estados Unidos foram pegos de surpresa, enquanto que Teerã prontamente aceitou o convite. Oposição síria ameaça boicotar a conferência, caso Ban Ki-Moon não desconvide os iranianos.

Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon. Fonte: AP.

Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon. Fonte: AP.

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Facção da oposição síria não participará da conferência de paz em Genebra


O Comitê de Coordenação Nacional Sírio (NCC), facção de oposição política a Assad, decidiu boicotar a conferência de paz em Genebra este mês, segundo enviado da ONU para a Síria, Lakhdar Brahimi. O NCC é o primeiro grupo de oposição que se formou na Síria ainda em 2011 e é composto mormente de ativistas seculares.

Lavrov e representante do NCC. Fonte: AFP / Natalia Kolesnikova.

Lavrov e representante do NCC. Fonte: AFP / Natalia Kolesnikova.

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Primeiro carregamento de armas químicas deixa a Síria


Chefe da missão da Organização para Proibição de Armas Químicas (Opaq) disse que o primeiro carregamento do arsenal químico da Síria deixou nesta quarta-feira (07/01) o porto sírio de Latakia em direção à Itália, onde será carregado em um navio da Marinha dos EUA e levado para águas internacionais para que seja destruído. Enquanto isso, rebeldes estão cada vez mais divididos e lutam entre si.

Rota aproximada para destruição do arsenal químico. Fonte: BBC.

Rota aproximada para destruição do arsenal químico. Fonte: BBC.

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Secretário-Geral da Liga Árabe anuncia data para conferência de paz sobre a Síria


O Secretário-Geral da Liga Árabe Nabil Elaraby anunciou no último domingo uma data para uma tentativa de negociar a paz na Síria. Crescem as expectativas de uma solução política para o conflito, cujas negociações colapsaram há mais de um ano.

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Arab League chief announces date for Syrian peace talks

The Washington Post – 20/10/2013 – por Abigail Hauslohner

The chief of the Arab League announced on Sunday a date for an attempt at Syrian peace talks, raising a glimmer of hope for a political solution to the ongoing civil war more than a year after an initial round of talks collapsed.

Nabil Elaraby, the head of the Cairo-based Arab League, said international powers would convene talks between Syrian President Bashar al-Assad’s government and opposition leaders on Nov. 23 in Geneva. Elaraby told reporters that the announcement was the result of discussions with Lakhdar Brahimi, the U.N.-Arab League envoy for Syria.

But in the same news conference in Cairo, Brahimi said an official date had not been set, the Reuters news agency reported.

Syrian opposition leaders swiftly dismissed the announcement as unwarranted hype in a process that has been repeatedly delayed. “They are saying there is a meeting, and I am saying that there isn’t yet,” said Haitham Maleh, a member of the main Syrian Opposition Coalition.

Syria’s information minister, Omran al-Zoubi, said that the government was ready to attend the Geneva talks but that it would not negotiate with “terrorists,” the state-run Syrian Arab News Agency (SANA) reported. The regime has consistently labeled the rebels as terrorists.

A “political solution has been an original choice for the Syrian government since the beginning of aggression on Syria,” Zoubi told the Lebanese satellite network al-Manar, according to SANA.

In attempting to bring opposition leaders and regime officials to the negotiating table more than two years into a conflict estimated to have killed more than 100,000 people, mediators have operated largely beyond the reality of events inside Syria, where regime shelling, attacks by rebels and fierce clashes kill dozens of people every day.

As Elaraby announced the November talks, a suicide truck bomber struck at a government checkpoint in the Syrian city of Hama on Sunday, killing at least 37 people, SANA reported. The Syrian Observatory for Human Rights, a Britain-based pro-
opposition watchdog, put the death toll at 43. It was the second deadly vehicle bombing at a government checkpoint in as many days.

The Syrian Opposition Coalition — the most likely group to represent Assad’s foes at the negotiating table — holds little sway inside Syria, where competing rebel factions, as well as foreign fighters and financiers, are part of the effort to topple Assad.

Islamist extremists, who appear better organized and better funded than moderate rebels, have increasingly commanded the bulk of rebel fighting power and have exercised force against their adversaries within the opposition.

A spokesman for the Syrian Opposition Coalition said rebel leaders would not consider any date for peace talks official until such an announcement comes from U.N. Secretary General Ban Ki-moon. So far, the coalition had not been notified, Khalid Saleh said.

“As far as our attendance, we have not made a final decision,” he said.

Plans for peace talks have broken down repeatedly over the opposition’s insistence on a precondition that Assad be denied any role in a political transition or future state. Assad’s regime has said that it will not negotiate with armed rebels, a demand that would disqualify most opposition figures who have leverage.

Saleh said that the coalition would be “the first ones to the table” if the talks took on the appearance of a serious thrust toward a political transition but that Sunday’s announcement probably signified “more of the same.”

“The Geneva conference must be about one thing and one thing only, and that is a transition to democracy,” Saleh said. “When we say transition to democracy, that means that Mr. Assad does not have any place in the transition or the future of Syria.”

Musab Abu Qatada, a spokesman for the Damascus Military Council, a unit of the more-
moderate Free Syrian Army, said that he would support peace talks but that he, like many others in Syria, remains deeply skeptical.

“This regime has broken promises before. That’s why we don’t want any trace of it to stay in the country,” said Abu Qatada, who uses a pseudonym. “The only condition that the people are not willing to give up is the total departure of Assad and his regime.”

Fonte: http://www.washingtonpost.com/world/middle_east/arab-league-chief-announces-date-for-syrian-peace-talks/2013/10/20/1326ea9c-398f-11e3-b7ba-503fb5822c3e_story.html

Vídeos sobre a Guerra na Síria


Putin afirma que a Rússia não está defendendo Assad, mas sim, o direito internacional

 

Debate sobre Guerra na Síria, no RussiaToday

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Geopolítica da guerra proxy na Síria e as disputas entre EUA e Rússia no Oriente Médio


Mundorama, 20/09/2013

A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio

 Lucas Kerr Oliveira, Pedro V. P. Brites & João Arthur S. Reis

O acordo entre Rússia e Estados Unidos para a destruição das armas químicas sírias, anunciado dia 14 de setembro, pode, ao menos por ora, impedir uma nova intervenção estadunidense no Oriente Médio. O arranjo estabelece que o regime de Bashar Al-Assad entregue seu arsenal químico para o controle internacional e que este seja destruído até a metade de 2014 (RiaNovosti, 2013). O acordo proposto pela Rússia em 09 de setembro arrefeceu a escalada da mobilização militar dos EUA. O sucesso da iniciativa diplomática russa, que em grande medida deve-se ao envio de uma esquadra com considerável poder de fogo no Mediterrâneo, pode ser considerado uma inflexão na situação regional. Ao impedir o ataque à Síria, foi freada uma tendência que se mantinha desde a queda de Kaddafi em 2011: o avanço quase sem resistência dos interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio.

A guerra na Síria teve início a partir de uma escalada de violência, que começou com os protestos de 2011, pouco depois do início da “Primavera Árabe”. A violência das manifestações aumentou progressivamente, com crescente número de mortos, à medida que rebeldes armados aproveitaram-se da situação para atacar o governo instituído. Importa destacar que a “oposição” é formada por diferentes facções de rebeldes, inclusive com rivalidades entre si. Enquanto algumas facções são essencialmente étnicas, como os curdos sírios, outras são formadas por grupos religiosos conservadores e fundamentalistas, além de grupos como o Exército Sírio Livre, que inclui desertores das forças armadas nacionais e recebem apoio turco. Bandos armados mais radicais, como a Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, recebem apoio saudita e inclui grandes contingentes de mercenários líbios e chechenos. Este é o principal indício de que realmente está em andamento uma guerra proxy de diversos atores, entre eles Arábia Saudita e Turquia, contra a Síria.

Os Estados Unidos adotaram, desde o princípio, uma postura de condenação ao regime sírio e apoio aos rebeldes. Entretanto, apesar do suporte dado pela OTAN e pela CIA aos rebeldes – via Turquia e Jordânia –, os EUA não conseguiram obter a renúncia ou a capitulação do regime de Assad (Lubold, 2013). Entretanto, em 2012, Obama afirmou que os EUA só interviriam na Síria se o regime de Assad ultrapassasse o que ele chamou de “linha vermelha”, ou seja, utilizasse armas químicas ou biológicas.

Após o incidente de 21 de agosto, em que ocorreu o uso de armas químicas, o governo americano declarou que iria intervir militarmente na Síria, à revelia do Conselho de Segurança da ONU, mesmo que a comissão das Nações Unidas não tenha conseguido identificar o autor dos ataques (ONU, 2013), O Presidente americano, porém, transferiu para o Congresso a responsabilidade final de aprovar ou não a intervenção, que, a princípio, seria uma ação limitada, restrita a alvos específicos. Apesar do apoio incondicional da França, o veto do parlamento britânico à intervenção representou um revés significativo para a estratégia dos EUA. Além disso, na cúpula do G-20 em São Petersburgo ficou evidente o relativo isolamento americano, já que boa parte dos países presentes se opôs à ação militar.

Nesse contexto, a posição russa foi a mais assertiva. O anuncio do envio de navios do Mar Negro, do Norte e do Pacífico para o Mediterrâneo leste, foi um claro sinal de que a Rússia não toleraria um ataque à Síria, tradicional aliado do país. Em 11 de setembro, havia 8 navios russos na região, enquanto os EUA, por sua vez, contavam com 6 vasos de superfície, além de uma série de bases aéreas e navais no entorno. Apesar da evidente assimetria logística em favor dos Estados Unidos, não há grande discrepância na capacidade destrutiva mútua das duas esquadras. Trata-se de uma correlação surpreendente, dada a superioridade técnica da marinha estadunidense. Esse relativo equilíbrio de forças demonstra que o projeto da US Navy, ainda da década de 1990, de privilegiar a capacidade de ataque à terra, deixou-a relativamente vulnerável diante de outra marinha de guerra (Martins, 2013). Portanto, a presença da marinha russa no Mediterrâneo não teve caráter meramente simbólico, mas sim de dissuasão efetiva, ao demonstrar a possibilidade de escalada do conflito em caso de intervenção americana.

A presença das marinhas americana e russa na região reflete a importância geoestratégica do Oriente Médio para os dois países. Os múltiplos interesses estadunidenses na região incluem, principalmente, o controle geopolítico do petróleo e a defesa de seus aliados regionais. Nas duas últimas décadas ganhou força o projeto neoconservador de remodelar o mapa do Grande Oriente Médio em bases étnico-religiosas (Peters, 2006). A iniciativa de fragmentar a maior parte dos Estados Nacionais da região através de uma guerra permanente, tudo indica, começou com a balcanização do Iraque, Líbia e Síria, sendo o Irã um dos possíveis próximos alvos. Tal projeto aproxima os interesses dos neocons estadunidenses aos dos wahhabitas sauditas, que declaram a pretensão de liderar um grande califado regional petroexportador de maioria sunita, capaz de competir com o petróleo russo. Para isso, seria preciso viabilizar uma nova rede de oleodutos alternativa ao escoamento através do Estreito de Ormuz, sob a liderança saudita.

Para a Rússia é fundamental sustentar o equilíbrio de poder no Oriente Médio, mantendo os únicos aliados que lhe restaram na região, o Irã e a Síria, onde se localiza o Porto de Tartus, a única base naval russa de águas quentes fora de seu território. A possível balcanização destes aliados não ameaça apenas os interesses russos na região, mas influencia diretamente na estabilidade do Cáucaso. Principalmente porque há muitos chechenos entre as forças rebeldes sírias, o que fortalece o movimento separatista na Chechênia e Daguestão, um claro problema de segurança nacional para a Rússia. Portanto, da perspectiva russa, combater os rebeldes sírios seria uma forma de enfraquecer os radicais chechenos baseados no exterior (Hill, 2013). Assim, compreende-se que a oposição russa à intervenção dos EUA tem motivações mais profundas do que a simples defesa de um regime aliado.

Cabe destacar que a resolução da guerra na Síria ainda parece bastante distante. Mesmo se o acordo para a retirada das armas químicas se efetivar, isso não garante a estabilização do país e nem previne uma nova futura escalada das tensões entre as potências extrarregionais. Além disso, a evolução da crise na Síria será vital para o jogo político doméstico nos Estados Unidos. Após endurecer a retórica, a despeito da oposição da opinião pública à intervenção, o governo Obama teve de recuar diante da proposta do governo Putin, o que pode emparedar ainda mais o governo democrata. Nesse sentido, as disputas internas sobre o projeto americano para o Oriente Médio, bem como a reação de Rússia e China, parecem ensejar uma instabilidade ainda maior na região nos próximos anos.

Referências Bibliográficas

BINNIE, Jeremy (2013). “Syrian militant group swears allegiance to Al-Qaeda”. IHS Jane’s Defence Weekly, 10 de abril de 2013. <http://www.janes.com/article/11900/syrian-militant-group-swears-allegiance-to-al-qaeda> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

HILL, Fiona (2013). “The Real Reason Putin Supports Assad”. Foreign Affairs, 25 de março de 2013. <http://www.foreignaffairs.com/articles/139079/fiona-hill/the-real-reason-putin-supports-assad> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

LUBOLD, Gordon (2013). “Is Anyone In Charge Of U.S. Syria Policy?Foreign Policy, 20 de junho de 2013. <http://www.foreignpolicy.com/articles/2013/06/20/who_is_in_charge_of_us_syria_policy> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

MARTINS, José M. Q. (2013). Painel Síria: Escalada ou Reequilíbrio? Apresentação realizada em 12 de setembro de 2013. FCE, Ufrgs, Porto Alegre, RS.

ONU (2013). Report on the Alleged Use of Chemical Weapons in the Ghouta Area of Damascus on 21 August 2013. United Nations Mission to Investigate Allegations of the Use of Chemical Weapons in the Syrian Arab Republic. Organização das Nações Unidas. <http://www.un.org/disarmament/content/slideshow/Secretary_General_Report_of_CW_Investigation.pdf> ; Acesso em 17 de setembro de 2013.

PETERS, Ralph (2006). “Blood borders: How a better Middle East would look”. Armed Forces Journal, Junho de 2006. <http://armedforcesjournal.com/archive/issue/2006/06/toc> ; Acesso em 15 de setembro de 2013.

RIA Novosti (2013). Russia, US Agree Syria Chemical Weapons Deal in Geneva. RIA Novosti, 14 de setembro de 2013. <http://en.rian.ru/russia/20130914/183438364/Russia-US-Agree-Syria-Chemical-Weapons-Deal-in-Geneva.html> ; Acesso em 16 de setembro de 2013.

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Lucas Kerr de Oliveira é professor e coordenador do curso de Relações Internacionais e Integração da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA. Doutor em Ciência Política e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

Pedro Vinícius Pereira Brites é Diretor-Geral do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia – ISAPE. Mestrando em Estudos Estratégicos Internacionais e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES.

João Arthur da Silva Reis é Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Pesquisador colaborador do Centro de Estudos Internacionais sobre Governo – CEGOV-UFRGS e do ISAPE.

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Fonte:

KERR-OLIVEIRA, Lucas; BRITES, Pedro V. P. &amp; REIS, João A. S. (2013). A guerra proxy na Síria e as disputas estratégicas russo-estadunidenses no Oriente Médio. Mundorama, 20/09/2013. Mundorama, Divulgação Científica em Relações Internacionais, ISSN 2175-2052. <http://mundorama.net/2013/09/20/a-guerra-proxy-na-siria-e-as-disputas-estrategicas-russo-estadunidenses-no-oriente-medio-por-lucas-kerr-de-oliveira-pedro-vinicius-pereira-brites-e-joao-arthur-da-silva-reis/>